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domingo, agosto 16, 2026

John Deere dobra a aposta em updates e mira biocombustíveis

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INDAIATUBA (SP) – “Neste momento, o produtor não necessariamente compra uma máquina nova, mas atualiza equipamentos e sistemas.”

O relato de Rodrigo Bonato, vice-presidente de Vendas e Marketing na América Latina da John Deere, dá o tom do cenário enfrentado pela fabricante de máquinas agrícolas.

Com o produtor sufocado por margens menores nas principais culturas, aumento do endividamento e pelo crédito mais caro e escasso, a empresa sentiu o golpe.

O lucro líquido consolidado caiu 24,5% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 (outubro a dezembro de 2025). Para 2026, a empresa projeta uma queda de 5% nas vendas de tratores e de colheitadeiras na América do Sul. No embalo, a empresa anunciou férias coletivas e suspensão de contratos na planta de Horizontina (RS) no início do ano.

Para tentar atravessar o deserto, a maior fabricante de tratores do mundo aposta, cada vez mais, em conectividade e software, como detalhou nesta segunda-feira em apresentação a jornalistas na Casa John Deere, um imenso showroom anexo à planta em Indaiatuba (SP).

“Neste momento, nossos investimentos passam por conectividade, inteligência artificial e predição com coleta de dados e sensores”, sintetizou Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos e Comunicações para América Latina.

“A indústria está passando por uma mudança profunda. De fabricante de máquinas, estamos nos tornando uma empresa de inteligência integrada”, detalhou Bonato. “A ideia não é gerar complexidade, mas reduzir falhas, diminuir a sobreposição de sementes e otimizar janelas de plantio. Isso se traduz em lavouras mais uniformes, previsíveis e rentáveis.”

Não é de todo uma novidade — o foco da John Deere em intensificar soluções de conectividade já é conhecido há anos. Mas a percepção de uma safra volumosa intensifica a busca por esse tipo de solução, afirmou Bonato.

Lançamentos

Nessa direção, a empresa apresentou lançamentos, como o JDLink Boost, fruto da parceria pioneira com a Starlink, que, além da conectividade via satélite, viabiliza o compartilhamento de dados no campo para outras plataformas.

Exibiu também atualizações, como o M Modem 4G, que une telemetria, conexão à internet e integração com veículos de apoio e maquinário de construção, e pode ser instalado em tratores mais antigos, fabricados antes de 2012.

E a busca por vitaminar essa vertical se manifesta em integrações com outras plataformas, como com a GeoIA, anunciada recentemente.

Segundo Valério Wagner, diretor de Marketing na América Latina, a John Deere também tem investido no pós-vendas, tentando usar inteligência de dados para antecipar necessidades de revisões e trocas, uma vez que “máquinas paradas geram impacto direto no negócio e no bolso do cliente”.

Como no ano passado, a empresa vai levar para a Agrishow e outras grandes feiras três principais linhas de crédito por meio do Banco John Deere: Moderfrota (com taxas a partir de 11,72%), Pronaf (a partir de 2,62%) e financiamento em dólar (6,5%), detalhou Alex Ferreira, CEO do banco.

Segundo ele, a chegada do Bradesco ao negócio no final de 2024 ampliou as possibilidades de crédito da John Deere.

“A máquina dos biocombustíveis”

Enquanto a conectividade é prioridade há anos na John Deere, a promoção dos biocombustíveis apareceu com clareza pela primeira vez no discurso da liderança. E se manifestou em alguns dos principais lançamentos de 2026.

A empresa escolheu o milho para a primeira plataforma colheitadeira da nova série CR, com versões de 12 a 27 linhas e integração com colheitadeiras recentes da MARCA, como S5, S7 e X9. É assumidamente uma resposta à expansão do milho safrinha, que tem sido fortalecida pelo etanol de milho.

Com produção 100% nacional, a máquina tem inovações como a automatização da abertura das placas em tempo real — a funcionalidade permite adaptar os “braços” da máquina ao tamanho do milharal, reduzindo em 3% das perdas no solo.

Na demonstração no pátio da empresa, a especialista de colheita Tatiane Cravo relatou ganhos, como 12% a mais na quantidade de hectares colhidos por dia e 9% de economia de combustível.

A empresa também já tem o desenho de um trator que vai receber o primeiro motor da John Deere 100% a etanol. O protótipo está em fase final de testes, com o lançamento previsto para 2027.

Bonato destacou ainda que o olhar para os biocombustíveis inclui o biodiesel — a John Deere tem parcerias nesse tema com a fabricante Be8 e a Amaggi.

“Hoje, já temos duas fazendas testando motores 100% a biodiesel, B100. Agora vai de a ANP definir como ampliar esse uso, mas estamos prontos.”

O repórter viajou a convite da John Deere.



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