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sexta-feira, julho 17, 2026

Brasil tem campeão na Copa – Broadcast

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Protagonista na Copa, empresa tem recorde de audiência e receita de R$ 2 bilhões

Gabriel Baldocchi

É brasileiro o time com um dos melhores desempenhos na Copa de 2026, nos Estados Unidos/México/Canadá. Que Ancelotti, que nada. Que canarinho, que nada. Fora do campo, a CazéTV foi a jovem destaque a peitar, de igual para igual, nomes tradicionais da transmissão. O canal do Youtube é o Erling Halaand do audiovisual esportivo. Jovem, surpreendente e matador. Na artilharia de engajamento, bateu recorde atrás de recorde de transmissão, com a MARCA mundial de audiência simultânea na história do streaming gratuito do Google: um pico de 24,2 milhões de aparelhos conectados ao mesmo tempo, na semifinal entre França e Espanha.

Ao contrário de Halaand, a TV do youtuber e jornalista Casimiro Miguel não é uma estreante em 2026. Debutou no Catar, onde chegou a 5 milhões na audiência de em um dos jogos do Brasil. De lá para cá, tudo mudou. E a caricata concorrente ganhou ar de gigante. Com bolso fundo. Só na Copa de 2026, a receita com cotas de patrocínio da LiveMode, dona da CazéTV, é estimada em R$ 2 bilhões, fruto de uma combinação de formatos muito mais inovadores de reclames que a TV tradicional, com engajamento e campanhas interativas.

Aos poucos, os empresários Edgard Diniz e Sérgio Lopes vão repetindo, com mais sucesso, a fórmula que os levou a vender o canal Esporte Interativo, que inovou na transmissão de eventos esportivos, para a Turner (hoje WarnerMedia) em 2015, numa transação estimada na época em R$ 400 milhões.

Os dois empresários vislumbraram o caráter viral do youtuber Casimiro para colocar de pé uma TV com cara própria, em 2022. E o retorno financeiro veio rápido. A LiveMode, empresa de negociação de direitos esportivos criada por Diniz e Lopes, a face mais profissional da CazéTV, atraiu, em 2024, dois investidores de peso: o fundo global gigante General Atlantic e a XP, com aporte estimado em R$ 650 milhões – que teriam avaliado a LiveMode em cerca de R$ 1 bilhão na época.

Cerca de dois meses antes do mundial, a empresa ganhou uma grife global do esporte: a entrada do craque português Cristiano Ronaldo no quadro de acionistas, um carimbo para a expansão internacional. Na Copa, a CazéTV foi a única brasileira a obter os direitos para todos os jogos. Já tem na manga os direitos de LaLiga (campeonato espanhol de futebol), das Olimpíadas de 2028 e acaba de “roubar” os direitos do tênis feminino da ESPN.

Passado, presente e futuro

A CazéTV já ocupa um lugar ao lado de Amazon e Netflix, entre as “techs” com potencial para navegar no promissor segmento de direitos esportivos no mundo, um mercado que deve girar US$ 78 bilhões em 2030, ante os US$ 56 bilhões de 2025, nos cálculos do Itaú BBA. Dica: os serviços de streaming já representaram um quinto do bolo total.

No Brasil, o fenômeno CazéTV vem acompanhando de uma onda de profissionalização do negócio do esporte. Ao menos 42 times já adotaram o regime jurídico que se assemelha a uma empresa (SAF) e a criação de ligas de futebol, com seus investidores de peso (BTG, XP e Mubadala), vem ajudando o País a tirar o atraso do potencial do futebol brasileiro como plataforma de negócios.

Hoje, o país ocupa menos de 5% da fatia global dos direitos esportivos e o Brasileirão movimenta uma fração dos grandes campeonatos europeus: enquanto o nacional aqui gira 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões), a Premier League, da Inglaterra, movimenta quase 2 bilhões de euros (R$ 11,74 bilhões). É lá, aliás, que joga o norueguês Halaand, carrasco da eliminação do Brasil neste ano.

Se tudo correr como previsto no caminho da profissionalização, os analistas do Itaú estimam que os volumes dos direitos esportivos no Brasil possam crescer a um ritmo anual de 11% e alcançar R$ 7,4 bilhões, em três anos. Nesse caminho, o digital ganhará ainda mais espaço e aí é 7 X 1 para a CazéTV.



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