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A Braskem anunciou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas, após meses de tentativas de ajuste com credores.
O conselho da empresa aprovou a medida para garantir um ambiente jurídico estável para a reestruturação financeira, que não afetará suas obrigações com fornecedores e clientes. O pedido foi protocolado no dia em que expirava a proteção contra credores obtida anteriormente.
As negociações com um grupo de bondholders não resultaram em acordo, com a proposta da Braskem sendo considerada insatisfatória. A situação financeira da empresa é crítica, com projeções de fluxo de caixa indicando um saldo negativo de US$ 821 milhões até dezembro de 2026.
A alavancagem financeira permanece alta, e as ações da Braskem caíram 34,6% no ano, refletindo a preocupação do mercado com sua capacidade de recuperação.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após meses tentando encontrar formas de ajustar sua estrutura de capital com os credores, a Braskem anunciou na segunda-feira, 24 de agosto, que entrará com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas.
Segundo o comunicado da companhia, o conselho de administração aprovou o ajuizamento do pedido para “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras”.
“A Braskem esclarece que a recuperação extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”, diz trecho do fato relevante.
A Braskem está protocolando o pedido de recuperação extrajudicial no dia em que vencia o prazo da proteção contra credores obtida pela empresa por meio de medida cautelar de urgência na Justiça de São Paulo, em junho.
A Braskem planejava apresentar o pedido no final de junho, conforme constava em documentos que a companhia teve de tornar públicos em razão de acordo de confidencialidade assinado com seus credores.
Mas, diante do impasse nas negociações, a petroquímica recorreu à tutela de urgência cautelar protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, suspendendo temporariamente o pagamento de obrigações financeiras enquanto a companhia tenta construir um acordo com os credores.
Os documentos divulgados em junho mostravam que aconteceram três rodadas de propostas entre a companhia e o Ad Hoc Group (AHG) de bondholders, que reúne gestoras como Capital Group e AllianceBernstein, além de distressed funds como Elliott Investment Management e Strategic Value Partners (SVP).
Esse comitê, organizado pelos credores e com Steering Committee próprio, terminou sem acordo. Cada lado rejeitou a proposta do outro, e os documentos deixam claro que as posições são, por ora, irreconciliáveis. A proposta da Braskem era, segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed, “austera para quem está pedindo um favor”.
A companhia queria alongar todos os vencimentos em cinco anos, reduzir o cupom (juro) dos títulos em 2 pontos percentuais e ter a opção de pagar 100% dos juros em PIK — ou seja, diferir o pagamento em dinheiro e acumular a dívida — entre julho de 2026 e dezembro de 2028.
A resposta do Steering Committee do AHG foi direta ao chamar a proposta de wholly unsatisfactory (inteiramente insatisfatória, em tradução livre). Além disso, afirmava que incluir uma redução de cupom numa reestruturação corporativa é algo “inaudito” e que “questiona a seriedade” com que a Braskem conduziu as negociações — especialmente considerando o nível de sofisticação dos assessores envolvidos.
O pedido da Braskem vem quase uma semana após a Braskem Idesa, joint venture entre a petroquímica brasileira e o grupo mexicano Idesa, entrar com um pedido de proteção contra falência via Chapter 11, nos Estados Unidos.
Situação delicada
O pedido de recuperação extrajudicial já era um movimento esperado por boa parte do mercado, apesar dos esforços de negociação da IG4, que assumiu, em junho, o controle de 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, compartilhando a governança da petroquímica com a Petrobras, que detém 47%.
A situação financeira da Braskem é bastante delicada. Nas projeções de fluxo de caixa sem reestruturação, tornadas públicas em junho, a companhia termina dezembro de 2026 com saldo de caixa livre negativo em US$ 821 milhões (mais de R$ 4,2 bilhões).
Esse número, que a própria Braskem apresentou aos credores como argumento para a urgência da negociação, mostra um calendário de obrigações apertado.
O serviço da dívida total previsto para o terceiro trimestre de 2026 soma US$ 878 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões), entre pagamentos de bonds e debêntures, dívidas bilaterais e cartas de crédito (LCs). Só em juros de bonds, a companhia tem US$ 188 milhões (pouco menos de R$ 1 bilhão) a desembolsar entre julho e setembro.
A estrutura da dívida financeira total, de US$ 9,5 bilhões em abril de 2026, é dominada por bonds internacionais em dólar, todos com vencimento bullet, ou seja, sem amortização ao longo do tempo.
O Bond 2028, de US$ 1,19 bilhão a 4,5% ao ano, é o mais urgente. O Bond 2030, de US$ 1,51 bilhão, vem logo atrás. Juntos, representam quase US$ 2,7 bilhões que vencem nos próximos quatro anos — e cujos juros semestrais já começam a pressionar o caixa agora.
Há ainda o Revolving Credit Facility (RCF) de US$ 1 bilhão, com vencimento em dezembro de 2026. Com um detalhe: esse instrumento representa um gatilho de liquidez relevante, independentemente de qualquer negociação com os bondholders.
A alavancagem financeira fechou o segundo trimestre em 6,74 vezes, um recuo ante as 18,18 vezes do primeiro trimestre, mas ainda elevada, após anos de pressão sobre os spreads dos produtos petroquímicos, com alívio momentâneo durante a guerra do Irã, que elevou os preços do petróleo.
Um gestor que já esteve posicionado no papel já projetava, no começo do ano, que dificilmente a Braskem conseguiria se organizar dependendo apenas dos resultados de suas operações.
“Não é razoável imaginar que a IG4 vai conseguir elevar tanto o Ebitda da Braskem, não espero nenhuma mudança transformacional na operação”, diz ele, que pediu para não ser identificado. “A IG4 vai ter que reorganizar a parte de dívida, que resultará numa diluição relevante dos atuais acionistas minoritários.”
As ações preferenciais classe A (PNA) da Braskem fecharam o pregão de sexta-feira, 21 de agosto, com queda de 0,59%, a R$ 5,07. No ano, os papéis acumulam queda de 34,6%, levando o valor de mercado a R$ 3,6 bilhões.




