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quinta-feira, setembro 3, 2026

Com novo biológico, Sumitomo mira grãos mais resistentes ao clima

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Diante do desafio de margens apertadas nas principais commodities e da expectativa de um super El Niño, a Sumitomo apresentou, na noite desta quarta-feira, sua nova arma: um biológico que torna as plantas mais resistentes às oscilações climáticas, e com um relevante ganho de produtividade.

O produto, chamado TopGrain, é mais um passo na direção dos bioinsumos da Sumitomo Chemical. A vertical do conglomerado japonês contempla o AGRONEGÓCIO, com foco em defensivos químicos e, mais recentemente, em biológicos — que a empresa organiza em um braço chamado biorracionais.

Inicialmente disponível para a soja e o milho, o novo biorracional, baseado no ácido abscísico, atua principalmente no enchimento dos grãos e na potencialização da produtividade.

Segundo a empresa, o ganho adicional chega a 3 sacas por hectare na soja, com custo extra abaixo de uma saca por hectare. No milho, o rendimento complementar atinge 7 sacas por hectare, com custo um pouco acima de 1 saca por hectare.

Em ambos os casos, os ganhos adicionais líquidos ficam próximos de 5% frente às produtividades médias da soja e do milho na safra 2025/26 no Brasil, de acordo com os dados da Conab.

A novidade não é uma alternativa aos fertilizantes, mas um adicional, detalhou Luciano Jaloto, diretor de Marketing no Brasil da Sumitomo Chemical, durante encontro com jornalistas, em São Paulo, parte de um evento global para apresentar o produto.

“É como se o fertilizante fosse o alimento, e o biorracional, uma vitamina que vai ajudar a absorver mais e melhor aquela comida”, ilustrou.

Para a Sumitomo Chemical, o TopGrain deve ser utilizado no campo em complementariedade com os defensivos químicos — uma premissa que a empresa vem salientando na expansão de seu portfólio de biorracionais.

A ideia inclusive é que o TopGrain, na forma de grânulos solúveis em água, seja aplicado junto dos defensivos pelos produtores, usando o mesmo maquinário e equipamento.

“O biorracional e o químico são compatíveis e complementares: o químico protege a planta de fungos, insetos ou ervas daninhas, enquanto o bio racionaliza a parte biológica da planta, expressando mais e melhor o potencial genético dela”, afirmou Alexandre Pires, diretor geral no Brasil da Sumitomo Chemical.

Por ora, o TopGrain está sendo introduzido nos Estados Unidos, na Índia e no Brasil — por aqui, o clima tropical demandou ajustes e testes adicionais. O produto é produzido nos EUA, mas a Sumitomo Chemical vislumbra no futuro passar a fabricá-lo no País.

No curto prazo, a empresa projeta lançar versões do insumo para outras culturas, como cana, algodão e frutas.

A novidade se junta a um portfólio que inclui produtos como os reguladores de crescimento vegetal baseados em hormônios naturais Abgasil e ProGibb, os bioinseticidas Xentari e DiPel e o inoculante biológico MycoApply.

Ainda nos planos futuros, a empresa planeja lançar seu primeiro biorracional voltado para áreas de pastagens.

O potencial dos biológicos

Segundo Pires, os biorracionais representam cerca de 18% do faturamento da Sumitomo Chemical no Brasil. O País responde por quase 80% do faturamento da frente na América Latina.

A empresa não segrega o quanto investe especificamente em biorracionais, mas diz que essa frente é prioritária nos investimentos em pesquisa e inovação que costumam consumir cerca de 7,5% do faturamento anual.

O potencial de crescimento nessa frente é grande, afirmou Henrico Bizão, gerente de Biorracionais no Brasil da Sumitomo Chemical. Segundo ele, mesmo com o recente aperto de margens na produção de grãos, o mercado de biológicos tem crescido 15% ao ano no Brasil na última década, batendo em 21% nos últimos três anos.

“As commodities não estão em um preço ruim historicamente, mas o nível de endividamento alto e o custo caro do crédito agravam o desafio”, diz o diretor geral.

Nesse contexto, a empresa acredita que entre deixar de aplicar para evitar um desembolso, ou fazer o esforço de integrar o biorracional visando aumentar a produtividade e, consequentemente, a margem, o produtor fará a conta correta.

“O manejo estabiliza o custo. Na cana, por exemplo, a adoção pode implicar de 4 a 7 toneladas adicionais por hectare, um benefício inclusive superior ao do químico. É a diferença entre ficar no positivo ou não”, diz Pires.

Na visão dele, a frente de biorracionais é uma avenida de crescimento para o faturamento, que bateu em R$ 4,1 bilhões em 2025.

Para 2026, embora Pires relate que “essa previsão mude toda semana por causa da volatilidade dos mercados, que hoje está muito grande graças à combinação de guerras, endividamento e crédito caro”, a expectativa é crescer “entre 7% e 8%” a receita. Até 2030, a ideia é ainda mais ousada: dobrar a Chemicals de tamanho.



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