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sexta-feira, agosto 7, 2026

Do brilho do IPO a penny stock

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Por Cynthia Decloedt

A Zenvia, empresa de tecnologia centrada em softwares e inteligência artificial para gestão de vendas e atendimento em canais digitais como WhatsApp, fechou seu capital na Nasdaq, onde estreou em 2021 com expectativa de uma trajetória perene na bolsa norte-americana. Com as ações valendo menos de US$ 1,00, optou por sair voluntariamente após ser notificada pela Nasdaq do desenquadramento do valor mínimo para seguir negociando. As perdas acumuladas pela Zenvia desde a abertura de capital chegaram a superar os 90%.  

A tech brasileira viu a dívida chegar a R$ 700 milhões, valor recentemente reestruturado, depois que a companhia obteve proteção na Justiça contra as cobranças. No processo, alongou para 2032 compromissos de R$ 253 milhões com Movidesk, uma das adquiridas pela Zenvia, e o restante com TIM, Vivo e Claro. Mas a empresa já vinha sangrando desde 2023 e duas grandes renegociações aconteceram em 2024 e no ano passado. 

A Zenvia, que teve sua MARCA estampada na torre da Nasdaq na Times Square, tinha expectativa de realizar novas ofertas de ações (follow on) para dar vazão a uma agenda de consolidação de empresas nascentes do setor, por meio de aquisições. Essa era a promessa aos investidores no IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). Nesse percurso, a Zenvia realizou ao menos 10 grandes aquisições. 

“As janelas que esperávamos a partir de 2021 não aconteceram e acabamos ficando pequenos na Bolsa para atrair fundos”, diz a diretora financeira da Zenvia, Barbara Raymundo, sócia da Oria Capital, um dos acionistas da Zenvia, e que assumiu o cargo em junho deste ano. 

Os questionamentos quanto à sobrevivência das empresas de software as a service (Saas) no mundo, também não contribuiu, de acordo com ela. Há alguns anos, as ações dessas companhias têm sido pressionadas e, mais recentemente, com a chegada de novas versões da Inteligência Artificial houve um derretimento expressivo dos papéis de várias empresas, o que foi chamado de “apocalipse do SaaS”. 

A visão da Zenvia é, entretanto, de que a indústria de softwares está se adaptando. “Nunca acreditamos que as empresas de SaaS fossem totalmente prejudicadas pela IA, mas que tirariam proveito dela para novos posicionamentos no mercado”, observou Raymundo. Tanto que no ano passado separou seus dois principais negócios, de SaaS, no qual tem centralizado sua estratégia, e prepara a operação de compra e venda de SMS, chamado de Communication Platform as a Service, que deu origem à companhia, para uma eventual venda. 

Tech não é tudo

A história da Zenvia começa no boom dos IPOs no Brasil e que levou a companhia e outras de tecnologia para o mercado norte-americano. Estreou na Nasdaq em julho de 2021, captando US$ 200 milhões, sendo US$ 50 milhões com um aporte da empresa norte-americana Twilio. As ações foram vendidas a R$ 13,00. 

A Zenvia também não é a única que perdeu liquidez e acabou “largada” na bolsa norte-americana. A experiência dessas empresas tem levado a revisões nas propostas que os bancos de investimento brasileiros fazem quando o assunto é chegar ao mercado de capitais nos EUA. Agora, muitos dessas instituições que levaram essas ofertas para Nova York, defendam IPOs maiores, de um mínimo de US$ 500 milhões, para evitar a perda de liquidez.  

“Estar listed (listado) dá credibilidade para o negócio, mas as obrigações das empresas que estão listadas são grandes, de governança e importantes e isso gera um esforço para as companhias que têm um custo para operar, o que é preciso ser colocado na conta”, diz o vice-presidente de Negócios, Marketing e Tecnologia da Zenvia, Gilsinei Hansen.

Hansen acrescenta que, embora tudo o que se faz em termos de compromissos regulatórios gere valor aos acionistas, não necessariamente agrega valor ao produto em si. “Existem custos que são intangíveis, porque você tem de ter uma estrutura para atender os requisitos de estar na bolsa, ter profissionais dedicados a isso, um esforço que poderia estar direcionado em pesquisa e desenvolvimento”, afirma. 

Mesmo assim, não existe na empresa um arrependimento em relação à listagem. “Naquele momento de mercado, fazia todo sentido ir para a Nasdaq e olhando para trás, teríamos feito o IPO novamente”, diz Raymundo.

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