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quarta-feira, agosto 12, 2026

O consumo de etanol (finalmente) começou a reagir

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Após meses de apreensão à espera de uma reação no consumo de etanol, os produtores do biocombustível podem começar a respirar aliviados. Ao que tudo indica, a demanda apresenta sinais de recuperação.

A notícia é um alento para as usinas, que vinham acumulando estoques à espera de uma reação do mercado para vender o biocombustível a preços melhores. Desde o início da safra, em abril, o preço do etanol hidratado caiu 30% nas usinas paulistas, enquanto o preço da gasolina permaneceu praticamente estável.

Com isso, a proporção entre o valor do hidratado em relação à gasolina também foi caindo ao longo dos últimos meses, chegando a 58% em julho, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis) para o estado de São Paulo. Trata-se da menor paridade desde 2018.

“Finalmente, parece que agora estamos vendo o mercado mais comprador. Temos visto isso nas nossas mesas (de negociação) e as próprias distribuidoras também estão reportando isso”, disse Martinho Ono, CEO da SCA Brasil, uma das tradings mais tradicionais deste mercado, ao The AgriBiz.

Os analistas do BTG Pactual também observaram uma mudança no mercado ao fazer uma análise detalhada sobre os níveis dos estoques. “Os dados sugerem que a resposta da demanda está começando”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, em relatório distribuído nesta quarta-feira.

Segundo eles, os estoques pararam de crescer nas últimas duas semanas, em um momento da safra em que deveriam estar subindo.

“Por quê? Após 154 dias de preços do etanol nas bombas sendo competitivos em relação à gasolina, acreditamos que a demanda está começando a responder, e os preços podem estar mudando de direção”, afirmam.

Nos últimos dois dias, o indicador do Cepea para os preços do etanol hidratado, posto em Paulínia (SP), subiu 4%.

O fim das férias escolares é apontado como principal motivador do aumento na demanda. Mas o Cepea, em boletim divulgado na última sexta, também apontou a necessidade de algumas usinas de fazer caixa, depois de meses estocando o biocombustível.

“Agentes de mercado avaliavam que as cotações haviam chegado a um piso e estavam abaixo dos custos de produção. Diante disso, vendedores elevaram suas ofertas e tiveram sucesso em alguns casos, enquanto outros fecharam negócios pontuais para cobrir despesas de caixa ou tancagem”, diz o centro de pesquisas.

Preço ao consumidor deve subir

Para o BTG Pactual, o atual nível dos estoques, aliado à reação da demanda, sugere que os preços do biocombustível podem começar a subir ao consumidor.

Em julho, os estoques de etanol no Brasil representavam cerca de 14% do consumo anual — abaixo da média histórica de 20% e levemente acima do nível registrado no mesmo período do ano passado, de 13,6%.

“Como a demanda já pode estar superando o crescimento da oferta, os preços precisarão subir para conter esse aumento na demanda”, diz o BTG. “Não ficaríamos surpresos se os preços do etanol disparassem acima da proporção de 66% de paridade na bomba”, acrescentam os analistas, numa referência à paridade média registrada no ano passado.

Para chegar lá, o preço do etanol nas usinas deveria subir em cerca de R$ 0,35 por litro, de R$ 2,20, registrados ontem, para R$ 2,55 o litro (base Paulínia).

Para os produtores de etanol, é rentabilidade na veia. Para cada aumento de R$0,10 por litro nos preços do etanol, o EBIT anual da São Martinho, Jalles, Adecoagro e 3tentos aumenta em média 7,5%, segundo o BTG Pactual.



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