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quinta-feira, julho 9, 2026

A tese da BrasilAgro para valorizar terras no oeste baiano

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JABORANDI (BA)* — Um trajeto de mais de 500 quilômetros separa Brasília de Jaborandi, no oeste baiano.

A bordo de um SUV, a reportagem cruza a fronteira de Goiás com a Bahia imersa em um mar de algodão, milho e sorgo, muitas vezes sem sinal de celular, mas com a preciosa contribuição de um aplicativo de mapa de relevo que funciona mesmo offline.

É tempo de safrinha. Na Arrojadinho, o algodão viceja sob os pivôs.

Adquirida pela BrasilAgro em 2020, a propriedade de 11,7 mil hectares agricultáveis é a primeira da empresa a receber um investimento em irrigação, um projeto com potencial de trazer retornos substanciais.

A meta é valorizar o ativo com os investimentos em irrigação. Na Arrojadinho, o projeto começou há três anos, quando a BrasilAgro captou R$ 165 milhões em debêntures incentivadas.

“Implementamos quase 70% do projeto”, contou André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, em entrevista ao The AgriBiz. O plano é contar com 4,2 mil hectares irrigados. Desses, 2,9 mil hectares já estão com os pivôs em operação, e a previsão é concluir o investimento em 2027.

Um retorno diferente

A decisão de investir em irrigação é um retrato das transformações do oeste baiano, que há duas décadas era uma das fronteiras agrícolas mais promissoras do País.

Quando a BrasilAgro chegou à região pela primeira vez, entre 2006 e 2007, a companhia conseguia comprar terras a 50 sacas de soja por hectare. Para valorizar a área, investia o equivalente a 80 sacas por hectare e comercializava as terras a 300 sacas por hectare.

Hoje, isso não é mais possível. As terras agora custam 200 sacas de soja por hectare. Quando se considera um investimento de mais 100 sacas por hectare para desenvolver a área, o retorno deixa de fazer sentido. “O que adianta colocar 100 para vender por 350?”, indaga Guillaumon.

A aposta da BrasilAgro é que a irrigação vai multiplicar o retorno. Atualmente, um investimento em irrigação custa o equivalente a 200 sacas de soja por hectare, mas Guillaumon vê a possibilidade de comercializar as terras por mil sacas por hectare daqui a alguns anos.

“O pivô é uma vaca leiteira, está produzindo o ano todo. Quando você tem pivô, faz dois cultivos por ano nessa região do oeste da Bahia”, afirmou Guillaumon.

A estrutura da Arrojadinho

Nas áreas irrigadas da Arrojadinho, a BrasilAgro planta soja e algodão. Fora dessas áreas, cultiva milho e sorgo, além de ter pecuária dentro da propriedade, com cerca de 1,2 mil cabeças de gado para engorda.

Em média, a instalação dos pivôs na fazenda custa R$ 25 mil por hectare. Também demanda um trabalho adicional envolvendo energia elétrica e, no caso dessa fazenda, a escavação de poços artesianos para abastecer os equipamentos.

Atualmente, a fazenda conta com uma subestação de 10 MW de potência, além de sete poços artesianos (que fornecem 500 mil litros por hora). Essa água é bombeada até um canal de 2,7 quilômetros e depois distribuída por diferentes encanamentos para os pivôs.

A empresa conta com a outorga para captar água de dois rios presentes nas imediações das propriedades — o Arrojado e o Pratudão. A meta, além de bombear água dos rios, é interligá-los ao longo do tempo, uma “ponte” de 11 quilômetros de distância.

“O foco é ter uma segunda opção caso a bomba dê problema”, conta Guillaumon. Em média, leva-se pelo menos cinco dias para consertar uma bomba quebrada, o que explica a necessidade de um backup.

O payback do projeto

Na fazenda, a maior parte das áreas a receber irrigação (cerca de 2 mil hectares) foram as mais antigas em termos de produção. Elas já tinham sete anos de trabalho quando a BrasilAgro assumiu as terras.

Outras fazendas vizinhas, também administradas pela companhia, são mais jovens, com cerca de três anos de plantio.

Segundo Guillaumon, começar o projeto pelas áreas mais antigas tem uma justificativa financeira. Ao adotar essa estratégia, a companhia consegue fazer o ciclo soja-algodão nessas áreas, o que acelera o payback.

“No sistema soja-algodão, esse payback está na casa de cinco a seis anos. Se eu vou para um sistema em que não posso fazer esse plantio por conta da fertilidade, o payback vai para a casa de dez, doze anos”, explicou o CEO da BrasilAgro.

*A jornalista viajou a convite da BrasilAgro



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