Os credores da FS no mercado de capitais brasileiro aprovaram a compra de 40% da produtora de etanol de milho pela Amaggi. É o que mostra o desempenho dos CRAs (Certificados de Recebíveis do AGRONEGÓCIO) da companhia no mercado secundário.
Desde o anúncio da transação, no dia 13, houve uma redução de spreads (em outras palavras, os títulos subiram de preço), refletindo a percepção de um menor risco de crédito.
Dados compilados pela plataforma Vitrify mostraram uma redução de 200 pontos-base no maior CRA da empresa indexado ao CDI (uma emissão de R$ 750 milhões com vencimento em 2029).
A análise da Vitrify, que parte de dados compilados pela Anbima e pela B3, mostra que a taxa indicativa no dia 13 de maio era de CDI+5,66% e, no dia 20 de maio, já estava em um patamar de CDI+3,28%. Vale ressaltar que esses dados são uma média, em um mercado ainda bastante opaco para ser acompanhado na lupa.
Na ponta, operadores de mercado têm indicado níveis em torno de CDI+2,25% para o investidor adquirir um CRA da empresa e de CDI+3,75% para vender os papeis — patamares ainda acima do nível de emissão do papel.
Ou seja, mesmo com um viés positivo sobre a transação, investidores ainda exigem mais prêmio para carregar esses títulos do que em 2022 e 2023, quando os CRAs foram lançados. Os três CRAs indexados ao CDI foram emitidos a patamares que vão de CDI+2% a CDI+2,90%.
E os bonds?
Para analistas, mesmo com a transação sendo vista como positiva estrategicamente tanto para a FS como para a Amaggi, uma visão mais cautelosa sob a ótica de crédito se mantém sobre a companhia de biocombustíveis.
Em umrelatório publicado na semana passada, o JP Morgan manteve a avaliação “neutra” para os bonds da FS, tendo em vista que o dinheiro injetado no caixa com a transação não deve mudar os rumos do negócio — ainda que o novo acordo de acionistas, com uma distribuição menor de dividendos, seja um potencial benefício.
“A entrada de Amaggi e a política de dividendos revisada são um ponto positivo moderado, embora, com apenas três das oito cadeiras do conselho, sua capacidade de influenciar a política financeira da empresa permaneça limitada”, escreveu a analista Florencia Palacios.
Essa é uma justificativa, na visão dela, para que os títulos negociados internacionalmente com vencimento em 2033 e 2036 mantenham um patamar de risco condizente com a empresa mesmo estando na faixa superior de spreads em relação aos pares na América Latina. No início da semana, os títulos eram negociados a taxas de 8,8% e 9% ao ano, respectivamente.




