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quarta-feira, julho 29, 2026

3tentos desaba 20% em dois dias com margem fraca no biodiesel

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Depois do tombo de 16% ontem, as ações da 3tentos emendam o segundo dia de queda nesta quarta-feira, levando os papéis ao valor mais baixo em quase dois anos. Por volta das 12h, o papel caía mais de 6%, cotado a R$ 12.

O selloff tem origem em reuniões com analistas, que tiveram duplo efeito negativo na percepção do mercado, tanto sobre os resultados como em relação à governança da companhia.

Nas conversas com analistas do sell side dos principais bancos, executivos da 3tentos indicaram que o resultado do segundo trimestre será bem pior do que o esperado para a divisão de esmagamento de soja e produção de biodiesel.

Alguns analistas já antecipavam uma deterioração nos resultados devido à piora nos preços do biocombustível. Mas, na conversa de ontem, a empresa da família Dumoncel indicou que o tombo será bem maior do que as projeções do sell side apontavam.

Segundo relatório divulgado pelo BTG nesta manhã, o negócio de esmagamento de soja historicamente entrega um lucro bruto unitário na casa de US$ 80 a US$ 90 por tonelada. No primeiro trimestre, chegou a US$ 106 por tonelada. No segundo trimestre, esse número pode chegar a US$ 75 por tonelada.

Caso esses números realmente se comprovem, isso significaria uma redução de R$ 100 milhões no lucro bruto da empresa para o trimestre, apontam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG.

A perspectiva de piora relevante nos números levou a uma revisão das projeções para o balanço do segundo trimestre, que será divulgado no dia 14 de agosto. Como consequência, alguns analistas revisaram também a expectativa de retorno do investimento nas ações da 3tentos.

O Citi, por exemplo, reduziu o preço-alvo da ação de R$ 20 para R$ 17. No curto prazo, além do desempenho mais fraco da divisão de biodiesel, o analista Gabriel Barra vê uma possível redução de guidance nas operações de biocombustíveis.

No biodiesel, as estimativas consideravam a implementação do B16 (o que ainda não aconteceu), enquanto o início da produção de etanol de milho acabou sofrendo atrasos.

Além disso, a 3tentos também considerava a viabilidade de compra de óleo de soja de terceiros para refinar, no início de suas operações da planta de biodiesel. Isso não parece mais viável, aponta o analista, uma vez que os preços do óleo de soja subiram, enquanto os do biocombustível caíram ao longo dos últimos meses.

Outro ponto de preocupação é o aumento nas despesas com vendas, gerais e administrativas — linha que já havia chamado a atenção no balanço do primeiro trimestre.

A aposta na tese continua

Apesar do susto, os analistas ressaltaram que a visão de longo prazo continua positiva. Tanto o BTG como o Citi mantiveram a recomendação de compra para o papel.

“Acreditamos que não há motivos para concluir que essa deterioração [de resultados] seja estrutural. As margens no segmento Industrial da 3tentos são inerentemente voláteis, como demonstra o histórico da própria empresa”, afirmam os analistas do BTG.

O banco projeta receita líquida consolidada de R$ 4 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 13% em relação ao ano anterior. O EBITDA, no entanto, deve cair 48%, para R$ 115 milhões, com margem de 2,9% — se confirmada, a pior em dois anos.

Ainda assim, não se trata de um efeito inédito, na visão deles — tampouco capaz de destruir a tese. “Uma queda de cerca de 15% no valor patrimonial parece excessiva para uma deterioração trimestral que deve ter implicações limitadas para a rentabilidade de longo prazo”, completam os analistas.

Para a equipe do BTG, o fato de a ação ser negociada a 6 vezes o lucro para 2027 é um patamar atrativo, que dificilmente será mantido daqui a um ano.

Patinando na comunicação

No mercado, o episódio deixou um desconforto em relação à comunicação da empresa, que estaria falhando na tarefa de educar o mercado em relação ao seu modelo de negócios, diz um analista.

O negócio de esmagamento de soja, novo na Bolsa, é inerentemente volátil, o que acaba tornando as projeções de resultados dos analistas mais difícil. Não é a primeira vez que esse tipo de divergência entre as projeções e os resultados assusta, lembrou o profissional.

Além disso, a reunião com analistas, sem divulgação do conteúdo aos demais investidores, acabou levantando questionamentos devido a uma suposta assimetria de informações. Apesar de reuniões com analistas serem autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e uma prática comum, a resolução 44 da autarquia determina que informações relevantes sejam divulgadas também ao mercado por meio de fato relevante.

Na B3, a 3tentos está avaliada em R$ 6 bilhões.

(Colaborou Luiz Henrique Mendes)



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