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domingo, agosto 16, 2026

Agricultores endividados ainda impulsionam a expansão da soja no Brasil.

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Os agricultores brasileiros continuaram expandindo o cultivo de soja mesmo enfrentando uma crise de crédito e margens de lucro cada vez menores. A área cultivada com soja no país deve crescer entre 2% e 4% na safra 2025/26 — um ritmo que alguns analistas consideram surpreendente, dado o cenário desafiador.

“Um aumento de 2% é pequeno para o que o Brasil está acostumado. Mas, considerando a situação atual, expandir em 1 milhão de hectares é bastante significativo — e, de certa forma, surpreendente”, disse André Pessôa, CEO da Agroconsult, citando as estimativas da empresa. A Agroconsult prevê que a área cultivada com soja chegará a 48,8 milhões de hectares nesta safra.

A maior parte da expansão está ocorrendo em novas fronteiras agrícolas em pastagens degradadas e pode ajudar o Brasil — o maior produtor e exportador mundial — a colher uma safra recorde. Analistas e a Conab, agência nacional de abastecimento, estimam a produção em 178 milhões de toneladas.

O analista da AgRural, Daniele Siqueira, também considerou o aumento da área cultivada “surpreendente”. “O preço continuou subindo nas pesquisas recentes dos últimos meses. Talvez os produtores estejam esperando preços melhores no futuro”, disse ela. A AgRural estima a área plantada em 49,1 milhões de hectares, aproximadamente em linha com a Conab.

Realidades diferentes

Um produtor típico do Cerrado brasileiro possui dívidas equivalentes a cerca de 2,5 vezes o EBITDA no sistema financeiro, disse Pessôa, citando um estudo da Agroconsult. “Não é desastroso — é uma média aceitável. Mas mascara uma grande disparidade”, afirmou. Alguns produtores têm dívidas equivalentes a sete ou oito vezes o EBITDA.

No Rio Grande do Sul, um dos principais estados produtores, os agricultores têm menos capital e os bancos se tornaram mais seletivos após sucessivas perdas de safra devido às condições climáticas. No Mato Grosso, o maior produtor, a situação dos agricultores é melhor após a safra recorde da última temporada.

Essas diferenças na alavancagem ajudam a explicar por que a área de soja no Brasil continua a se expandir mesmo em um cenário desafiador.

“As manchetes tendem a destacar a questão do crédito, o que dá a impressão de que as restrições financeiras são generalizadas. Mas vemos um grupo considerável de agricultores em uma posição financeira muito sólida — e são eles que estão expandindo”, disse Marcos Rubin, fundador da Veeries.

Esses são os produtores que evitaram excessos durante os anos de safras recordes, preços altos e crédito abundante, ao contrário de outros que investiram pesadamente e agora estão lutando para pagar suas dívidas em um ambiente de juros altos.

“Há extremos no mercado”, disse Rubin. “Alguns produtores realmente têm margens apertadas e problemas de crédito, principalmente porque investiram demais e, em alguns casos, tiveram quebras de safra. E há outro grupo que cresceu pouco, investiu pouco, guardou os lucros dos bons anos anteriores de soja — e está financeiramente saudável. Esses produtores ainda estão expandindo.”

Queda nas Margens

Com o aumento dos custos de produção e a queda dos preços no Brasil, as margens de lucro da soja devem cair em 2025/26 — uma tendência que normalmente limitaria a expansão da área plantada. Segundo a consultoria agroindustrial do Itaú BBA, as margens cairão de 45% na última safra para 33%.

Mesmo assim, os resultados são considerados positivos. “As margens da soja e do milho são razoáveis ​​e suficientes para sustentar esses investimentos [na expansão da área cultivada]”, disse Rubin, referindo-se aos produtores com maior solidez financeira. Veeries estima que as margens da soja fiquem em torno de 35% em 2025/26.

Pessôa observa outro fator em jogo: os agricultores com bom capital podem estar buscando retornos com a valorização da terra, e não apenas com a produção agrícola. “Principalmente em áreas de fronteira, a decisão não se resume apenas às operações agrícolas, mas também ao setor imobiliário — a expectativa de que um ativo se valorize após o desenvolvimento”, afirmou.

Chuvas de dezembro

Com cerca de 90% do plantio de soja concluído, os próximos dois meses serão cruciais para determinar o tamanho da safra brasileira. Até o momento, as chuvas têm sido bastante irregulares, com áreas secas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o que gera preocupação. “O potencial máximo de produtividade pode não ser mais alcançável em Goiás e em partes do Mato Grosso. Mas temos dados sólidos que mostram uma correlação muito baixa entre as chuvas de outubro e novembro e a produtividade final no Cerrado. Se o clima em dezembro for favorável, ambos os estados ainda podem produzir uma safra muito boa”, disse Siqueira.

No sul do Brasil, a principal preocupação está relacionada ao La Niña, que tende a reduzir as chuvas. O Inmet, órgão meteorológico nacional, prevê precipitação abaixo da média em todo o sul em dezembro. Para a região Centro-Oeste, o Inmet prevê chuvas acima da média neste mês, o que deve favorecer o desenvolvimento das lavouras.

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