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quarta-feira, agosto 19, 2026

Do sonho à frustração: Al Dahra aborta compra de terras no Brasil

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“Queremos ter atividade no Brasil. É um foco para nós. Trabalhamos com fazendas de no mínimo 10 mil hectares.” A frase de Ahmed Saeed Al Suwaidi, um executivo graduado da Al Dahra, rodou os quatro cantos de Mato Grosso logo após uma missão do então governador, Mauro Mendes, a Abu Dhabi.

De capital infinito, o fundo soberano do emirado — controlador da Al Dahra — parecia destinado a investir em terras agrícolas no Cerrado, destravando um imenso potencial de valorização.

Quase dois anos depois, o entusiasmo se transformou em frustração. Depois de avaliar várias transações, a Al Dahra abortou o projeto brasileiro. “Todo mundo perdeu tempo com eles”, lamentou uma fonte que se engajou em conversas com a firma agrícola árabe.

Os árabes chegaram a considerar a compra dos 15 mil hectares da Serra Bonita Sementes, companhia goiana que acabou vendida para José Paulo Rocheto, empresário que controla a Bem Brasil ao lado dos irmãos.

No Brasil, a firma árabe se aproximou de profissionais tarimbados. Como consultor, a Al Dahra trouxe Renato Cavalini, que foi managing partner da Brookfield — firma canadense que já teve mais de 100 mil hectares de terras no País.

Mas as boas conexões não foram suficientes. Diante da demora em fazer transações, muitos interlocutores dos árabes passaram a desconfiar das intenções da Al Dahra, especialmente diante da intensa rotatividade de profissionais na empresa e do ambiente geopolítico mais conturbado após a guerra do Irã.

Na semana passada, veio a confirmação. O conselho da Al Dahra fez diversas alterações na cúpula, e Osman Serageldin assumiu como CEO interino.

A mudança faz parte de uma reestruturação societária mais ampla. O ADQ, fundo soberano de Abu Dhabi que controla a Al Dahra, foi transferido para o guarda-chuva da L’IMAD, novo fundo soberano comandado pelo príncipe Khaled bin Mohammed bin Zayed.

Com isso, as diretrizes de investimentos da Al Dahra ainda não são conhecidas, e um plano ambicioso no Brasil ficou bem mais distante, apurou The AgriBiz.

Fundada na década de 1990, a Al Dahra tem cerca de 100 mil hectares sob gestão, com propriedades na Romênia — onde possui a maior extensão de terras agrícolas contínuas da Europa — Sérvia, Egito e Marrocos.

No Oriente Médio, possui indústria de beneficiamento de arroz e de lácteos, além de comercializar ração, entre outras commodities.



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