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Com foco no crédito consignado, o Agibank está buscando diversificar suas receitas, lançando o programa de assinatura Agi+, que oferece benefícios e assistências em saúde, odontologia, e outros serviços, visando atender sua base de clientes de baixa renda.
A estratégia é aumentar a representatividade das receitas recorrentes, atualmente abaixo de 5%, para reduzir a dependência do crédito e aumentar a previsibilidade dos resultados.
O CEO Gláuber Corrêa destaca que a diversificação ajudará a mitigar riscos regulatórios e cíclicos, além de fortalecer a principalidade dos clientes, que atualmente mantêm em média cinco produtos com o banco.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O Agibank está colocando em prática um dos movimentos mais cobrados pelo mercado desde a sua estreia na Bolsa de Nova York (Nyse): a busca por receitas recorrentes para reduzir a dependência do crédito.
O banco está lançando o Agi+, um programa de assinatura de benefícios e assistências desenhado sob medida para a população de baixa renda e para a “economia prateada”.
A meta é atacar uma das maiores fragilidades do balanço da instituição e elevar a representatividade das receitas de serviços e tarifas, que atualmente correspondem a menos de 5% das receitas do Agibank.
“A lógica por trás da estratégia da receita recorrente é tornar a companhia menos sujeita à volatilidade”, diz Glauber Corrêa, CEO do Agibank, ao NeoFeed.
“O crédito, no Brasil, tem uma característica cíclica, gerando pressão sobre a qualidade da carteira e o desempenho dos negócios. Nesse contexto, quanto mais equilibrada for a composição das receitas, maior tende a ser a previsibilidade dos resultados.”
O Agi+ reúne em uma única mensalidade (planos entre R$ 39,90 e R$ 59,90) assistências de saúde, odontologia, residência, pets, telefonia, cuidados com idosos e descontos em compras. A proposta foi desenhada para atender às necessidades do perfil predominante da base do banco: clientes de menor renda, mais velhos e com menor escolaridade.
Diferentemente de bancos e fintechs que apostam em programas de assinatura focados em cashback ou streaming – caso do Combinaqui, do Itaú -, a aposta do Agibank foca em dores básicas do seu público-alvo, ou seja, reduzir o impacto de despesas cotidianas e inesperadas sobre o orçamento familiar.
Um dos focos é a parte de saúde, com acesso à telemedicina e a consultas e exames em clínicas populares de baixa complexidade, um gargalo que responde por cerca de 70% das filas do SUS.
A proposta também busca transformar o conhecimento acumulado sobre uma base de mais de 7 milhões de clientes ativos em uma alavanca de cross-sell. A ideia é que o programa funcione como uma porta de entrada para comercializar produtos de maior margem, como seguros de vida e empréstimos sem garantia, além de blindar o relacionamento.
Segundo Corrêa, clientes com maior engajamento apresentam menor churn e menor inadimplência. Hoje, cada cliente ativo do Agibank mantém, em média, cinco produtos com o banco. Entre os clientes considerados “principais” (com mais de um ano de relacionamento), o número supera sete.
“Quanto mais benefícios você oferece para o cliente, mais difícil é ele buscar um concorrente para ter um relacionamento mais amplo”, afirma Corrêa. “Esse é o principal vetor estratégico nosso neste momento.”
Apesar do ineditismo na abordagem da baixa renda, a estratégia traz seus próprios desafios. Em uma base com renda comprometida pelo endividamento, manter uma mensalidade de até R$ 59,90 exige percepção de valor imediata, sob risco de altas taxas de cancelamento.
Além disso, a venda de produtos de recorrência para públicos de menor escolaridade exige governança rígida para afastar questionamentos de órgãos de defesa do consumidor sobre “venda casada” ou cobranças indevidas.
A urgência para diversificar os negócios se tornou evidente nos últimos meses. O Agibank reabriu a janela de IPOs brasileiros em Nyse com a tese focada no consignado – e captou US$ 240 milhões. Contudo, desde a abertura de capital, as ações do banco acumulam queda de 35,9%, reduzindo o valor de mercado para US$ 1,1 bilhão.
A companhia viu o escrutínio dos investidores aumentar após o INSS suspender temporariamente, no fim do ano passado, o recebimento de novas averbações de crédito consignado da instituição. Embora a operação tenha sido reatada em janeiro após acordo com o órgão, o episódio escancarou o risco regulatório e a dependência excessiva de uma única linha de negócio.
Em maio, após os resultados do primeiro trimestre, o Itaú BBA rebaixou a recomendação das ações do Agibank de compra para neutra, destacando o peso do episódio do INSS. E cortou as projeções de lucro para 2026 em 17,3% (para R$ 1 bilhão) diante da menor visibilidade sobre os lucros futuros.
O BTG Pactual, embora mantenha recomendação de compra, ressalta que os riscos regulatórios do consignado continuam no radar.
O teste de fogo imediato para medir a recuperação do banco ocorre após o fechamento do mercado acionário na quarta-feira, 5 de agosto, com a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O consenso de projeções coletado pela Bloomberg aponta para um lucro de R$ 210 milhões no período.
Analistas estarão de olho não apenas na velocidade de retomada da originação do consignado, mas também nos primeiros sinais de tração das receitas de serviços.
O CEO do Agibank reconhece que a transição será gradual e não fixa uma meta percentual rígida, mas garante que o avanço será constante.
“Sabemos que o IPO traz uma visibilidade e uma responsabilidade grande, mas não muda a nossa disciplina de execução”, afirma Corrêa.
“O que temos como horizonte é buscar com que, a cada ano, essa receita de serviços tenha uma representatividade maior do que teve no ano anterior”, complementa.




