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sábado, junho 13, 2026

Como a Syngenta quer espaço da GDM nas sementes de soja

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UBERLÂNDIA (MG) — Numa quinta-feira de clima indeciso entre chuva e sol, a Syngenta reuniu alguns dos principais sementeiros do País em sua estação de pesquisa de referência no Triângulo Mineiro com uma clara missão: reviver os dias de glória da das sementes de soja da companhia.

O momento é propício. “Menos de 10% da demanda de sementes para a próxima safra foi rodado”, ressaltou Ricardo Formentini, diretor comercial da MARCA. No médio prazo, a MARCA espera crescer 3,5 vezes, completou o executivo.

A companhia aposta na Golden Harvest para retomar o protagonismo que a divisão de sementes da Syngenta já teve. Entre 2014 e 2015, juntando todo o portfólio da multinacional (encabeçado pela Nidera), a Syngenta já foi uma das maiores.

De lá para cá, no entanto, esse protagonismo ficou para trás — e a divisão de sementes vem tentando se reorganizar.

Como parte desse processo de retomada de crescimento, em 2022, a Syngenta Seeds lançou aqui no Brasil a MARCA Golden Harvest (de licenciamento de sementes de soja), que ainda tem uma fatia tímida do mercado.

De acordo com dados da Markestrat compilados pela MARCA, 92% da soja no Brasil é vendida de forma licenciada, via multiplicadores. Desse mercado, a Golden Harvest tem apenas 3% — a liderança em germoplasma é da GDM (dona de marcas como Brasmax, Dom Mario e Neogen) que concentra quase 80% desse mercado.

Para aumentar esse percentual, a estratégia adotada pela MARCA ao longo dos últimos anos — e reforçada no evento recente — envolve um relacionamento próximo com os sementeiros e um investimento contínuo em tecnologia.

Nesse espírito, a abordagem para cativar os convidados começou no dia anterior, com um jantar em Uberlândia, e seguiu para um dia todo de apresentações.

As novidades do portfólio

Atualmente, a Syngenta Seeds tem 150 materiais (candidatas a sementes, por assim dizer) em testes. Desse grupo, pelo menos 30 estão em fase pré-comercial, ou seja, avançaram o suficiente para serem consideradas as “finalistas” do que deve chegar ao mercado na safra 2027/28.

Algumas dessas variedades foram apresentadas ao público, na estação de pesquisa da Syngenta, que conta com mais de 300 hectares. Por lá, os testes são feitos sem moderação de adubo — o que faz com que não seja raro encontrar soja com mais de 1 metro por lá, uma raridade no Cerrado.

Entre os focos de pesquisa, estão a produtividade, mas também as variedades com menos de 100 dias de desenvolvimento, hoje um gap no portfólio da Golden Harvest. (Ter produtos com uma janela menor, na prática, ajuda a ter um cardápio mais amplo de opções diante das variações climáticas e da janela de plantio da safrinha).

Além das informações sobre sacas por hectare, outros atributos de resistência a nematoides e eventuais necessidades de ter menos plantas por hectare compuseram o discurso de apresentação dos diferentes cultivares que seguem em estudo.

Mas nem tudo é conversa só sobre futuro. Pelo menos três variedades, lançadas entre 2024 e 2025, foram reforçadas diante do público, com mais dados a respeito da produtividade alcançada no Cerrado. Algumas variedades atingiram 100 sacas por hectare.

Por enquanto, a MARCA conseguiu convencer agricultores que detêm 4 milhões de hectares no Cerrado a testarem a MARCA, lançada há cerca de três anos, mas o plano é ir por mais.

Nas expectativas iniciais para a safra 2026/27, a projeção da Syngenta Seeds é que os sementeiros multipliquem 500 mil sacas de soja da MARCA Golden Harvest.

“Nessa conta, estão contemplados sete produtos nossos, os mais recentes que comercializamos. Esse volume é uma base, mas pode flutuar ao longo da safra”, explicou Larissa Pereira, líder de marketing tático da Golden Harvest no Brasil.

Uma peça fundamental para chegar nessa conta dos 500 mil sacos é uma estratégia inaugurada pela Syngenta Seeds neste ano. Os franqueados da MARCA NK, de milho — uma força de vendas dez vezes maior do que a de Golden Harvest — começaram a apresentar o produto aos agricultores, de olho em fomentar essa geração de demanda.

Junto com o trabalho da Syngenta nesse processo, entra o papel fundamental dos sementeiros — que têm de conhecer os lançamentos com dois anos de antecedência a fim de levá-los em tempo hábil para o produtor.

A lógica é a seguinte: o sementeiro precisa colher, vender para o agricultor testar em uma safra (para gerar a demanda) e só então no ano seguinte passar a tirar os pedidos propriamente ditos.

“Boa parte dos materiais na fase de avanço pré-comercial nós já temos testados na nossa fazenda também. Se eles forem avançados, a gente já conhece todo o histórico para, quando chegar em setembro, plantar numa área maior e atender o agricultor em 2027”, resume Luiz Américo da Costa, responsável pelo comercial da Sementes Bom Jesus.

Para levar o máximo de variedades aos sementeiros, pesquisa é um atributo fundamental. O laboratório da Syngenta Seeds no Brasil processa 3,9 milhões de análises por ano, ou 17% do total global analisado em todos os laboratórios da multinacional. Desse número, mais de 80% das análises feitas são ligadas à soja.

“Se essas análises fossem feitas fora do Brasil, em vez de levar nove dias para ter uma resposta, isso levaria três meses”, resumiu Maíra Monteiro, cientista responsável pelo time de geração de dados da Syngenta Seeds.

*A jornalista viajou a convite da Syngenta



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