
Os presidentes do Banco Central do Brasil e do Itaú Unibanco divergiram acerca do endividamento brasileiro na abertura do Febraban Tech, realizado em São Paulo, nesta segunda-feira (24/8).
“Não dá para ficar contente com uma notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu. O crédito que o banco, como instituição financeira dá, é a dívida que alguém tomou. A maior razão do endividamento é a dívida. Então, se você promoveu de alguma maneira uma elevação do crédito, é normal você esperar que o endividamento também cresça”, destacou Gabriel Galípolo, do BC, em sua palestra.
Galípolo também defendeu que o aumento de juros é o mecanismo técnico natural para conter essa escalada e cobrou que as instituições financeiras elevem seus provisionamentos em vez de repassar perdas.
Na sequência, ao participar do painel dos presidentes dos bancos, o Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, rebateu diretamente Galípolo. Maluhy Filho defendeu que o setor bancário prefere atuar em ambientes de “juros baixos e economia crescendo sem processo inflacionário”, enquanto Galípolo disse acreditar que os juros devem servir de instrumento rígido para reequilibrar a oferta e a demanda. O presidente do BC argumentou que o País está em pleno emprego com demanda acima da oferta, o que gera inflação e exige juros contracionistas.
“O social e o fiscal devem andar de mãos dadas para que os juros caiam”, frisou Maluhy Filho. Para Galípolo, a persistência de juros elevados (taxa Selic em patamar restritivo por período prolongado) deve-se predominantemente a fatores internos (como o crescimento da renda acima da produtividade nacional), exigindo uma dose de remédio mais elevada do que a de outros países.
(com reportagem de Fabio Barros)




