O Santos voltou às quartas de final da Copa do Brasil depois de cinco anos, alcançou uma importante premiação financeira e segue vivo em três competições. Tudo isso é motivo de comemoração. Mas a vitória por 1 a 0 sobre o Remo, no Mangueirão, também reforçou que o time de Cuca ainda está em processo de construção e tem aspectos que precisam evoluir para sonhar mais alto na temporada.
Mesmo sem Neymar entre os titulares, o Peixe fez um bom primeiro tempo, controlou a posse de bola, ocupou o campo ofensivo e criou oportunidades suficientes para sair em vantagem antes do intervalo. Caballero foi a principal válvula de escape, Barreal participou da construção das jogadas e o meio-campo conseguiu circular a bola com qualidade. A expulsão de Marllon aconteceu em um lance que nasceu justamente da velocidade do atacante paraguaio.
Esse talvez tenha sido o principal avanço em relação aos meses anteriores. O Santos teve organização coletiva. Pressionou, recuperou bolas rapidamente e conseguiu sustentar a posse no campo adversário. A equipe mostrou personalidade mesmo atuando em um estádio lotado e diante de um ambiente completamente favorável ao Remo.
Voltando do Pará com a classificação bem guardada na bagagem! 😎💼 pic.twitter.com/8db86GcLnW
— Santos FC (@SantosFC) August 5, 2026
Ao mesmo tempo, ficou evidente um problema recorrente: a dificuldade para transformar superioridade em gols.
Mesmo com um jogador a mais desde os 27 minutos do primeiro tempo, o Santos demorou para encontrar espaços. O Remo baixou as linhas, congestionou a entrada da área e obrigou o Peixe a trocar muitos passes sem conseguir acelerar na hora certa. Faltou agressividade, infiltração e melhor aproveitamento das chances criadas. Gabriel Bontempo desperdiçou uma boa oportunidade, Caballero teve dificuldades na conclusão das jogadas e algumas finalizações aconteceram mais por insistência do que por construção limpa.
Foi justamente nesse cenário que Neymar fez a diferença.
A entrada do camisa 10 no intervalo mudou a dinâmica ofensiva da equipe. Não porque o Santos passou a dominar, mas porque passou a contar com um jogador capaz de desequilibrar em lances individuais. Neymar atraiu marcação, acelerou as jogadas pelo lado esquerdo e encontrou espaços que antes pareciam inexistentes. A assistência para Rony resume bem isso: uma jogada simples, mas executada por um atleta que enxerga o lance um segundo antes dos demais.
Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram
Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp
É exatamente esse o peso de um jogador dessa qualidade. Ele não substitui o trabalho coletivo, mas potencializa aquilo que a equipe já produz.
Ainda assim, o jogo ficou aberto por mais tempo do que deveria. Em confrontos eliminatórios, desperdiçar tantas oportunidades costuma cobrar um preço alto. Contra um adversário tecnicamente superior, o roteiro pode ser diferente.
O saldo, porém, é amplamente positivo. O Santos volta às quartas de final da Copa do Brasil, segue vivo também na Sul-Americana e chega ao mês de agosto disputando três competições pela primeira vez desde 2021. Mais importante do que a classificação, a atuação mostrou um time que começa a ganhar identidade sob o comando de Cuca.
A evolução existe e passa, sobretudo, pela força coletiva. Neymar continua sendo o diferencial capaz de decidir partidas grandes, mas o Santos deixou Belém mostrando que hoje consegue produzir futebol mesmo antes da entrada de seu principal astro.
O próximo passo é encontrar mais eficiência para transformar esse domínio em vitórias menos sofridas. Se conseguir esse equilíbrio, o Peixe terá argumentos para acreditar em voos maiores nas copas e também para reagir no Campeonato Brasileiro.
Quando o Santos joga?
Agora, o Santos volta as atenções para o Campeonato Brasileiro, onde recebe o Athletico-PR no próximo domingo, às 18h30 (de Brasília), na Vila Belmiro.




