Em uma decisão histórica, a Suprema Corte americana livrou a Bayer de dezenas de milhares de processos que acusavam a companhia de ter omitido do rótulo do Roundup — o emblemático herbicida glifosato desenvolvido pela Monsanto — o alerta de risco de desenvolvimento de câncer.
A decisão, proferida nesta quarta-feira por 7 votos a 2, fez as ações da Bayer dispararem. Os papéis chegaram a subir 20% na bolsa de Frankfurt. É a maior valorização desde 2003, segundo a Bloomberg.
O resultado do julgamento tem potencial para encerrar um conflito que se arrasta há uma década. A Bayer já gastou US$ 10 bilhões em multas de processos envolvendo o glifosato, e ainda assim não conseguiu resolver o problema.
Neste momento, a gigante alemã tenta formalizar um acordo coletivo no qual se propõe a pagar mais US$ 7,25 bilhões em indenizações.
Se fosse derrotada na Suprema Corte, a Bayer ficaria sem a certeza de que o acordo coletivo bastaria para encerrar o caso. Agora, é provável que a questão esteja mais próxima de um capítulo final.
A disputa envolvendo o herbicida glifosato destruiu bilhões em valor de mercado da Bayer, e o CEO da companhia Bill Anderson chegou a avaliar se não seria razoável parar de produzir glifosato.
Desde a aquisição da Monsanto, anunciada há dez anos como o maior M&A já feito por uma companhia alemã, as ações da gigante recuaram cerca de 50%, um reflexo direto dos problemas com o glifosato.
Na bolsa de Frankfurt, a Bayer está avaliada em quase 53 bilhões de euros (o equivalente a R$ 313 bilhões).




