Enquanto as commodities ainda direcionam as atenções da vasta maioria dos players do AGRONEGÓCIO, uma oportunidade de retornos fora da curva pode estar passando despercebida dos engajados na agricultura brasileira.
A transformação de pastagens em áreas de cultivo de frutas tem potencial para abrir uma nova fronteira agrícola no País, capaz de transformar o Brasil em uma potência exportadora de culturas de maior valor agregado.
Depois de quase dois anos embrenhada no assunto, a Barn Investimentos não só comprou a tese como já atraiu investidores.
Mais conhecida pela área de venture capital, a gestora liderada por Flavio Zaclis fundou a Altitude, uma companhia agrícola formatada para desenvolver o mercado de culturas de valor agregado.
A primeira tacada ocorreu no mês passado. A Altitude fechou a aquisição de uma fazenda de 200 hectares no sul de Minas Gerais, próximo ao município de Poços de Caldas.
Lá, a empresa fará a conversão da fazenda, antes destinada ao cultivo de soja e à criação de gado, para a produção 100% irrigada de avocado, um projeto que levará quatro anos para render os primeiros frutos.
Mas a ambição da Altitude vai muito além, e pode incluir desde a aquisição de novas áreas até o arrendamento e parcerias com outros produtores. No curto prazo, a empresa vai originar avocado de terceiros para testar as águas no mercado internacional.

No longo prazo, a companhia quer liderar o movimento para fazer do Brasil uma potência exportadora de avocado, seguindo um caminho trilhado por países como o Peru, que abocanhou quase 20% do mercado de exportações em uma década.
“A história do Peru é impressionante. Há 15 anos, era irrelevante e hoje é uma potência”, disse Zaclis ao The AgriBiz, citando o trabalho que o país fez para ganhar mercados — os acordos de livre comércio também ajudaram —, o que incluiu certificações e apoio institucional.
A explosão do avocado
Para ele, o Brasil pode trilhar esse caminho. “O avocado é uma fruta altamente demandada e a produção ainda é muito concentrada em poucos países. O Brasil tem todas as condições para ser altamente relevante”, afirmou Zaclis.
Atualmente, México e Peru dominam as exportações de avocado, com 60% das exportações globais. Na sequência, aparecem Israel, Espanha e Quênia, com pouco mais de 4% cada.
À exceção do Quênia, os maiores exportadores de avocado não têm grande potencial para expansão da produção, seja por escassez de áreas ou por falta de água e desafios climáticos.
É uma oportunidade e tanto para o Brasil, especialmente porque o consumo global de avocado não para de crescer. Pelas projeções da OCDE, o avocado vai desbancar o abacaxi e se tornará a segunda fruta tropical mais comercializada até 2030, perdendo apenas para a banana.
Com tanta demanda, os preços respondem. Em três décadas, os preços de exportação triplicaram. Na Europa, o avocado passou de US$ 1,50 por quilo em 2012 para US$ 2,40 por quilo em 2022.
Margens saborosas
Nesse ambiente, a lucratividade é um chamariz. Para a Altitude, o investimento no cultivo de avocado traz uma dupla camada de retorno para os investidores: a valorização das terras e a rentabilidade da fruta.
“Vamos ter dois benefícios. Criamos um negócio com uma atividade que deve render um belo fluxo de caixa e valorizo minha terra. Pegamos a terra bruta e vamos transformar em um negócio que é altamente produtivo, reduzindo muito o risco com irrigação”, resumiu Zaclis.
O cultivo de avocado é capaz de trazer uma receita de até R$ 225,8 mil por hectare, com uma margem líquida de 50%. Para se ter uma ideia comparativa dos resultados, o cultivo de grãos possui uma margem líquida de pouco mais de 20%, e uma receita de R$ 7,2 mil por hectare.
A valorização das terras de culturas de maior valor agregado também impressiona. Em regiões que possuem vocação para o cultivo de frutas desse perfil, as terras chegam a mais de R$ 300 mil por hectare. Enquanto isso, as terras da SLC Agrícola, maior produtora de grãos do País, valem R$ 58,9 mil por hectare útil.
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Altitude, o nome de batismo da companhia agrícola fundada pela Barn, não é à toa. A companhia busca fazendas em áreas com altitude superior a 800 metros, com temperatura amena e mais adequada ao cultivo das frutas.




