A metodologia do anuário Valor Inovação Brasil reúne critérios capazes de medir o investimento constante das empresas em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A décima primeira edição do estudo acompanhou o desempenho e a disciplina das companhias para identificar as mais inovadoras do país. Como resultado, o ranking lista um seleto conjunto que investe em inovação em longo prazo, tratando o tema como pilar estratégico.
A pesquisa Valor Inovação Brasil não é influenciada pela força das marcas ou dominada por empresas da área de tecnologia da informação. Isso acontece porque a metodologia foi construída com base em questões sobre processos de inovação e englobam desde aportes em ciência até iniciativas de transformação digital, avaliadas de forma sistêmica e dentro de cada setor. O objetivo do anuário é medir a capacidade de inovação, avaliando competências como criatividade, capacidade para gerar conhecimento e a aplicação estratégica das novas tecnologias. O questionário permite que empresas dos mais diferentes setores participem, detalhando suas iniciativas e trazendo qualidade e diversidade para a amostra.
Nesta edição, 275 empresas se inscreveram na pesquisa, sendo que 264 foram elegíveis. Cerca de 530 cases foram analisados, entre os quais cases já em execução e outros ainda em prova de conceito. A novidade neste ano foi a avaliação conjunta de cases – a PwC Strategy&, responsável pelo desenvolvimento da metodologia e aplicação da pesquisa, contou com o apoio de três professores especializados no tema. Os projetos apresentados geraram ativos de propriedade intelectual, como patentes, demonstrando a orientação para gerar valor a partir do conhecimento. O grupo de empresas analisadas aplicou R$ 70 bilhões em inovações. A amostra foi dividida em 25 setores, sendo eles: Agronegócio; alimentos, bebidas e ingredientes; automotivo e veículos de grande porte; bancos; bens de capital; comércio; cosméticos, higiene e limpeza; construção e engenharia; educação; eletroeletrônica; energia elétrica; infraestrutura; farmacêuticas e ciências da vida; materiais de construção; mineração, metalurgia e siderurgia; papel e celulose; petróleo, gás e petroquímica; química; seguros e planos de saúde; serviços; serviços financeiros; serviços médicos; tecnologia da informação; telecomunicações; e transportes e logística.
DEFINIÇÃO
As participantes são avaliadas a partir de critérios de inovação aplicáveis a empresas (também referido como categoria dínamo de inovação, pelo Manual de Oslo). As análises são norteadas pelo conceito de inovação adotado para a pesquisa que busca identificar as ideias e iniciativas que criam valor para as empresas por meio de novos produtos, processos, novas competências desenvolvidas e modelos de negócios e serviços. São avaliadas quatro dimensões relacionadas a este conceito: planejamento da empresa no processo de inovação; execução e práticas adotadas; os resultados atingidos; e o reconhecimento obtido a partir de citações e pedidos de patentes publicados pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) durante o ano-base da pesquisa. As ações em rede, relacionadas à forma como as empresas conectam diferentes negócios aos projetos de inovação, também são consideradas na avaliação.
UNIVERSO QUALIFICADO
Para participar da pesquisa, as empresas precisam demonstrar o desenvolvimento no país das inovações e ter, no mínimo, 5% de capital privado. Exceções foram feitas a empresas públicas que demonstraram operar em mercados competitivos e ter independência financeira e de governança. A receita líquida mínima (R$ 500 milhões) é o principal fator de corte. A participação está condicionada à inscrição voluntária – em meio eletrônico – e à resposta de um questionário formado por questões de única e múltipla escolha. As empresas também respondem a questões abertas, nas quais os motivadores, as estratégias e projetos de inovação – assim como o impacto observado ou esperado – são descritos em detalhes, permitindo análise mais precisa. Também é possível realizar submissão de documentos e materiais anexos, a fim de detalhar os projetos submetidos e as respostas assinaladas pela empresa (¹). Neste ano, o questionário equivale a 90% da nota de cada empresa. O complemento para alcançar os 100% de pontuação vem de uma nota de citações – em que a companhia foi lembrada como inovadora por outras participantes da pesquisa (3%) – e dos pedidos de patentes publicadas (7%) pelo INPI. Para obter o ranking das empresas mais inovadoras do Brasil, foram estabelecidos parâmetros que fizessem sentido ao ambiente de negócios, à atuação das empresas e ao papel que cada uma exerce no sistema nacional de inovação. A nota final engloba os fatores descritos a seguir:
1. PLANEJAMENTO
A dimensão de planejamento avalia a estratégia e a visão aplicadas pela empresa no seu processo de inovação, identificando também traços da cultura e valores. São avaliados aspectos de clareza e alinhamento das estratégias corporativas da empresa com a estratégia de inovação, além de entender o tamanho da rede de inovação que a empresa mobiliza.
2. EXECUÇÃO
Esta dimensão caracteriza o investimento realizado pela empresa sob quatro aspectos: processos, sistemas, pessoas e governança. São avaliados recursos monetários aplicados, estruturas organizacionais e processos dedicados à inovação. Essas características demonstram o esforço em priorizar e realizar inovações dentro da empresa. A confirmação da intenção, pela ação, é importante para verificar se a inovação vai além do discurso e ganha contornos reais e práticos na operação.
3. RESULTADOS
Os resultados resumem o papel da inovação no desempenho da empresa. Para avaliá-los, a metodologia os separa em resultados gerais e específicos. Os gerais retratam o desempenho da empresa em relação à capacidade de atingir metas de inovação, enquanto os específicos analisam a empresa de acordo com as inovações realizadas, levando em conta o histórico recente e os desdobramentos que os projetos tiveram sobre a organização e o mercado.
4. RECONHECIMENTO
Composta pelas cessões de Patentes e Citações.
A patente é o título que assegura os direitos de propriedade a invenções, modelos de utilidade, desenhos industriais e programas de computador. Para obtê-la, é preciso documentar a inovação e submetê-la ao órgão responsável pela análise e cessão. No Brasil, o processo é realizado pelo INPI. O anuário Valor Inovação Brasil 2025 considerou os pedidos de patentes publicados pelo INPI em 2024 (ano-base da pesquisa). A publicação ocorre em um período de até 18 meses do depósito. Embora apresente um atraso em relação aos projetos avaliados no ano-base, a publicação é um crivo importante, pois requer a análise prévia da documentação. Após a publicação, as inovações seguem para o escrutínio técnico – processo que tem prazo médio de dez anos no Brasil. A publicação da patente na “Revista de Propriedade Industrial”, do INPI, garante os direitos da inovação a partir da data de depósito.
INVESTIMENTOS NO PAÍS
A pesquisa avalia os investimentos em inovação realizados no país. O recorte permite avaliar a participação dos esforços locais no desenvolvimento das inovações submetidas.




