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quarta-feira, agosto 26, 2026

Pulverização da dívida e resistência de credores: os desafios (de curto prazo) da Braskem

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A Braskem pediu recuperação extrajudicial de R$ 56,5 bilhões em dívidas financeiras com apoio de 39,6% dos credores, percentual suficiente para abrir o processo, mas ainda abaixo da maioria necessária para homologar o plano.

Entre os bonds, a adesão varia de 66,9% na série 2081 a 13,2% na 2041, que recebeu uma cláusula específica impedindo acordos separados sem aval dos credores signatários.

Fora dos bonds, Barclays, Santander e Citibank também aderiram. A companhia tem 90 dias para ampliar o apoio e, até 31 de agosto, deve apresentar um plano de negócios e uma proposta comercial detalhada.

As negociações ocorrem em paralelo à mudança de controle que levou o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, ao comando ao lado da Petrobras.

Desde o pedido de recuperação extrajudicial, as ações da Braskem acumulam queda de cerca de 14%; no ano, a desvalorização chega a 45%.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Um mapeamento dos documentos judiciais listados no processo de recuperação extrajudicial (RE) da Braskem mostra um total de 1.179 créditos financeiros. Esse número consolidado, porém, esconde uma adesão bem mais desigual.

O NeoFeed identificou nos documentos do pedido de RE de R$ 56,5 bilhões em dívidas financeiras protocolados pela petroquímica na segunda-feira, 24 de agosto, a adesão de 39,6% dos credores sujeitos ao plano. Embora suficiente para abrir o processo, essa participação ainda segue longe da maioria necessária para homologá-lo nos 90 dias que agora começam a correr.

O valor da RE não inclui os R$ 130,6 bilhões em dívidas que as próprias empresas do grupo devem umas às outras, elevando o total nominal do processo a R$ 187 bilhões.

Na ponta de maior adesão está a série mais longa de todas: os bonds subordinados com vencimento em 2081 já têm 66,9% de seus detentores no acordo. Logo atrás vêm três séries de médio prazo — os bonds 2028 (60,4% aderidos), 2033 (58,3%) e 2031 (58,1%) —, todos já próximos ou acima da maioria simples que a Braskem precisa atingir nos próximos 90 dias.

O quadro muda nas duas pontas que concentram o maior volume de dívida em bonds do grupo. Os bonds 2030, a maior série em circulação, com R$ 7,9 bilhões, somam apenas 48% de adesão — abaixo da metade, mesmo sendo a que mais pesa no cálculo final. Pior ainda é a situação dos bonds 2050, com 30% aderidos, e, sobretudo, dos bonds 2041, em que apenas 13,2% de seus detentores assinaram o plano até agora — o menor índice entre todas as séries de dívida da companhia.

Os bonds 2041, que carregam cupom de 7,125% ao ano, foram emitidos em julho de 2011, mais de seis anos antes de qualquer outra série ainda em circulação. A emissão também foi anterior aos problemas com a mina de sal-gema em Maceió, que afundariam a empresa uma crise profunda, intensificada pela dinâmica de preços desfavorável em petroquímicos.

A resistência dos bonds 2041 não passou despercebida no Plano de Recuperação Extrajudicial anexado ao pedido. O documento tem uma cláusula que proíbe a Braskem de fechar qualquer acordo ou compromisso com os detentores dessa série específica sem o consentimento prévio da maioria dos credores que já assinaram o plano — uma trava que nenhuma outra série individual recebeu.

A adesão nos bonds vem majoritariamente de grupos organizados de investidores — os chamados “grupos ad hoc de bondholders”, comitês informais que reúnem detentores de uma mesma série para negociar em bloco com a companhia.

Fora do universo de bonds, também assinaram o Barclays, no financiamento rotativo (RCF) do grupo, e Santander e Citibank, em linhas de crédito ligadas a operações de comércio exterior da Braskem Trading & Shipping.

O restante da base de credores, porém, é pulverizado: das 1.179 linhas de crédito listadas no processo, a maior parte corresponde a posições individuais de bonds ainda sem adesão formalizada — um retrato da negociação que, dois meses após o início da mediação, avançou de forma bem mais rápida em algumas frentes do que em outras.

A Braskem tem um calendário apertado pela frente. Até 31 de agosto, a companhia precisa entregar aos credores signatários um plano de negócios atualizado e uma proposta comercial detalhada, que será a base do que deverá se tornar o desenho final do plano.

Em 9 de setembro, executivos, credores e os acionistas de referência, Petrobras e o fundo Shine I (ligado à IG4 Capital), se reúnem presencialmente em São Paulo ou Nova York, com prazo até 9 de outubro para um acordo de princípios sobre as condições comerciais.

Se a companhia não conseguir levar a adesão consolidada além dos 39,6% atuais dentro dos 90 dias, o plano perde efeito e todos os credores recuperam integralmente seus direitos de cobrança, sem novação da dívida.

As negociações da recuperação extrajudicial correm em paralelo à troca de controle que colocou o fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, no comando ao lado da Petrobras. A operação, concluída em abril, transferiu a fatia da NSP Investimentos — braço da Novonor, ex-Odebrecht, também em recuperação judicial — ao fundo, que pagou pelo controle com debêntures emitidas pela própria NSP.

Em junho, o Shine protocolou na CVM o pedido de uma oferta pública de aquisição (OPA) para adquirir o restante das ações em circulação, com a mesma contrapartida: debêntures da NSP, e não dinheiro. A oferta ainda depende de aprovação da autarquia e chegou a ser contestada por credores minoritários, que questionaram a atratividade de receber papéis de uma empresa em recuperação judicial em troca das ações.

O pedido de RE foi feito após dois meses de negociações frustradas. Em 24 de junho, a Braskem e cinco subsidiárias abriram uma mediação com seus principais credores financeiros na Câmara Wind, buscando renegociar a dívida antes que vencimentos batessem à porta. No dia seguinte, pediram à Justiça uma tutela cautelar para suspender cobranças enquanto as conversas aconteciam. O que era uma proteção temporária se tornou o pedido formal de RE na segunda, 24.

Desde o pedido de recuperação extrajudicial, no início da semana, as ações da Braskem acumulam cerca de 14% de queda. No ano, a desvalorização é de 45%.



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