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domingo, julho 12, 2026

O que fazer quando a cota de carne para China se esgotar?

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CUIABÁ (MT) — O esgotamento da cota de carne bovina que o Brasil pode exportar à China pode causar um tumulto no terceiro trimestre, derrubando os preços do boi gordo e apertando as margens dos confinamentos.

Essa é a avaliação de Alexandre Mendonça de Barros, sócio-fundador da MB Agro e um dos maiores economistas agrícolas do País.

“Minha mensagem para os confinadores: estou com um pouco de medo do terceiro trimestre”, advertiu o especialista, em uma palestra proferida no fim de semana em Cuiabá, onde participou do 12º Simpósio Nutripura.

Nas contas de Mendonça de Barros, a cota anual chinesa para o Brasil deve se esgotar em julho. Com isso, um grande volume de carne pode sobrar, o que pode trazer repercussões para os preços do boi gordo no curto prazo e, claro, também para a indústria frigorífica.

“Na minha conta, a cota de importação se esgotará por volta de julho. Quando isso acontecer, há uma chance de a arroba sentir, pois não conseguimos realocar todo esse volume de carne que deixa de ir para lá”, disse Mendonça de Barros.

Para se precaver, os pecuaristas precisam proteger as margens com instrumentos de hedge. Mendonça de Barros recomendou que os produtores firmem contratos de opção de venda para se protegerem da prevista baixa no terceiro trimestre.

Além disso, os confinadores precisam gerenciar o custo, o que significa acelerar as compras de matéria-prima para a ração. “O custo da dieta está baixo, mas deve subir lá na frente”, disse o economista.

Depois do vale, a disparada

Ao se precaverem para o vale de preços que pode ocorrer entre agosto e setembro, os pecuaristas ficariam preparados para aproveitar o boom que pode ocorrer no quarto trimestre, quando os chineses voltarem a comprar carne bovina — já considerando a cota do ano que vem.

“No quarto trimestre, os chineses vão voltar babando para comprar carne para 2027. A cota vai gerar uma escassez gigante por lá, e o preço vai subir. Então vão antecipar as compras para abastecer o mercado. E isso vai ajudar a elevar o preço do boi”, avaliou Mendonça de Barros.

Estruturalmente, as perspectivas para os pecuaristas são positivas. A oferta global de carne deve ser menor neste ano e no próximo, considerando o momento do ciclo pecuários nos principais exportadores (Brasil, EUA e Austrália).

A menor produção no Brasil, aliás, pode ser um alento durante a ausência de cota para exportar.

Nas projeções de Mendonça de Barros, a sobra de carne pode ser menor do que se temia porque a produção nacional pode diminuir entre 500 mil e 600 mil toneladas. Esse é o mesmo volume que o Brasil deixará de exportar para a China, quando se compara a cota de 1,1 milhão de toneladas estipulada por Pequim e o volume embarcado no ano passado.

“Ano que vem terá uma oferta global ainda menor, preços muito altos e uma trajetória para a pecuária muito saudável. Temos a arroba mais barata do mundo, o que me dá confiança de que há suporte para o preço subir mais.”

Nas contas dele, o preço atual do boi gordo, em torno de US$ 66, pode subir para entre US$ 70 e US$ 80 ainda neste ano, e ficar ainda mais alto em 2027.

*O jornalista viajou a convite da Nutripura



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