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quinta-feira, agosto 13, 2026

O canavial estagnou há 20 anos. O CTC promete mudar o jogo

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PIRACICABA (SP)* — A longa estagnação da produtividade dos canaviais pode estar com os dias contados. Essa é a promessa do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira),  que mantém uma meta audaciosa de dobrar a rendimento do parque canavieiro nacional até 2040, começando pela safra 2027/28.

Com o BNDES e praticamente todas as usinas sucroalcooleria do país entre os sócios, o CTC fez barulho nesta quinta-feira ao inaugurar a primeira fábrica de sementes sintéticas de cana.

Após uma apresentação e uma cerimônia reunindo autoridades, como o deputado federal Arnaldo Jardim, acionistas — incluindo o empresário Rubens Ometto, da Raízen — e jornalistas, o CTC apresentou a novidade que vem trabalhando há mais de uma década.

A visita à fábrica foi cercada de sigilo, com fotos e vídeos proibidos no interior dos laboratórios da nova unidade, mas o CTC abriu os detalhes de como espera revolucionar a produtividade da cana.

Situada em Piracicaba, no interior paulista, a fábrica de 10 mil metros quadrados consumiu R$ 100 milhões em investimentos, com recursos próprios e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

A ideia é substituir o atual modelo de plantio, baseado no enterramento de colmos (a parte aérea do caule da cana), por outro baseado em plântulas, pequeninos recipientes contendo material genético colhido da cana que é multiplicado e germinado in vitro.

Chamado de semente sintética, o material é inserido na terra por máquinas especialmente confeccionadas para tal — em parcerias com as fabricantes ITT/John Deere e Civemasa/Tatu Marchesan.

A escolha por esse modelo foi porque a cana não gera sementes geneticamente uniformes pelos métodos de reprodução aplicados a outras culturas, como soja e milho, explicou Sabrina Chabregas, diretora de pesquisa e desenvolvimento da companhia.

Em fase de teste

Até agora, o CTC plantou 20 hectares de forma 100% mecanizada. Essa lavoura-teste está distribuída entre a própria sede e outros regiões, como Ribeirão Preto, São Carlos, Quirinópolis (GO), Triângulo Mineiro e Sul de São Paulo, contou Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração do CTC.

A meta é chegar a 100 hectares de testes ainda nesta safra, passando a incluir plantios em Araçatuba e no Mato Grosso do Sul.

Com a novidade, a ideia do CTC é aumentar a produção e a produtividade, por três vias. A primeira é que a nova técnica dispensa os viveiros que os produtores mantêm para gerar mudas — uma área que ocupa, em média, 5% das propriedades, e que no novo modelo de sementes sintéticas poderá ser incorporada à produção.

Além disso, o plantio ficará mais leve e rápido: “Sairemos de 16 toneladas por hectare para 400 kg por hectare, e de 8 hectares por dia para 50 por dia”, detalhou Pogetti.

Por fim, o canavial ganha com a redução da idade média. No modelo tradicional, a renovação da lavoura acontece a cada sete anos, contra três a quatro anos no novo sistema.

O planejamento do CTC é lançar a novidade em escala comercial na safra que vem (2027/28). A partir daí, uma mudança gradual nos níveis de produtividade poderia ocorrer.

Para cumprir as metas mais ambiciosas, no entanto, será preciso investir mais. O CTC calcula um desembolso da ordem de R$ 1 bilhão nos próximos anos. Com esses investimentos, o CTC espera dobrar a produtividade, que atualmente oscila perto de 75 toneladas por hectare, até 2040.

Os gargalos da semente

Nesse caminho, o CTC precisa superar alguns gargalos no negócio de sementes sintéticas, seja no laboratório de pesquisa e fora dele. Um deles é estender o tempo de prateleira da nova tecnologia.

A companhia também precisa descobrir qual é a escala mínima de produção de sementes sintéticas que gera valor, o que é particularmente importante para os pequenos produtores de cana que não possuem usinas.

“É cedo para cravar números de custos. Mas desde já, acho difícil o produtor seguir com os dois sistemas em paralelo. Por isso, a semente deverá ter um custo aceitável”, disse Cesar Barros, presidente do CTC.

Outro desafio é descentralizar a oferta de sementes sintéticas, criando mais unidades fabris para reduzir o raio de distância entre a geração das plântulas e as lavouras.

As apostas do CTC

As pesquisas para transformar o cenário da cana começaram em 2013 e envolveram aproximadamente 150 especialistas, incluindo mestres e doutores, resultando em 20 patentes.

As sementes sintéticas são a principal aposta para transformar a produtividade, mas outras três frentes trabalham em conjunto para isso.

Uma delas, de melhoramento genético, visa entregar potencial produtivo. Nela, o CTC apresentou também um novo robô — replicando um animal quadrúpede similar a um cachorro — chamado Soma, que substitui os melhoristas nas lavouras-teste, com ganhos de eficiência.

A segunda frente é de variedade genética. Nessa, o CTC tem sido bem-sucedido, com o lançamento mais recente, o Advana 1, presente em 94% da lavoura no País.

A terceira frente é de biotecnologia, para criar plantas transgênicas, cujas soluções até aqui não ganharam escala. Agora, a principal novidade é o emprego de proteínas para inibir larvas de fenófagos, pragas subterrâneas que causam danos ao rizoma da cana.

*O repórter viajou a convite do CTC.



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