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quinta-feira, agosto 20, 2026

O início da virada para a soja vem aí? Os dados sugerem que sim

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Um início de virada de ciclo para os grãos começa a se desenhar para a safra 2026/27. Ainda é cedo para afirmar categoricamente, mas estudos feitos por consultorias especializadas mostram uma relação mais apertada entre oferta e demanda no próximo ano.

No caso da soja, mesmo com a perspectiva de uma safra recorde nos Estados Unidos, na casa de 123 milhões de toneladas segundo o USDA, há uma perspectiva de que o esmagamento no país puxe o aumento da demanda, mantendo os estoques apertados.

“A mistura obrigatória [de biodiesel] subiu 61% de um ano para o outro”, lembra o analista Luiz Roque, da Hedgepoint Global Markets.

O aumento foi confirmado em fevereiro deste ano e, desde então, a participação do óleo na margem do esmagamento tem crescido, fortalecendo as margens da indústria local. Segundo a consultoria, a participação do óleo na margem do esmagamento está atualmente em 54%.

“Cada vez mais a demanda por energia tende a pagar a conta do esmagamento, mais do que a proteína. O óleo deve ter uma importância grande e isso deve puxar o aumento de área, diferentemente do que aconteceu nos anos 2000, quando a demanda por farelo puxou esse crescimento”, ressaltou Roque.

Ainda sob o ponto de vista da demanda, o mercado doméstico aquecido nos Estados Unidos se soma ao volume de exportações, principalmente para a China, mantido dentro do acordado entre Donald Trump e Xi Jinping.

O país asiático se comprometeu a comprar 27 milhões de toneladas — uma meta factível de ser cumprida com base nos dados de compras até agora.

Daqui para frente, seguem as expectativas para o próximo encontro entre Xi Jinping e Donald Trump, marcado para o dia 24 de setembro. “Existe uma chance de renovar esse volume contratado ou até aumentar a meta que foi acordada em outubro de 2025”, afirma o analista.

Em conjunto, esses fatores têm sustentado o preço da soja em Chicago, com as negociações de contratos atualmente mais próximas de US$ 12 por bushel, refletindo uma valorização de quase 20% em doze meses.

O fator El Niño

Além do balanço de oferta e demanda mais apertado nos Estados Unidos, entra na conta dos traders o risco de El Niño, lembrou Pedro Schmaedecke, analista de grãos da Datagro, em evento realizado nesta quinta-feira.

“Os estoques já devem ficar um pouco mais baixos, então, qualquer problema na produção global pode trazer maior sustentação para esses preços”, afirmou Schmaedecke.

Globalmente, a relação entre estoque e uso deve ficar em 28% na safra 2026/27, intensificando o movimento de retração iniciado na temporada anterior e aproximando-se dos níveis registrados em 2021/22 e 2022/23.

E o Brasil?

Por aqui, a expectativa é de um incremento marginal na área de soja (estimado em 0,3% pela Datagro e em 0,9% pela Hedgepoint). Assim, a produção poderia atingir um novo recorde, segundo a Datagro, que vê a safra em 185 milhões de toneladas. No ano passado, a colheita atingiu 183 milhões, segundo a Conab.

A Hedgepoint, no entanto, estima a produção praticamente estável em relação à safra passada, em 181,7 milhões, considerando um clima mais adverso do que em 2025/26. As incertezas climáticas provocadas pelo El Niño, aliás, também devem dar um suporte às cotações num ambiente de demanda elevada para esmagamento e para exportação.

Players globais seguem agressivos nas compras de soja brasileira, o que tem mantido os prêmios de exportação firmes. Em Paranaguá, os prêmios estão entre 100 a 150 centavos de dólar por bushel, bem acima da média dos últimos cinco anos de 65 centavos de dólar por bushel, lembra o analista da Datagro.

“O produtor tem aproveitado para fazer fechamentos para o ano que vem com câmbio e Chicago em patamares elevados, vemos números mais positivos no Brasil. Mas de forma geral, o cenário ainda é de cautela, com muito pé no chão em relação ao El Niño”, finalizou Flávio França Júnior, head de grãos da Datagro.



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