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terça-feira, setembro 1, 2026

Consumo em alta e regulação marcam nova fase da piscicultura brasileira

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A piscicultura brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com consumo em alta e um recado claro: a fase de crescimento sem regra acabou. Segundo a PeixeBR, o consumo de pescado foi impulsionado pela Quaresma e manteve trajetória ascendente ao longo do semestre, enquanto a entidade passou a alertar para questões regulatórias que podem pesar sobre o setor no segundo semestre. O movimento combina expansão de demanda e profissionalização — o mesmo percurso que avicultura e suinocultura atravessaram em décadas anteriores.

O sinal mais concreto dessa transição veio nesta terça-feira, 1º de setembro, com o lançamento de um software de gestão ambiental desenvolvido pela APTA Regional em parceria com a Embrapa. A ferramenta oficial leva boas práticas e gestão ambiental à rotina dos piscicultores e pode apoiar tanto a conformidade regulatória quanto a produtividade das fazendas de cultivo. Quando uma cadeia produtiva passa a receber instrumentos oficiais de monitoramento, o recado é duplo: o setor já é grande o suficiente para ser regulado e precisa se organizar para crescer dentro da regra.

A tendência regulatória não é exclusiva do pescado. No mesmo dia, a ANP abriu participação social para a atualização da RenovaCalc, a ferramenta que calcula a intensidade de carbono e embasa a emissão de CBIOs no RenovaBio, segundo Embrapa e ANP. A revisão pode afetar a certificação de produtores e usinas no mercado de créditos de descarbonização, reforçando a direção de integração entre produção agropecuária e métricas ambientais verificáveis. Na véspera, a Operação Safra Paralela apreendeu 217 toneladas de fertilizantes adulterados em Mato Grosso, segundo o MAPA — mais um episódio de endurecimento da fiscalização sobre a cadeia de insumos na véspera do plantio.

Para o investidor e o gestor do agro, a leitura de médio prazo é que a conformidade deixa de ser custo acessório e passa a ser barreira de entrada. Setores que internalizarem rastreabilidade, gestão ambiental e compliance sanitário tendem a capturar os mercados que pagam prêmio por garantia — exatamente os mercados que, como mostra a decisão europeia de suspender carne e frango do Brasil, fecham a porta quando a garantia falha.

A piscicultura ainda opera em escala menor que as proteínas tradicionais, mas o desenho institucional que se forma ao redor dela antecipa o padrão exigido de toda a proteína animal brasileira na próxima década.

 

Da Redação

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