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sexta-feira, julho 3, 2026

Itaú BBA vê piora das margens da agricultura na safra 2026/27

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Há um ano, o Itaú BBA projetou um período duro para o agro na safra 2025/26 — recém-concluída —, com margens apertadas em diversas commodities. A estimativa se mostrou correta, ainda que não tenha considerado agravantes imprevisíveis, como a guerra no Irã, que pioraram o cenário.

Agora, a nova previsão do banco, para a safra 2026/27, é ainda mais negativa. A visão do Itaú BBA é que o que estava ruim vai piorar.

“Vemos um ano em que se repetirão muitos dos desafios de 2025/26”, sintetizou Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, em entrevista a jornalistas na quinta-feira, durante o Agro em Pauta, no qual apresenta o relatório Visão Agro, com projeções para o ano-safra.

A incerteza geopolítica, um provável déficit de adubação comprometendo a produtividade e a previsão de um El Niño acentuado são os principais vetores da deterioração de um cenário já difícil.

“Os custos vão continuar sendo o problema. Falamos nisso no ano passado, e vemos uma nova elevação. Não vemos razão para os preços subirem, e esperamos margens menores”, complementou Cesar de Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA.

Cenário complexo

Se na abertura da safra passada algumas culturas agrícolas ainda ficavam de fora do tom de pessimismo —  café, suínos e algodão viviam momentos melhores — , agora até esses setores deverão ter desafios, analisou Fernandes.

O Itaú destaca ainda o temor de perda de produtividade na próxima safra pelo peso do ambiente geopolítico nos fertilizantes.

Além disso, o passivo acumulado nos últimos anos piora a situação. “Boa parte do resultado operacional vem sendo consumido pelo serviço de dívida”, lembrou Fernandes.

Apesar desses desafios, o Itaú BBA projeta um resultado positivo em sua operação no agro, com um crescimento de 10% na carteira — desconsiderando a variação cambial — chegando a R$ 148,5 bilhões. Em comparação, o Banco do Brasil, maior financiador do agro, tem uma carteira em cerca de R$ 418 bilhões.

Por outro lado, agravamento das previsões deverá se refletir em maior rigidez na concessão de crédito, descreveu Fernandes. “A gente segue acreditando no setor no longo prazo, mas, no curto prazo, seletividade é uma palavra cada vez mais usada pelos financiadores. É a tendência para 2026/27”, resumiu.

Déficit de fosfatados

No relatório anual, o Itaú BBA chamou a atenção para a relação de troca desfavorável para a compra de fosfatados, um problema sobre o qual gigantes de fertilizantes como a Mosaic já vinham alertando. “O quadro estrutural de oferta restrita, associado à maior demanda por novos usos do enxofre, sugere um cenário de preços elevados mais duradouros”.

Francisco Queiroz, especialista em grãos e algodão do Itaú BBA, deu números à menor disponibilidade de fertilizantes.

 “Há quem diga que teremos entre 5 milhões e 7 milhões de toneladas a menos nesse ano”, disse ele. Ou seja, 15% das cerca de 45 milhões de toneladas que o País importou em 2025.

Nesse ambiente, os produtores buscam alternativas mais baratas para tentar compensar o déficit na aplicação de fosfatados, com o maior uso de potássio para ajudar na disponibilização do fósforo que já está no solo.

Novo recorde na soja

Apesar das margens mais apertadas, a consultoria do Itaú BBA estima um novo recorde na safra brasileira de soja, embora menos otimista que outras fontes: 182,5 milhões de toneladas do grão, enquanto o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima 186 milhões.

A área plantada de soja ainda deve crescer, mas em um ritmo muito mais lento em razão dos custos mais elevados e dos preços menos atraentes. “Se nos últimos 20 anos crescemos 5% ao ano na soja, na média, para 2026/27 a expectativa é de somente 0,5%”, disse Queiroz.

No mundo, a oferta de soja deve seguir elevada, com produção estimada em 441 milhões de toneladas e todos os principais produtores aumentando a produção — os EUA devem se recuperar para 121 milhões de toneladas.

Segundo o Itaú BBA, a demanda seguirá absorvendo o volume adicional. “A demanda global mantém trajetória firme de crescimento, em ritmo semelhante ao da produção, impulsionada pelas cadeias de proteína animal e pelos biocombustíveis”.



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