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terça-feira, agosto 11, 2026

Para JBS, gado mexicano resolve parte do problema nos EUA

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Sobrou frango nos Estados Unidos, e faltou (muito) gado.

A conjunção negativa derrubou os resultados da JBS no segundo trimestre. Com o aperto nas duas principais divisões, a gigante de proteína animal reportou nesta segunda-feira uma compressão de 18% no Ebitda.

De abril a junho, o Ebitda ajustado da JBS totalizou US$ 1,4 bilhão, com uma margem de 3,3% — queda de 2,4 pontos na comparação anual.

O número ficou em linha com a expectativa dos analistas. Um compilado de dez estimativas da Koyfin, terminal de informações financeiras, apontava para um Ebitda  de exatamente US$ 1,4 bilhão.

Apesar das dificuldades, os executivos da JBS conseguem ver o copo meio cheio. Pela primeira vez em muito tempo, a empresa nota uma tendência de melhora nas margens do negócio de carne bovina nos EUA.

Em entrevista ao The AgriBiz, Wesley Batista Filho — que está à frente da JBS USA e vai assumir como CEO global em 1º de janeiro — avalia que as condições de mercado estão propícias para um resultado “potencialmente” melhor em 2027.

No curto prazo, a boa notícia é a retomada das importações de gado do México pelos Estados Unidos, o que pode melhorar significativamente a oferta de animais no mercado americano.

“É super relevante”, afirmou Batista Filho. Se a liberação das importações de gado do México seguir o cronograma previsto pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os frigoríficos americanos já veriam uma oferta adicional a partir do primeiro trimestre do ano que vem.

O gado mexicano ficou vetado nos Estados Unidos por dois anos, uma medida sanitária para conter a chamada bicheira-do-Novo Mundo. Com bloqueio sanitário, a pecuária americana perdeu um volume significativo. Historicamente, o gado nascido no México representava de 4% a 5% dos abates.

Para Batista Filho, a retomada das importações resolve “a parte mais aguda do problema” nas operações de carne bovina dos Estados Unidos.

Há três meses, durante teleconferência com analistas, o executivo já havia citado a relevância da abertura da fronteira com o México, que ainda era apenas uma possibilidade. “É a coisa mais importante que poderia acontecer para normalizar a oferta”, disse na ocasião.

Nesse ambiente, a JBS talvez consiga tirar a divisão de carne bovina da América do Norte do terreno negativo — no segundo trimestre, a margem Ebitda ficou negativa em 1%.

Além da abertura mexicana, há outros sinais promissores no médio prazo. O rebanho americano, que está no menor nível em mais de 70 anos, parou de cair. Segundo ele, as pesquisas mais recentes de retenção sugerem o início da reconstrução do rebanho — um processo que leva alguns anos para se completar.

Para onde vai o frango

Além da melhora de perspectiva para as margens da carne bovina nos EUA, a JBS acredita em uma redução do excesso de frango que afetou os resultados da Pilgrim’s Pride no segundo trimestre.

“Se olhar para frente, é até sazonal esperar uma queda no alojamento, porque é o período em que se vende menos frango”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS.

Na avaliação dele, a indústria americana de carne de frango sofreu com o excesso de oferta (notadamente na categoria de big birds, de cortes mais comoditizados) em razão da menor mortalidade dos animais.

“A produtividade foi bem maior do que o esperado”, disse Tomazoni. A principal razão foi a queda nos casos de gripe aviária, um movimento também visto no México, outro país relevante para a Pilgrim’s.

A expectativa de Tomazoni é que, depois da surpresa com a menor mortalidade, a indústria avícola se ajuste à nova dinâmica.

Além disso, a Pilgrim’s vem fazendo investimentos para reduzir a exposição à categoria de big birds, o que inclui a conversão de plantas para o mercado de case ready (frango em bandeja destinado ao varejo).

“O consumidor está comendo menos nos restaurantes e preparando mais em casa”, disse, mencionando a decisão de Pilgrim’s de converter as plantas para se adequar à tendência.

***

No consolidado, a JBS reportou um prejuízo líquido de US$ 102 milhões. A perda foi afetada por eventos não recorrentes, como os prêmios pagos para resgatar bonds e CRAs e despesas com acordos com órgãos antitruste. Descontando esses efeitos, a companhia teria registrado um lucro de US$ 218 milhões.



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