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quarta-feira, agosto 5, 2026

Inpasa produz biodiesel e etanol de cana no Paraguai

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Para a Inpasa, uma das mais famosas empresas com atuação no Brasil e no Paraguai, o caminho para se tornar brasiguaia foi o inverso: a líder do mercado brasileiro de etanol de milho nasceu em 2006 em Nueva Esperanza, e veio ao Brasil anos depois, em 2017.

“A Inpasa fez uma revolução no Paraguai. No país, todo mundo que dirige um veículo, come um pedaço de carne ou toma uma Coca-Cola está consumindo Inpasa”, diz Enzo Olmedo, diretor da Inpasa Paraguai.

Segundo ele, a tese original da empresa era responder à falta de refinarias de petróleo no Paraguai, que obrigava — e ainda obriga — a importação de todo o volume de combustíveis fósseis. Em paralelo, o governo do país manifestava a intenção de criar mandatos para mistura do etanol na gasolina — atualmente, a mistura local é de 25% a 30%.

“Começamos no álcool de mandioca, não deu certo. Tentamos de cana e fomos para o açúcar, que hoje é uma unidade importante. E aí vimos que os cereais eram o futuro do etanol. Foi um processo de dez anos de aprendizagem e amadurecimento”, diz Olmedo.

A empresa estreou na produção de etanol de milho no Paraguai, em 2008. Com os ensinamentos, abriu uma segunda planta no país, em São Pedro.

Depois, veio a expansão internacional. Em um primeiro momento, considerou outros países, como Colômbia, Bolívia e Argentina, segundo Olmedo.

Mas a decisão acabou sendo pelo Brasil, onde hoje existem seis unidades em operação: Sinop (MT), Nova Mutum (MT), Sidrolândia (MS), Dourados (MS), Balsas (MA) e Luís Eduardo Magalhães (BA). Há ainda duas plantas em construção: Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT), com conclusões previstas para o primeiro trimestre de 2027.

Hoje, o grosso da operação fica no Brasil: para se ter uma dimensão, considerando apenas o etanol de milho, a produção é de 1,3 milhão de litros por dia no Paraguai, contra 16 milhões no Brasil. Com as novas plantas, a capacidade no Brasil será elevada dos atuais 6,7 bilhões de litros por ano para mais de 8 bilhões de litros por ano.

A rapidez do crescimento, segundo o diretor, se deveu à combinação de eficiência, inovação e armazenagem — permitindo originar matéria-prima de raios mais distantes, de até 500 quilômetros, para guardar por até um ano e, com isso, dosar os custos.

Mesmo muito abaixo da produção da empresa no Brasil, o volume no Paraguai já foi suficiente para alterar o destino do milho produzido naquele país. Se antes os volumes do grão eram quase inteiramente destinados para exportação, agora, há um consumo interno cada vez mais aquecido por frigoríficos e pela Inpasa.

Segundo Olmedo, a empresa sozinha consome pouco mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano no Paraguai — cerca de 16% da safra de milho estimada em 2025/26, de quase 6 milhões de toneladas.

Somando ambos os países, o faturamento da Inpasa chegou a expressivos R$ 22,8 bilhões em 2025, com Ebitda de R$ 7,3 bilhões.

Biodiesel

A empresa também explora a plataforma binacional para ampliar margens, como uma vantagem competitiva frente aos rivais. Por exemplo: no Paraguai, ao contrário do Brasil, onde foca 100% o etanol de milho, a Inpasa é uma produtora de biodiesel.

A operação na planta de São Pedro usa óleo térmico de milho, um subproduto da produção de etanol de milho em Dourados (MS). Graças à Lei de Maquila, que isenta impostos para operações que visam a exportação, a empresa compra a matéria-prima do Brasil sem taxas e, com ela, produz biodiesel que exporta também sem impostos.

A Inpasa também pretende comercializar biodiesel no mercado interno paraguaio, segundo Olmedo, aproveitando a elevação da mistura obrigatória do biocombustível no diesel, para entre 8% e 10% a partir deste mês.

A produção chega a 73 milhões de litros por ano — para comparação, a Be8, líder no Brasil, produziu 1,3 bilhão de litros em 2025.

Essa integração entre etanol de milho e biodiesel, vale pontuar, vem sendo cada vez mais explorada por empresas de biocombustíveis no Brasil, especialmente no Centro-Oeste.

Etanol de cana

Outra diferença entre as operações da Inpasa nos dois países é que no Paraguai, a empresa também produz etanol a partir da cana — e açúcar.

Isso é fruto de duas leis de 2024 que exigiram que ao menos 50% do etanol utilizado na mistura de combustíveis tenha origem na cana-de-açúcar.

A medida é vista como uma tentativa de fortalecer a produção agrícola nacional e uma proteção para os produtores de cana, em sua maioria agricultores familiares, e aos trabalhadores do setor. Depois, em 2025, outra lei estipulou a mistura obrigatória de etanol na gasolina em 30%.

“É uma dificuldade que a gente vai administrando como uma oportunidade”, diz Olmedo sobre a legislação.

O perfil do etanol produzido, seja pela cana ou pelo milho, também é distinto nos dois países: embora a proporção flutue por “necessidades de momento”, costuma ser de 90% anidro e 10% hidratado no Paraguai, ante 80% hidratado e 20% anidro no Brasil — um reflexo do consumo, no País, de etanol nas bombas na forma hidratada.

Segundo o diretor, “o que tem de mais imediato” nos planos de crescimento é a expansão no Brasil. Mas a empresa “não deixa de olhar o Paraguai”, graças às vantagens em pontos como taxação, mão de obra e originação de grãos.

Qualquer expansão no vizinho, acrescenta o diretor, só faria sentido se fosse do lado do porto e 100% focada na exportação, para aproveitar a vantagem tributária.



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