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sexta-feira, julho 31, 2026

Por que as usinas captam mais barato com debêntures incentivadas

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A discrepância de retorno entre CRAs e debêntures incentivadas de um mesmo emissor continua abrindo oportunidades para os investidores que desejam se expor ao crédito de usinas sucroalcooleiras.

Um relatório preparado pela área de crédito do Banco ABC evidencia a diferença, mostrando que os “CRAs negociam com mais prêmio do que as debêntures incentivadas”, na comparação entre papéis de um mesmo emissor e duration (prazo médio de vencimento) semelhante.

Entre os exemplos mencionados pelo ABC, estão as emissões de grupos sucroalcooleiros como São Martinho, Jalles Machado, Colombo e Coruripe.

A Usina Ferrari é outro um exemplo desse movimento. Um CRA da companhia negocia com um spread de 245 pontos-base, enquanto duas debêntures incentivadas (FRAG14 e FRAG15) negociaram recentemente a um spread de 75 pontos-base.

A aparente vantagem dos CRAs de usinas sucroalcooleiras para o investidor reflete o perfil de investidores que acessam os dois mercados (CRAs e debêntures incentivadas) e tamanho deles.

“O mercado de CRA negocia de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões por mês, enquanto as debêntures incentivadas negociam entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões por mês”, disse o head de distribuição do banco ABC, Bruno Miguel, ao The AgriBiz.

Do lado das usinas, a emissão de debêntures incentivadas a um custo de capital mais baixo foi um atrativo combinação entre o boom dos fundos de infraestrutura e uma mudança regulatória que facilitou esse tipo de emissão no setor.

A abertura regulatória se deu em dezembro de 2024, quando uma portaria do Ministério de Minas e Energia deu celeridade ao processo de emissão  de debêntures incentivadas.

“As usinas não precisam mais esperar vários meses para aprovar um projeto. Virou um autoenquadramento em um formulário eletrônico, que permite registrar as ofertas na CVM de forma expressa”, afirmou Miguel.

Desde a portaria, o volume de debêntures incentivadas de usinas sucroalcoleiros chegou a R$ 5,8 bilhões.  “O volume de CRAs também cresceu no período, mas concentrado em poucas empresas, com perfil mais voltado para pessoas físicas”, afirmou Odilon Costa, head de research do Banco ABC.

A fartura de fundos de infraestrutura também contribuiu. “Quando as usinas começaram a acessar esse mercado, qualquer prêmio já era relevante para esses veículos, que praticamente não tinham exposição a esse setor. Isso começou a ser uma vantagem competitiva para elas”, acrescentou Miguel.

Desde então, o mercado se reacomodou, com um leve aumento de spreads — como mostram as negociações no mercado secundário — mas, ao que tudo indica, a oportunidade ainda existe para as usinas (e o contrário pode ser dito para os investidores, no caso dos CRAs).

“Ainda é um mundo muito competitivo para as companhias captarem, é um nível de spread muito baixo, mesmo pagando um pouco mais do que no início do ano”, resumiu Miguel.



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