A chuva aumentou nas regiões Sudeste e Nordeste. No campo, a precipitação excessiva atrapalha a colheita da soja principalmente em Goiás e em Minas Gerais. Segundo a Conab, pouco mais de 32% das áreas de soja do País foram colhidas, valor inferior ao verificado no mesmo período de 2025 e na média dos últimos cinco anos, ambos em torno dos 36,5%.
Como consequência, o plantio do milho também está mais lento que o normal, alcançando menos da metade da área prevista. A preocupação é que, a partir deste último decêndio de fevereiro, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), da Embrapa, indica que o risco de insucesso por conta do clima alcança 40% em Mato Grosso. Ou seja, há uma probabilidade de até 40% da lavoura sofrer perda severa por fatores climáticos.
Em Goiás e em Minas Gerais, desde o início de fevereiro, o risco de plantio de milho é considerado elevado e os dois estados instalaram apenas 28% e 20%, respectivamente.
Para piorar, a chuva não vai parar tão cedo. Até o final da primeira semana de março, aproximadamente, a precipitação será persistente sobre as regiões Norte e Nordeste, além dos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
No norte de Minas Gerais, estimam-se aproximadamente 200mm em sete dias, valor superior ao normal para 30 dias, que é de pouco mais de 100mm.
As atividades de colheita da soja e de plantio do milho avançarão lentamente nos próximos sete dias. E quanto mais tarde for semeado o milho, maior é a chance de a cultura enfrentar estiagem e calor excessivo a partir da segunda quinzena de abril nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O risco no Sul
Na região Sul e em parte da Argentina, a situação é outra, mas preocupa também. A estiagem aumenta as perdas em milho e soja a cada dia.
De acordo com a Emater-RS, a maioria das lavouras (85%) estão em fase reprodutiva, especificamente em florescimento (35%) e enchimento de grãos (50%) — períodos críticos para definição de rendimento.
Nos próximos 15 dias, justamente o Rio Grande do Sul será o estado que menos receberá chuva no centro e sul do Brasil, com menos de 25mm. Além disso, espera-se calor excessivo e persistente a partir do próximo fim de semana e por pelo menos dez dias.
Na Argentina, a estiagem é mais intensa nas Províncias de Entre Rios, Buenos Aires e La Pampa. A chuva forte acontece em outras áreas produtoras, como a Província de Córdoba, nos próximos sete dias. A precipitação deverá espalhar por todo o país apenas a partir da segunda semana de março.
Preocupação nas cidades
Nas cidades, chamou a atenção nos últimos dias a chuva forte e concentrada nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Ubá. Foram 190mm em Juiz de Fora, mais que o normal para todo o mês de fevereiro, que é de 170mm. O acumulado de chuva também foi muito elevado no litoral paulista, com pouco mais de 500mm em sete dias em Peruíbe.
A umidade do solo está elevada nas duas regiões, e qualquer precipitação nos próximos dias, mesmo com baixo acumulado, pode desencadear deslizamentos de encosta, especialmente na Zona da Mata de Minas Gerais.




