Depois de uma longa temporada em depressão, os preços internacionais do açúcar engataram a quinta marcha em agosto. A commodity já se valorizou 19% no acumulado do mês, no embalo da consolidação das expectativas que apontam para um excedente global menor.
O movimento foi ainda mais intenso nesta terça-feira. O contrato futuro mais negociado da bolsa de Nova York fechou o pregão a 17,48 centavos de dólar por libra-peso, o maior patamar em 14 meses. É também uma recuperação significativa depois de um longo período cotado entre 13 centavos e 14 centavos por libra-peso.
A disparada do açúcar se refletiu no mercado brasileiro. As ações de São Martinho e Jalles Machado registraram forte alta nesta terça-feira, com valorização de 5,23% e 8,16%, respectivamente.
No Brasil, os preços do açúcar subiram cerca de R$ 400 por tonelada nos últimos 30 a 40 dias, segundo Willian Hernandes, sócio da FG/A, consultoria especializada no setor sucroenergético.
Fatores externos e internos
De acordo com o consultor, fatores externos e internos colaboram para a alta na cotação: o receio com o El Niño, que pode afetar o clima na Índia e na Tailândia, importantes países produtores na Ásia, é um deles.
Outro elemento é a perspectiva de entrada em vigor de uma subvenção para o etanol após a aprovação do PLP 114/2026, na semana passada. Aguardando sanção da Presidência, o texto prevê redução ou suspensão de impostos sobre a cadeia do biocombustível, o que pode estimular a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar.
Além disso, acrescentou Hernandes, as estimativas atualizadas de produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil vêm mostrando uma queda entre 11% e 12% em relação ao ano passado.
A dinâmica positiva do açúcar também é sustentada pelo mercado de etanol. Na primeira semana de agosto, o etanol hidratado subiu 7,24% e o anidro, 5,32%, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
“Os fundamentos já estavam todos na mesa. Só faltava o gatilho — e nas últimas duas semanas ele foi acionado”, escreveu Fábio Meneghin, fundador da Veeries, em postagem no LinkedIn.
Para explicar o movimento, Meneghin citou a redução da produção nacional, que está mais alcooleira nesta safra. “No Brasil, a produção de açúcar no Centro-Sul está 11,2% abaixo do ano passado”.
No mundo, analisou, pesam fatores ligados ao El Niño. “As chuvas no Sudeste Asiático seguem abaixo do necessário, com atrasos se acumulando em Índia e Tailândia. Na Europa, ondas de calor pressionam as lavouras de beterraba açucareira. Ainda há dúvidas sobre a demanda global, mas o mercado começou a colocar esse risco no preço”, escreveu Meneghin.
Além desses elementos, uma reportagem da Bloomberg relatou que os rumores de que o governo da Índia poderia cortar ou eliminar impostos de importação sobre o açúcar também influenciaram as cotações.




