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terça-feira, setembro 8, 2026

Em ano duro para as usinas, Zilor foca eficiência

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A Zilor precisou recentemente decidir entre a tradicional produção sucroenergética e a inovação. O pêndulo oscilou para a primeira opção, mas sem abrir mão da segunda.

Há pouco mais de um ano, a empresa vendeu 70% de sua divisão de biotecnologia à francesa Lesaffre. A antiga área interna virou uma joint venture, mantendo o nome Biorigin. Com isso, a Zilor ganhou fôlego financeiro e operacional para efetuar uma importante aquisição, cogitar outras e focar no core business: açúcar, etanol e bioeletricidade.

Quem o diz é o CEO Andre Inserra, que lidera a empresa desde o fim de 2024. “Ninguém me disse que o negócio dependia tanto da chuva”, brincou o executivo, que fez carreira fora do agro. Ainda está se acostumando ao ônus e bônus das precipitações: mais rendimento no canavial quando a chuva vem em tempo e volume certos, mas usinas fechadas se a precipitação acontecer na hora errada — como no dia em que falou com The AgriBiz.

“Foi um primeiro ano de muito desafio, com geada. E 2026 começou desafiador. Estou aprendendo e me divertindo, é um mercado muito pujante.”

Inserra conduz um dos mais tradicionais grupos sucroenergéticos do País, cofundador e maior acionista da Copersucar, com uma participação de 12%. Apesar dos entraves, a empresa teve moagem e Ebitda recordes em 2025 — 12,7 milhões de toneladas e R$ 1,3 bilhão.

Na moagem, o volume é 11,7% do total nas 42 usinas da Copersucar, de 108 milhões de toneladas. O aumento foi de 20,1% frente ao ano anterior; já o Ebitda saltou 23,3%.

Mas parte do crescimento veio da aquisição da usina da Salto Botelho Agroenergia, em Lucélia (SP), em novembro de 2024. Ela elevou em 15% a capacidade da Zilor, com plantas também em Quatá, Barra Grande (Lençóis Paulista) e São José (Macatuba). As duas primeiras e as duas últimas formam dois polos produtivos.

Dos 20% a mais de moagem, 6% foram orgânicos, diz o CEO. Isso chama a atenção no momento do setor, com preços baixos de açúcar e etanol e custos mais altos.

Mas o cenário se agravou após a guerra no Irã elevar os custos de diesel e fertilizantes, gerando margem negativa entre alguns produtores-fornecedores em certos meses e regiões.

No primeiro trimestre, a Zilor sentiu esses impactos. A empresa registrou um prejuízo de R$ 73 milhões, revertendo o lucro de R$ 242 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida caiu 16%, refletindo um ritmo menor de moagem devido ao clima adverso, e o Ebitda caiu 39%, impactado também por preços menores.

Os cuidados com o canavial, no entanto, continuam intactos, diz Inserra. Inclusive junto aos fornecedores, com o detalhe de que a empresa tem cerca de 30% de cana própria, abaixo da média do mercado, de entre 60% e 70%.

“Apesar do compromisso de entregar resultado no ano-safra, a prioridade é sempre o longo prazo. Por isso, a gente trata o canavial como nosso baby, com muito carinho.”

CEO da Zilor, Andre Inserra
O CEO da Zilor, Andre Inserra

Mais leve, e querendo crescer

Frente ao momento duro, Inserra cita um esforço para “ficar mais leve”. Isso passou por manter a alavancagem baixa, em 1,5 vez o Ebitda, e por questionar processos internos e cortar custos: “Não teve demissões, mas seguramos contratações”.

Somado ao volume maior de cana, o enxugamento colaborou para um resultado 10% acima do que havia sido planejado para 2025, segundo o executivo.

A preocupação se refletiu ainda em hedge no açúcar e flexibilidade nas usinas para mudar para o etanol quando o preço do biocombustível melhorou no final da safra.

Em agosto, foi a vez das cotações dos futuros de açúcar se recuperarem. Isso ajuda na meta de moagem perto da capacidade neste ano, em 14 milhões de toneladas.

E faz cogitar mais consolidações. “Sim, a Zilor tem apetite para novas aquisições. Se precisar digerir mais 4 a 6 milhões de toneladas, estamos prontos”, diz Inserra.

Mas diante do nível alto dos juros, “qualquer movimento requer cautela”. E a chance é maior para ativos alinhados à geografia: “Não faz sentido comprar longe, é desafiador gerenciar usinas isoladas. Se tiver algo no lugar certo, vamos olhar com carinho.”

A empresa não descarta entrar no etanol de milho, mas vê um potencial desequilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo — no futuro, crê que o combustível sustentável de aviação (SAF) e o marítimo possam mudar a equação. “Com o volume vindo, o desafio é manter o custo competitivo em três a cinco anos; depois, vai vir demanda.”

Governança e inovação

A chegada do CEO foi um marco em governança. Embora tenha profissionais na diretoria desde 2018 e há anos reporte relatórios trimestrais, é a primeira vez que a Zilor (pronuncia-se “zilór”), criada em 1946, confia a liderança a um executivo fora da família fundadora (acionistas da quarta geração estão no Conselho de Administração).

A novidade também consolidou a “visão de futuro”, diz Inserra, em dois segmentos. Um é a geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana: a empresa produz 100% da demanda nas usinas e vende o excedente. Foram 729,8 mil MWh exportados em 2025, o suficiente para abastecer entre 350 mil e 500 mil residências por um ano.

Na outra frente, de biotecnologia, uma das primeiras missões do CEO foi concluir a venda de 70% da Biorigin, unidade de negócios criada em 2003, para a Lesaffre.

A nova empresa produz ingredientes naturais derivados de leveduras, com alto valor agregado, para alimentação humana, nutrição animal e pets. Inserra diz que a aliança preparou o negócio para competir com gigantes do segmento e liberou energia e capital, possibilitando a compra da Salto Botelho e o foco no core business.

Segundo o executivo, a receita com a joint-venture “não muda a bússola” no faturamento da Zilor, de R$ 3,6 bilhões em 2025 — a empresa não divulga a projeção para 2026. Mesmo assim, “a Biorigin tem importância grande pela capacidade de catapultar novos negócios usando como base o Brasil”, diz.



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