A crise da Agrogalaxy ganhou novos contornos nesta quarta-feira. Em mais uma evidência dos problemas enfrentados, a rede de revendas controlada pelo Aqua Capital anunciou o fechamento de mais uma série de lojas e o encerramento das atividades da Sementes Campeã, abrindo mão de um ativo que já foi a menina dos olhos da companhia.
Em um breve comunicado, a Agrogalaxy citou as “perspectivas desafiadoras do mercado para 2026” como justificativa para a decisão de suspender as atividades da sementeira e “readequar” o tamanho da operação.
“A readequação do tamanho da operação tem o objetivo de permitir à companhia gerar receitas suficientes e honrar os compromissos com clientes, fornecedores, parceiros, credores e os colaboradores que seguem na nova jornada de negócios em busca da retomada dos resultados”.
Não há detalhes sobre o número de lojas fechadas, mas fontes afirmam que as revendas em Minas Gerais estão entre as mais atingidas pelos cortes feitos pela Agrogalaxy. Os cortes também atingem as regiões Sul e o Cerrado.
A decisão de fechar mais lojas mostra o grau de dificuldade que o mercado vem impondo às distribuidoras de insumos. Mesmo já tendo fechado mais de 75 lojas e sofrido uma redução brutal de faturamento de 70% após a recuperação judicial, a Agrogalaxy parece não ter conseguido estabilizar o negócio.
Há menos de três meses, a rede controlada pelo Aqua Capital chegou a anunciar uma mudança na estratégia de marcas, retomando as bandeiras Agro100, Rural Brasil e AgroCat em uma tentativa de se reaproximar do campo.
À época, o CEO da Agrogalaxy, Eron Martins, chegou a dizer que a companhia havia chegado ao “número ideal” ideal de lojas para trabalhar: 65. Com os fechamentos desta quarta-feira, a frase foi superada pelos fatos.
Ainda não está claro o número de demissões na Agrogalaxy, mas elas devem passar de uma centena considerando que só a sementeira tinha pelo menos 80 funcionários, estimou uma fonte da indústria.
No LinkedIn, o anúncio de funcionários de saída da companhia já circulava. Entre eles, estava o coordenador de originação de grãos e barter Lincoln Arthur, baseado em Londrina. O executivo tinha quatro anos de casa, e passagem por gigantes como Louis Dreyfus.
O fim da Sementes Campeã
De todas as decisões anunciadas pela Agrogalaxy nesta quarta-feira, a mais emblemática é o fim da Sementes Campeã. Além de ressaltar a gravidade dos problemas enfrentados pelas sementeiras brasileiras, que sofrem com estoques abarrotados e escassez de crédito, o desfecho escancara como um ativo valioso pode virar pó em pouco tempo.
Há dois anos, a sementeira da Agrogalaxy atraía interessados, e a companhia chegou a mandatar o Santander para buscar um comprador para a Campeã, o que poderia ajudar a capitalizar a rede de revendas para enfrentar a crise.
A área de private equity da Vinci Compass chegou a ser sinalizar com uma oferta pela sementeira da Agrogalaxy, mas o Aqua Capital recusou a abordagem. “Rasgaram R$ 250 milhões”, calcula um executivo.
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Listada na B3, a Agrogalaxy está avaliada em apenas R$ 72 milhões, uma fração dos R$ 1,7 bilhão que a companha chegou a ser avaliada na bolsa.




