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sábado, junho 27, 2026

Margem do produtor de soja deve cair (de novo) em 2026/27

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Apertem os cintos: a margem do produtor de soja, que já está no menor nível em pelo menos uma década, deve cair ainda mais na próxima safra, o que pode resultar em estabilidade da área plantada em 2026/27. A análise é de André Pessôa, CEO da Agroconsult.

O agricultor está espremido entre custos altos e muita incerteza sobre onde eles vão parar devido à guerra no Oriente Médio — dos preços dos fertilizantes aos combustíveis e fretes internacionais.

Do outro lado, o cenário de oferta abundante de soja deve impedir que os preços avencem muito além do patamar atual. E, no meio disso tudo, pesam o crédito escasso e uma taxa de juros persistentemente elevada.

“A expectativa é de que teremos margens menores adiante”, disse Pessôa a jornalistas nesta quarta-feira durante apresentação dos resultados do Rally da Safra, a expedição promovida pela consultoria pelo Brasil para a elaboração de sua estimativa para a produção de grãos.

Na média, Pessôa acredita que a maioria dos sojicultores esteja operando perto do breakeven, mas ele ressalta que as margens variam muito de acordo com a região e com o nível de alavancagem do produtor. Os agricultores com mais dívidas e arrendamentos já trabalham com margem negativa, disse.

Com três décadas de atuação no setor, o fundador da Agroconsult já viu cenários semelhantes anteriormente: preços baixos, custos altos e alavancagem elevada. “O que é diferente agora é o nível persistentemente alto da taxa de juros”, afirmou. “Já estamos num ambiente de crédito mais restrito do que estávamos há um ano e podemos ver essa situação piorar”.

Área plantada pode cair?

Num cenário em que o crédito continue restrito e de uma guerra relativamente rápida, com um desfecho em cerca de um mês, a Agroconsult espera uma estabilidade na área de soja em 2026/27.

Caso uma das duas variáveis piore, o produtor pode reduzir a aplicação de tecnologia ou a área plantada. E no pior cenário (deterioração ainda maior do crédito e uma guerra longa), os produtores podem reduzir área e tecnologia.

“Não dá para dizer qual desses cenários vai prevalecer. O cenário base que estamos trabalhando é de certa estabilidade de área”, disse.

Por enquanto, o produtor segue retardando a decisão de plantio. “Quando temos muitas incertezas, as decisões vão sendo postergadas e isso nos preocupa. Isso pode piorar ainda mais a situação lá na frente porque vamos ter outra questão, que é a logística”, lembrou.

É um efeito cascata. Quando o produtor atrasa para fechar os pedidos dos insumos, os intermediários, sejam revendas ou cooperativas, não podem ir à indústria para assegurar o fornecimento. Essas, por sua vez, ficam impossibilitadas de antecipar a logística.

“Nos 30 anos em que atuo no setor, poucas vezes vi tantas pontas soltas ao mesmo tempo”, disse Pessôa. “Esse grau de incerteza está nos preocupando.”

Vendas aquecidas

Enquanto posterga as decisões para a safra seguinte, o produtor tem acelerado as vendas da colheita em andamento. A comercialização da safra 2025/26, que vinha atrasada até algumas semanas atrás, fechou esse gap e está praticamente em linha com as safras anteriores, em torno de 50%.

Segundo Pessôa, o produtor aproveitou a recente alta dos preços na Bolsa de Chicago para vender parte da produção. Além disso, a necessidade de fazer caixa pode ter estimulado o produtor a vender, especialmente com a proximidade dos vencimentos da safra de soja, em 30 de abril.

“Mas quando a taxa de juros está muito alta, como agora, a comercialização deveria estar acima da média histórica”, ponderou. “Segurar estoque tem um custo muito alto.”

***

A Agroconsult atualizou sua estimativa para a produção de soja nesta quarta-feira. O Brasil deve colher o recorde de 184,7 milhões de toneladas em 2025/26, um crescimento de 6,6% em relação à safra passada.

Mais da metade do crescimento veio da recuperação da produção no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul, que enfrentaram adversidades climáticas no ano passado. A área plantada  foi estimada em 49,1 milhões de hectares.



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