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quarta-feira, julho 22, 2026

Syngenta lança biológico para aumentar absorção de nutrientes

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Nesta semana, a Syngenta dá mais um passo em direção à sua ambiciosa meta de alcançar a liderança no mercado brasileiro de biológicos em cinco anos.

Em tempos de fertilizantes mais caros, a multinacional lança o Avakitt Neo, produto biológico inédito no mercado brasileiro, desenvolvido para aumentar a capacidade de absorção de nutrientes e de água para as plantas por meio de fungos.

Voltado às lavouras de milho, soja, cereais e girassol, o produto foi desenvolvido pela Syngenta em parceria com a GroundWork BioAg. A empresa israelense ficará responsável pela fabricação e pelo fornecimento de produtos para América Latina e Europa e a Syngenta vai comercializá-los sob MARCA própria.

O lançamento é parte da estratégia para o mercado de biológicos da companhia, que prevê lançar pelo menos três produtos por ano ao longo dos próximos cinco. Neste segundo semestre, a Syngenta também deve trazer ao mercado brasileiro um novo fixador de nitrogênio e solubilizador de fósforo (um produto dois em um).

“Hoje, você tem 600 empresas atuando nesse mercado no Brasil. O líder, hoje, deve ter no máximo entre 8% a 10% desse mercado”, disse Igor Lyra, head de Biológicos e Seedcare na Syngenta, ao The AgriBiz.

“O cliente já usa essa combinação do controle químico e biológico. A grande diferença é que vamos ser uma das poucas empresas do mercado a proporcionar os dois”, acrescentou.

O novo produto

O novo biológico da Syngenta, o Avakitt Neo, é feito à base de fungos micorrízicos — microrganismos que já estão presentes no solo e se destacam, resumidamente, por entrarem em uma relação de mútuo benefício com a raiz das plantas.

“Conseguimos extrair esses fungos e transformá-los em um produto, com alta concentração de micorrizas. Os fungos aumentam a área radicular das plantas e melhoram a capacidade de absorver nutrientes e água”, explicou Lyra.

Nos testes realizados pela Syngenta no Brasil, combinando a parte de pesquisa e os testes em campo, o Avakitt Neo conseguiu trazer um ganho de mais de cinco sacas de soja por hectare.

O produto vai começar a ser faturado em agosto, visando o plantio da próxima safra da oleaginosa. Para que cumpra sua função, o Avakitt Neo tem de ser usado antes do plantio — assim, quando começar o enraizamento da planta, os fungos já estão presentes no solo para aumentar a área de absorção.

“Vamos ter um volume limitado nesse primeiro ano, então queremos que o máximo possível de produtores possa experimentar, dividindo em pequenas áreas. A partir do próximo ano, vamos aumentar o alcance”, disse Lyra.

O preço do produto deve ser divulgado ao longo dos próximos dias. “Vai ter um retorno de investimento considerável. Custa pouco frente ao que o produtor vai ter de resultado”, garantiu.

A estratégia nos biológicos

Como parte do plano para avançar no mercado de biológicos, a Syngenta deve lançar, até o final deste ano, um novo fixador de nitrogênio e solubilizador de fósforo voltado ao plantio da safrinha de milho em 2027.

“É um produto que também tem essa característica de melhorar o uso dos nutrientes do solo, fazendo com que a planta consiga pegar o nitrogênio que está no ambiente e aproveitar para o próprio crescimento”, disse Lyra.

Esses produtos fazem parte, dentro da Syngenta, de uma categoria chamada “uso eficiente dos nutrientes”, abreviada pela sigla NUE. Além dessa vertical, a área de biológicos tem outras duas: biocontrole e bioestimulantes.

Para conseguir se fortalecer em cada uma das verticais, a Syngenta apostou em parcerias ao longo dos últimos anos — tendo o Brasil como mercado prioritário.

Se na divisão de NUE a parceria com a empresa israelense é recente, na divisão de biocontrole, essa jornada é mais antiga.

Começou com a compra da biblioteca de microrganismos da Novartis, em 2024, trazendo uma base para o trabalho da companhia com metabólitos, RNAi e peptídeos. De lá para cá, a Syngenta também firmou parcerias com a Biotrop e com a Provivi, por exemplo.

“Demora pelo menos cinco anos para que comecem a aparecer novos produtos”, lembrou Lyra, ressaltando os estudos de compatibilidade com químicos e de shelf life dos lançamentos.

Na área de bioestimulantes, um dos principais movimentos para fortalecer a divisão veio da compra da empresa italiana Valagro em 2020, então líder mundial nessa categoria.

Além de um centro de pesquisa na Itália, a empresa também mantém uma unidade industrial em Pirassununga (SP). “Eles já tinham um pipeline robusto de produtos e neste ano foram efetivamente integrados à Syngenta”, conta Lyra.

Todo esse esforço para trazer um portfólio completo em biológicos visa, no fim das contas, buscar a melhor integração possível com o portfólio de químicos da companhia.

Para isso, a divisão conta com um time de 200 profissionais especializados e uma equipe de vendas dedicada a explicar o manejo integrado para produtores de diferentes portes. Ao mesmo tempo, outros 500 profissionais da divisão de proteção de cultivos também ajudam a vender os produtos biológicos fabricados pela Syngenta.

Com equipes preparadas, um portfólio mais robusto e centros de produção espalhados entre diferentes países, a Syngenta vê um caminho promissor para avançar no Brasil, mas também em outras regiões. China e Índia, por exemplo, fazem parte do mapa de expansão da área de biológicos ao longo do tempo.

“A gente quer assegurar para o produtor a melhor forma de produzir mais. Seja no produtor pequeno de Petrolina que planta um hectare de manga, o produtor do Rio Grande do Sul que planta 5 hectares de soja… Queremos assegurar a chance de ter acesso à tecnologia”, afirmou Lyra.



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