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quinta-feira, agosto 6, 2026

Na maior venda da história da Log, um efeito contábil pontual

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A Log Commercial Properties (LOGG3) registrou lucro líquido de R$ 58,7 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 32,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impactado por um efeito contábil pontual ligado à venda de R$ 1 bilhão em ativos para o fundo Itaú Log CP FII (ILCP11). Sem esse efeito, o lucro teria sido de R$ 178,2 milhões, alta de 104,7%.

A receita líquida cresceu 7,3%, para R$ 66 milhões, enquanto o EBITDA caiu 43,2%, para R$ 79,8 milhões. Desconsiderando o efeito da operação, o EBITDA ajustado teria avançado 60,5%, para R$ 225,3 milhões.

Segundo o CFO Rafael Saliba, a transação MARCA o início de uma nova frente de negócios com a Log Capital, gestora focada em desenvolvimento e gestão de ativos logísticos. A companhia também acumula R$ 1,3 bilhão em vendas de ativos no primeiro semestre, acima de todo o volume de 2025, e pode fechar novas operações ainda neste ano.

A Log mantém 17 obras em andamento, com 850 mil m² em desenvolvimento, concentrando os novos projetos no Nordeste. A estratégia é financiar a expansão por meio da reciclagem de ativos e ampliar receitas recorrentes com serviços e gestão de condomínios, em um modelo mais asset-light.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Log Commercial Properties (LOGG3) registrou lucro líquido de R$ 58,7 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 32,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado foi impactado por um efeito contábil pontual (one-off) decorrente da maior venda de ativos da história da companhia — uma transação de R$ 1 bilhão fechada com o fundo Itaú Log CP FII (ILCP11), estruturado pela Itaú Asset para adquirir o portfólio da companhia.

Rafael Saliba, CFO da Log, explicou ao NeoFeed que a operação permitiu à empresa reter parte da receita de gestão do fundo criado para abrigar os ativos, via um contrato de consultoria imobiliária estruturado pela Log Capital.

Isso gerou uma receita recorrente futura, mas também trouxe custos de estruturação da operação reconhecidos de uma só vez no trimestre.  As despesas somaram R$ 157,4 milhões — ante apenas R$ 465 mil no mesmo período do ano passado —, contabilizadas na linha de “outras despesas operacionais” do balanço. Sem esse efeito, o lucro do período teria sido de R$ 178,2 milhões, alta de 104,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita líquida da companhia somou R$ 66 milhões no trimestre, alta de 7,3% em relação ao segundo trimestre de 2025. Já o Ebitda ficou em R$ 79,8 milhões, queda de 43,2% na comparação anual — também afetado pelo mesmo efeito contábil da venda de ativos. Sem essa distorção, teria somado R$ 225,3 milhões, alta de 60,5% ante o mesmo período do ano passado.

“Contabilizamos todas as despesas neste trimestre, mas a receita vem no fundo, no decorrer do tempo”, afirma Saliba. Segundo o executivo, esse arranjo deve gerar cerca de R$ 5 milhões por ano em receita recorrente, mas também exigiu o reconhecimento imediato dos custos de estruturação e distribuição da operação no balanço do trimestre. “Mas isso compensamos rapidamente, em dois a três anos.”

Mais do que o ganho direto do negócio, o CFO destaca que a operação abre uma nova linha de negócio na empresa que, segundo ele, é o verdadeiro movimento estratégico por trás da transação. “Temos muitos projetos em desenvolvimento e, como uma estratégia de gestão de capital, podemos trazer sócios para o desenvolvimento por meio da Log Capital.”

Focada exclusivamente no setor imobiliário e logístico, a gestora terá foco tanto no desenvolvimento de novos empreendimentos quanto na gestão de ativos já performados. O credenciamento segue em andamento junto à CVM, com previsão de que a gestora comece a operar definitivamente ainda em 2026.

Rumo ao recorde de vendas?

Com a conclusão da venda ao fundo ILCP11, somada à alienação do ativo Recife 2 por R$ 210 milhões, a Log CP acumulou R$ 1,3 bilhão em vendas de ativos no primeiro semestre de 2026 — volume que já supera o total registrado ao longo de todo o ano de 2025, quando a companhia recebeu cerca de R$ 941,5 milhões em vendas de ativos.

O volume de vendas no ano, segundo Saliba, deve continuar crescendo. “Não temos nenhum valor pré-determinado para a venda, mas podemos chegar a mais R$ 500 milhões. Tudo depende das circunstâncias”, disse.

A venda de ativos faz parte da estratégia de reciclagem de portfólio da companhia. A Log vende plantas maduras e estabilizadas — geralmente já 100% locadas e com contratos de longo prazo — para fundos imobiliários, usando o capital levantado para financiar o desenvolvimento de novos projetos.

O foco dos novos projetos da Log tem sido, sobretudo, regiões com infraestrutura logística menos consolidada — especialmente o Nordeste, que responde por 40% a 50% do plano de desenvolvimento da companhia até 2028. O restante fica distribuído entre Sul, Centro-Oeste e Sudeste fora do eixo São Paulo-Rio, como Minas Gerais e Espírito Santo.

“Temos vantagem fora do eixo Rio-São Paulo em relação ao próprio eixo, porque a disputa e a oferta estão mais presentes aqui”, afirmou o CFO. Dentro do plano “Log 2 Milhões” — que prevê a entrega de 2 milhões de m² até 2028 —, a companhia ainda tem 1,5 milhão de m² entre obras em curso e land bank a desenvolver.

Desenvolvimento a pleno vapor

A demanda por novos projetos da Log segue puxada majoritariamente pelo e-commerce —  setor que hoje responde por quase 50% da concentração de clientes da companhia, segundo Saliba. “É uma consequência natural da oportunidade que está aí no mercado”, comentou o CFO. Segundo ele, ainda há espaço para dobrar a penetração do segmento no país, e a chegada cada vez mais forte de players chineses tem aquecido a demanda.

O ritmo de expansão da Log está no maior nível da história da companhia. São 17 obras simultâneas em andamento, somando cerca de 850 mil m² em desenvolvimento.

“O volume de entregas neste ano não deve ser muito representativo dentro desse volume, porque a gente tem mais obras ainda no estágio inicial.” O capex anual do plano gira entre R$ 850 milhões e R$ 1 bilhão, financiado majoritariamente pela reciclagem de ativos.

Uma vantagem adicional de direcionar o plano para o Nordeste, segundo Saliba, vem do acesso a linhas de financiamento com bancos e agências de fomento regionais — mais baratas do que a captação tradicional da companhia, feita hoje via CRI.

“Estamos começando a acessar essas linhas”, afirmou o CFO. Segundo ele, a Log já tem sete projetos pré-aprovados nessas condições. O potencial de captação nessa frente, diz, chega a R$ 1 bilhão, a ser desembolsado de forma gradual nos próximos anos.

Serviços crescem na receita

Outra frente em expansão na companhia é a de serviços, que inclui LOG Adm, FIIs e energia e cuja receita somou R$ 8,6 milhões no segundo trimestre de 2026 — 61,6% acima do mesmo período do ano passado. No trimestre, a área representou 13,1% da receita líquida total, contra participação de 8,7% no mesmo trimestre de 2025.

O crescimento tem sido puxado pela plataforma de gestão de condomínios logísticos da Log, que cresceu 25% em área administrada no semestre, para cerca de 3 milhões de m², segundo Saliba. Desse total, entre 600 mil e 700 mil m² são de ativos que a Log não desenvolveu — ou seja, condomínios de terceiros que passaram a contratar a gestão da companhia no mercado aberto.

Além disso, a companhia tem buscado manter o serviço mesmo nos ativos vendidos como parte do plano de reciclagem — segundo Saliba, isso ocorre em mais de 90% das transações. “Esse crescimento da nossa plataforma de serviços gera receita recorrente e cresce sem ter capital empregado. A companhia está executando muito bem essa estratégia para tornar o modelo mais asset-light.”



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