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terça-feira, junho 30, 2026

A estratégia da Corteva para lançar um produto por ano até 2036

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MOGI MIRIM (SP)* — Uma das principais bases de pesquisa e desenvolvimento da Corteva no mundo fica a pouco mais de duas horas da capital paulista. Fundado há 40 anos, com quase 42 hectares, o polo reúne hoje mais de 100 hectares agricultáveis — e busca um protagonismo cada vez maior nos lançamentos de defensivos para o Brasil.

Na próxima década, a Corteva planeja lançar pelo menos um produto novo por ano globalmente. O mix é formado por três fungicidas, três herbicidas, três inseticidas e um produto biológico.

“São produtos que já estão nos últimos estágios de desenvolvimento”, disse Rodrigo Neves, diretor de P&D para a América Latina, a jornalistas durante uma visita ao centro de P&D da Corteva em Mogi Mirim (SP).

No rol desses lançamentos futuros, tem destaque no mercado brasileiro um fungicida, já em fase de registro, que promete ser uma alternativa adicional no combate à ferrugem e à cercospora na soja, além de poder ser usado contra a ramulária no algodão.

Trata-se de um produto à base de um novo grupo químico, chamado Picolinamida. Segundo Lucas Navarini, doutor em fitopatologia, a inovação MARCA o fim de um jejum de dez anos sem lançamentos de novos grupos químicos no mercado.

“É um produto que ajuda a compor a caixinha de ferramentas que o produtor tem à disposição no manejo de resistências”, resume Marcus Santos, líder de agronomia da Corteva no Brasil e Paraguai. O produto já foi submetido às autoridades locais para aprovação.

A empresa também estuda soluções para combater outros problemas que tiram o sono de produtores, como a mancha alva (que tem crescido muito no Mato Grosso), além do combate ao capim pé-de-galinha.

“Mostramos alguns testes que fizemos por aqui e, nas demonstrações, algumas pessoas já queriam até saber quando poderiam levar para casa”, brinca Santos.

No ano passado, mais de seis mil pessoas visitaram as instaçãoes da Corteva em Mogi Mirim, incluindo agrônomos de grupos como Maggi, SLC, Scheffer, Citrosuco e pesquisadores da Esalq-USP.

Expansão

Não é só em químicos que está o foco da Corteva em lançamentos para os próximos anos. De olho no mercado brasileiro, a multinacional vê espaço para crescer na oferta de soluções biológicas — um dos motivadores da expansão do centro de pesquisa de Mogi Mirim, anunciada nesta quarta-feira.

Há cerca de dois anos, a empresa lançou ao mercado o Ultrisha, produto focado na retenção de nitrogênio no solo para o cultivo de soja e milho. Nesse intervalo, segundo Santos, já ficou comprovado que, na média, o produto conseguiu trazer um incremento de dois sacos de soja por hectare e de seis sacas por hectare no milho.

Mas a empresa quer mais.

No estudo dos químicos, principalmente, a empresa recebe amostras dos Estados Unidos para testar combinações físico-químicas na compatibilidade do solo brasileiro. Lá, a capacidade laboratorial é bem mais sofisticada do que por aqui (com equipamentos como aceleradores de prótons, por exemplo).

Porém, é no Brasil que os testes a campo ganham protagonismo. Não há fazendas disponíveis para testes nas instalações de pesquisas dos Estados Unidos. Juntando esse fator com o clima brasileiro, Neves, o chefe de pesquisa e desenvolvimento, vê amplo espaço para crescer em biológicos por aqui.

Nesse espírito, a empresa vai construir 12 novas casas de vegetação em Mogi Mirim, além de um laboratório biológico, que, por meio de técnicas como a edição gênica, vai conduzir pesquisas em torno da evolução de pragas e doenças já alinhadas com as necessidades de clima e de ambiente do Brasil. As obras devem ser concluídas em 2029.

Globalmente, a empresa investe US$ 4 milhões por ano em pesquisa — lembrando que o desenvolvimento de um novo produto até o lançamento leva, geralmente, 15 anos.

Em Mogi Mirim, 80% dos testes realizados para novos produtos são dedicados ao que a empresa chama de “grandes cultivos”, como soja, milho e algodão. São pelo menos 700 testes a campo realizados por ano, podendo abranger, ao todo, 48 culturas.

***

A jornalista viajou a convite da Corteva.



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