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quarta-feira, agosto 5, 2026

Agibank vai além do consignado e busca receita recorrente com assinatura para a baixa renda

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Com foco no crédito consignado, o Agibank está buscando diversificar suas receitas, lançando o programa de assinatura Agi+, que oferece benefícios e assistências em saúde, odontologia, e outros serviços, visando atender sua base de clientes de baixa renda.

A estratégia é aumentar a representatividade das receitas recorrentes, atualmente abaixo de 5%, para reduzir a dependência do crédito e aumentar a previsibilidade dos resultados.

O CEO Gláuber Corrêa destaca que a diversificação ajudará a mitigar riscos regulatórios e cíclicos,  além de fortalecer a principalidade dos clientes, que atualmente mantêm em média cinco produtos com o banco.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Agibank está colocando em prática um dos movimentos mais cobrados pelo mercado desde a sua estreia na Bolsa de Nova York (Nyse): a busca por receitas recorrentes para reduzir a dependência do crédito.

O banco está lançando o Agi+, um programa de assinatura de benefícios e assistências desenhado sob medida para a população de baixa renda e para a “economia prateada”.

A meta é atacar uma das maiores fragilidades do balanço da instituição e elevar a representatividade das receitas de serviços e tarifas, que atualmente correspondem a menos de 5% das receitas do Agibank.

“A lógica por trás da estratégia da receita recorrente é tornar a companhia menos sujeita à volatilidade”, diz Glauber Corrêa, CEO do Agibank, ao NeoFeed.

“O crédito, no Brasil, tem uma característica cíclica, gerando pressão sobre a qualidade da carteira e o desempenho dos negócios. Nesse contexto, quanto mais equilibrada for a composição das receitas, maior tende a ser a previsibilidade dos resultados.”

O Agi+ reúne em uma única mensalidade (planos entre R$ 39,90 e R$ 59,90) assistências de saúde, odontologia, residência, pets, telefonia, cuidados com idosos e descontos em compras. A proposta foi desenhada para atender às necessidades do perfil predominante da base do banco: clientes de menor renda, mais velhos e com menor escolaridade.

Diferentemente de bancos e fintechs que apostam em programas de assinatura focados em cashback ou streaming – caso do Combinaqui, do Itaú -, a aposta do Agibank foca em dores básicas do seu público-alvo, ou seja, reduzir o impacto de despesas cotidianas e inesperadas sobre o orçamento familiar.

Um dos focos é a parte de saúde, com acesso à telemedicina e a consultas e exames em clínicas populares de baixa complexidade, um gargalo que responde por cerca de 70% das filas do SUS.

A proposta também busca transformar o conhecimento acumulado sobre uma base de mais de 7 milhões de clientes ativos em uma alavanca de cross-sell. A ideia é que o programa funcione como uma porta de entrada para comercializar produtos de maior margem, como seguros de vida e empréstimos sem garantia, além de blindar o relacionamento.

Segundo Corrêa, clientes com maior engajamento apresentam menor churn e menor inadimplência. Hoje, cada cliente ativo do Agibank mantém, em média, cinco produtos com o banco. Entre os clientes considerados “principais” (com mais de um ano de relacionamento), o número supera sete.

“Quanto mais benefícios você oferece para o cliente, mais difícil é ele buscar um concorrente para ter um relacionamento mais amplo”, afirma Corrêa. “Esse é o principal vetor estratégico nosso neste momento.”

Apesar do ineditismo na abordagem da baixa renda, a estratégia traz seus próprios desafios. Em uma base com renda comprometida pelo endividamento, manter uma mensalidade de até R$ 59,90 exige percepção de valor imediata, sob risco de altas taxas de cancelamento.

Além disso, a venda de produtos de recorrência para públicos de menor escolaridade exige governança rígida para afastar questionamentos de órgãos de defesa do consumidor sobre “venda casada” ou cobranças indevidas.

Glauber Correa, CEO do Agibank

A urgência para diversificar os negócios se tornou evidente nos últimos meses. O Agibank reabriu a janela de IPOs brasileiros em Nyse com a tese focada no consignado – e captou US$ 240 milhões. Contudo, desde a abertura de capital, as ações do banco acumulam queda de 35,9%, reduzindo o valor de mercado para US$ 1,1 bilhão.

A companhia viu o escrutínio dos investidores aumentar após o INSS suspender temporariamente, no fim do ano passado, o recebimento de novas averbações de crédito consignado da instituição. Embora a operação tenha sido reatada em janeiro após acordo com o órgão, o episódio escancarou o risco regulatório e a dependência excessiva de uma única linha de negócio.

Em maio, após os resultados do primeiro trimestre, o Itaú BBA rebaixou a recomendação das ações do Agibank de compra para neutra, destacando o peso do episódio do INSS. E cortou as projeções de lucro para 2026 em 17,3% (para R$ 1 bilhão) diante da menor visibilidade sobre os lucros futuros.

O BTG Pactual, embora mantenha recomendação de compra, ressalta que os riscos regulatórios do consignado continuam no radar.

O teste de fogo imediato para medir a recuperação do banco ocorre após o fechamento do mercado acionário na quarta-feira, 5 de agosto, com a divulgação dos resultados do segundo trimestre. O consenso de projeções coletado pela Bloomberg aponta para um lucro de R$ 210 milhões no período.

Analistas estarão de olho não apenas na velocidade de retomada da originação do consignado, mas também nos primeiros sinais de tração das receitas de serviços.

O CEO do Agibank reconhece que a transição será gradual e não fixa uma meta percentual rígida, mas garante que o avanço será constante.

“Sabemos que o IPO traz uma visibilidade e uma responsabilidade grande, mas não muda a nossa disciplina de execução”, afirma Corrêa.

“O que temos como horizonte é buscar com que, a cada ano, essa receita de serviços tenha uma representatividade maior do que teve no ano anterior”, complementa.



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