Alexandre Rocha
O Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, informou nesta terça-feira, 28, que o museu Guggenheim Abu Dhabi será finalmente inaugurado. em 11 de dezembro deste ano. Vinte anos após o projeto ser anunciado, em dezembro de 2006.
Na época, a região vivia uma explosão de projetos ambiciosos, movimento capitaneado pela vizinha Dubai, com seus hotéis de alto luxo, arranha-céus e ilhas artificiais. Outros emirados, como Abu Dhabi, e países vizinhos, como o Catar, também surfaram nessa onda, não só investindo forte em empreendimentos imobiliários, mas também atraindo instituições de renome internacionais.
Os tempos eram outros, havia alta liquidez nos mercados internacionais, o crédito era farto e os Emirados buscavam diversificar sua economia, atrair turistas e empresas internacionais. Além do Guggenheim, Abu Dhabi anunciou que construiria uma filial do Louvre francês e o Museu Nacional Zayed, dedicado à história do país e batizado em homenagem ao seu fundador, Zayed Bin Sultan Al Nahyan.
Ainda não havia ocorrido a crise financeira internacional de 2008, que atingiu Dubai em cheio. O emirado acabou recebendo um substancial socorro financeiro de Abu Dhabi, vizinho mais rico em petróleo. Tanto que, quando foi inaugurado, em janeiro de 2010, o prédio mais alto do mundo, marco da cidade de Dubai, teve seu nome alterado de Burj Dubai para Burj Khalifa, em homenagem ao então emir de Abu Dhabi, Khalifa Bin Zayed Al Nahyan.
Outras turbulências se se seguiram, como a Primavera Árabe, em 2011, que embora tenha atingido a região do Golfo com menos força, fez com que os governos locais despejassem montanhas de dinheiro em auxílios financeiros aos seus cidadãos para fazer frente à carestia, especialmente de alimentos, que afligiu o Oriente Médio e o Norte da África na ocasião, e que serviu de estopim para revoltas em outros países, como o Egito.
A flutuação dos preços do petróleo também afetou as economias da região. Após atingir níveis recordes no início dos anos 2010, os preços da commodity caíram fortemente ao longo da década, o que levou países do Golfo a adotarem a até então inédita cobrança de impostos sobre o consumo para compensar em parte a perda de receitas, Emirados inclusos.
E os conflitos na região proliferaram no Oriente Médio, sendo que os Emirados e a Arábia Saudita tiveram envolvimento direto na guerra civil que assolou o Iêmen na década passada, e agora têm que se defender os ataques vindos do Irã, uma reposta aos bombardeios promovidos por Estados Unidos e Israel deste o final de fevereiro.
As inaugurações dos museus prometidos por Abu Dhabi atrasaram. A versão local do Louvre abriu as portas em novembro de 2017 e Museu Nacional Zayed, em dezembro de 2025, após adiamentos. Todos os empreendimentos ficam na Ilha Saadiyat, polo de atrações turísticas e culturais do emirado.
O Guggenheim ficou por último. Inicialmente, as obras estavam previstas para ser concluídas em 2012. Depois, a previsão passou para 2017, mas só nove anos depois a instituição irá abrir as portas. O projeto do museu foi concebido pelo festejado arquiteto canadense Frank Gehry, morto no ano passado. Ganhador do Pritzker, considerado o “Prêmio Nobel” da arquitetura, Gehry projetou também o Guggenheim de Bilbao, marco arquitetônico da cidade basca.
Segundo informações da própria instituição, o museu vai abrigar obras de arte modernas e contemporânea dos anos 1960 para cá, incluindo pinturas, esculturas, instalações, fotografias, filmes e novas mídias. A coleção vem sendo montada desde 2009 e tem caráter global. As instalações têm 30 galerias e 11,6 mil metros quadrados de espaço interno, mais 23 mil metros quadrados de espaços externos para exposições. Com a data de abertura marcada, é esperar para ver se agora vai.




