No ano passado, 33% dos brasileiros disseram ter guardado dinheiro, mas apenas 10% investiram em produtos financeiros — e muitos ligaram sua decisão à noção de que, no Brasil, investir é “coisa de rico.”
Segundo o Raio X do Investidor, pesquisa divulgada pela Anbima em parceria com o Datafolha na quinta-feira (23), entre as pessoas que pouparam em 2025, uma parcela relevante de 19% optou por deixar o valor parado no banco ou fora dele, sem realizar nenhuma aplicação financeira.
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Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, muitos entrevistados afirmaram que não tinham dinheiro suficiente para serem investidores, apesar de alguns até terem cadernetas de poupança.
“As pessoas têm uma percepção de que investir é para pessoas ricas ou que têm muito patrimônio”, afirma, acrescentando que mesmo pessoas com patrimônio significativo dizem que não aplicam porque acham que não têm o suficiente para enfrentar o mundo de investimentos. “Isso podia ser uma realidade há 20 anos, quando os valores mínimos de investimento eram altos, mas hoje há produtos muito baratos e acessíveis”, lembra Billi.
Para ele, o primeiro desafio da indústria é mostrar para a população que ela tem acesso aos investimentos financeiros e ao mercado de capitais e como isso pode ajudar a realizar seus objetivos. “Poucos também dizem que querem ficar ricos, a maioria quer viajar, pagar o estudo dos filhos, comprar uma casa, e nosso objetivo é mostrar que o mercado pode acelerar o caminho para ela chegar ao sonho”, diz.
Outra barreira é a do conhecimento, diz. Muitos não se sentem preparados para investir, mesmo possuindo um valor considerável. “Vários entrevistados acham que é preciso estudar muito para dar esse passo pois acham esse universo de investimentos muito complexo”, conta.
Mesmo assim, essas pessoas se arriscam em outros negócios, como comprar um carro para revender ou emprestar com juros. “O desafio é conseguir falar a língua das pessoas, ligar o investimento aos objetivos, o que já está sendo feito, como mostra o universo dos bancos digitais com suas caixinhas e cofrinhos separados por finalidade”, diz. “Batemos a meta de universalizar os serviços bancários, 97% da população tem acesso, então a hora é mostrar para as pessoas que investir não é tão complexo assim”.
A pesquisa, realizada em novembro do ano passado, mostrou também que aumentou a parcela das pessoas que guardam parte do salário todo mês. Dos que disseram ter economizado algum dinheiro em 2025, 20% separaram parte do salário, ante 18% em 2024 e 11% em 2021. O mesmo levantamento mostrou ainda que o universo de investidores no Brasil cresceu de 31% para 36% em cinco anos, atingindo 60,6 milhões de pessoas.




