Bruna Camargo
O “Lollapalooza” do mercado financeiro, ou melhor, a Expert XP, reuniu cerca de 64 mil participantes em sua 16ª edição, realizada entre os dias 23 e 25 de julho no São Paulo Expo. Neste ano, o evento marcou a celebração dos 25 anos da XP Inc., entregou mais de 120 horas de conteúdo e teve um terceiro dia aberto ao público – ainda que o sábado pareça ter sido destinado mais aos happy hours antecipados e às premiações de profissionais e assessorias parceiras da empresa fundada por Guilherme Benchimol.
Como em todas as edições, algumas cenas se repetiram: trânsito intenso na chegada ao pavilhão, corredores tomados por profissionais da indústria em busca de networking, filas pelos brindes mais disputados e música alta no fim do dia, quando a troca de cartões dava lugar às conversas descontraídas com chope na mão. Mas, para além do clima de festival, a Expert deste ano também chamou atenção pelos temas que ficaram fora dos holofotes.
Aqui não falamos da inesperada revista reforçada para entrada no segundo dia – a pedido de Mike Pompeo ou Will Smith, será? -, nem mesmo do tradicional painel dos “gestores estrelados”, que deixou de repetir a fórmula dos últimos anos com os três nomes que ajudaram a construir o prestígio da indústria de multimercados – Luis Stuhlberger, André Jakurski e Rogério Xavier. Mudanças sutis na cara do evento, mas que já ajudam a ilustrar uma edição em que algumas ausências chamaram tanta atenção quanto as presenças. Entre elas, a pouca atenção dada a temas hoje considerados centrais para a indústria.
Um dos exemplos foi a ausência de discussões sobre ETFs na programação principal. Embora esses produtos somem R$ 121 bilhões em patrimônio líquido e tenham registrado a segunda maior captação líquida da indústria de fundos neste ano, segundo dados da Anbima, apenas um dos mais de 70 painéis do evento foi dedicado ao tema, o que repercutiu mal entre os profissionais do mercado. Outro tema que apareceu menos do que alguns participantes esperavam foi o debate sobre os modelos de remuneração dos assessores de investimentos. Até houve um painel dedicado ao tema, que foi recorrente nas conversas de bastidores, mas, na avaliação de parte da indústria, continuou sub-representado.
Ao fim de três dias de programação, a impressão deixada por parte dos participantes é que a Expert continua sendo a principal vitrine do mercado financeiro brasileiro, mas ainda seleciona cuidadosamente quais discussões sobem ao palco. O crescimento de cerca de 28% no público e as plenárias lotadas mostram que há interesse por praticamente qualquer tema. Justamente por isso, cresce também a expectativa de que as próximas edições reflitam de forma mais ampla as transformações que já fazem parte do dia a dia da indústria de investimentos.




