29.1 C
São Paulo
quinta-feira, agosto 6, 2026

Biológicos veem avenida de crescimento no Paraguai

DEVE LER


Para algumas das principais empresas de biológicos que desbravaram o Paraguai, o vizinho vem ganhando ares de avenida de crescimento. Se no Brasil o cenário é de tensão, com margens pressionadas, endividamento, juros altos e indisponibilidade de crédito, no vizinho o ambiente é mais promissor.

“O Paraguai se tornou um lugar importante para nós. Está com juros de 5,5%, fora as outras vantagens, como a energia barata. Isso dá uma rentabilidade maior que ajuda a investir mais, não só nos biológicos”, afirma Marcos Petean, CEO da Gênica, que atua no país desde 2022.

André Kraide Monteiro, CEO da Agrivalle, concorda com a avaliação, embora ressalve que “o percentual de adoção ainda é mais baixo que no Brasil e tem muito a crescer”. A fabricante de biológicos de Indaiatuba, no interior paulista, está no Paraguai desde 2024.

Segundo Kraide, a despeito de a produtividade ainda não alcançar o patamar do Cerrado brasileiro, a maior rentabilidade eleva o apetite para tecnologias, incluindo bioinsumos.

“A velocidade de adoção chama a atenção: embora a área plantada não seja comparável à do Brasil, a oportunidade é de uma curva mais acentuada”, disse.

Em março, a Agrivalle, fundada em 2002 em Indaiatuba (SP), teve uma participação comprada pela Agrihold, uma holding de distribuição com atuação no Paraguai por meio da Agrotec.

Após o negócio, o momento é de fortalecer a presença, ele diz. “A gente já cobria as principais regiões produtoras, mas a Agrotec abrange todo o país. E tem proximidade com produtores, cooperativas e revendas, além de uma equipe capacitada de assistência técnica. Para o setor de biológicos, essas coisas são essenciais.”

Kraide também espera crescer no Paraguai em outras lavouras além da soja. “O mercado de milho é menor, porém mais aberto à adoção de híbridos de alta tecnologia. A gente espera ter espaço para bionematicidas e biofungicidas nessa cultura, também.”

Ambos dizem que uma eventual incursão ao Chaco, a zona semiárida a noroeste do país que é uma fronteira agrícola em consolidação, ainda depende de avaliações.

“Nossa operação está mais no sul. Do ponto de vista de produção e de crédito, é uma região mais segura. O norte tem questões de clima e solo que exigem mais apetite a risco”, diz Petean.

“Nosso pessoal vai começar a estudar a viabilidade técnica junto com a Agrotec. Os maiores limitadores são o clima e a água, mas vejo com bons olhos, porque diferente de 20 anos atrás, hoje temos mais ferramentas para uma transformação.”

Em outro aspecto, Kraide diz que o registro de produtos no Paraguai é mais rápido do que no Brasil, pois permite aproveitar parte do conteúdo das solicitações originais — uma flexibilidade regulatória que é vista como mais uma vantagem do vizinho.

“Nossos principais produtos já estão liberados ou em fase de registro. E se já tiver sido registrado aqui, é possível aproveitar os testes de ensaio e trabalhos regulatórios lá.”

Já uma eventual produção de bioinsumos no Paraguai ainda enfrenta um gargalo importante: a falta de mão de obra qualificada. “Tem gente fazendo estudos para levar industrialização, mas não é uma demanda braçal. Para uma fábrica, vou ter desafios para achar agrônomos, biólogos e especialistas em fermentação”, diz Petean.

Demandas similares

Segundo o CEO da Gênica, as demandas por produtos são similares nos dois países. Assim como no Brasil, o problema da agricultura tropical também existe no Alto Paraná, com uma pressão muito relevante de pragas, doenças e nematoides, ele diz.

“A demanda é parecida: bionematicidas e inoculantes para solubilização de nutrientes, aumento da eficiência do uso de água e manchas foliares.”

Kraide reforça essa visão: “Eles usam bastante inoculantes, para soja, além de alguma coisa de nematicida, vitaminas de sementes e fungicidas foliares”.

Segundo ele, a Agrivalle está olhando com atenção as soluções ligadas ao solo. “Não só o controle, mas a regeneração”, diz.

Se em um primeiro momento áreas de transição viraram agricultura, agora o pensamento daqueles produtores é qualificar a terra. “E com um olhar não só de sustentabilidade, mas de produtividade, para ter oscilação menor de resposta negativa em relação ao clima.”



Fonte Link

- Publicidade -spot_img

Mais Artigos

- Publicidade -spot_img

Último Artigo