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quarta-feira, julho 29, 2026

Primato levanta fundo de R$ 150 milhões para ampliar produção

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A paranaense Primato acaba de garantir R$ 150 milhões para financiar a expansão da produção de aves e suínos.

Sediada no município de Toledo, terra da criação de suínos, a cooperativa estruturou um FIDC em parceria com a gestora da XP Investimentos, acessando recursos do governo estadual para investir.

O dinheiro vai chegar aos produtores com uma taxa de 9% ao ano e prazo de dez anos (contando dois de carência), disse Octaciano Neto, sócio da Zera.AG, consultoria da Primato na estruturação do fundo.

Para chegar a essa equação de juros mais baratos que a Selic (atualmente, em 14,25% ao ano), o fundo se apoia em uma estrutura que combina dinheiro subsidiado e crédito de mercado.

A Fomento Paraná, agência estadual, absorve 20% do fundo na cota sênior, a uma taxa de 4% ao ano. Esse dinheiro se soma a um aporte de R$ 75 milhões do Sicoob na cota mezanino — o que equivale a 50% do fundo —, a uma remuneração pré-estabelecida pouco acima do CDI.

A cota subordinada, por sua vez, é da própria Primato, combinando aportes aos créditos de ICMS detidos pela cooperativa, em linha com C.Vale, Seara e MBRF, que também acessaram o programa de investimentos paranaense.

Os recursos que compõem o fundo ficaram disponíveis na última semana. Agora, começa a fase de análise dos desembolsos aos produtores, o que deve acontecer no curto prazo, segundo Gustavo Gomes, gestor de agro da XP Asset.

O tíquete das operações varia de R$ 200 mil até R$ 8 milhões. O destino do dinheiro pode variar.

“Tem produtores que já tinham feito barracões, mas precisavam de equipamentos. Outros ainda não tinham começado a ampliação. Outros ainda melhoraram a automação dos aviários”, disse Anderson Sabadin, presidente da Primato, ao The AgriBiz.

Diante dessa situação, coube à cooperativa gerenciar essas demandas, apoiando os produtores com as devidas licenças e, agora, com a obtenção do financiamento.

A operação da Primato

Com mais de 13 mil cooperados espalhados pelas regiões oeste e sudoeste do Paraná, além de Mato Grosso do Sul, a Primato está em um ciclo de expansão, com investimentos em novas unidades de recebimento de grãos, um frigorífico de peixes e granja em Dourados (MS).

No ano passado, a Primato faturou R$ 1,9 bilhão, um salto de 26% na comparação com o ano anterior. A pecuária (suinocultura e avicultura, sobretudo) responde pela maior parte disso, com R$ 792 milhões, seguida pela área de alimentos (R$ 441 milhões), industrial (R$ 347,9 milhões) e agrícola (R$ 325 milhões).

No ano passado, a cooperativa produziu mais de 69 mil toneladas de suínos, 68 milhões de litros de leite, 5 mil toneladas de peixe, 21 mil toneladas de aves, 3,8 milhões de sacas de milho, 1 milhão de sacas de soja e 30 mil sacas de trigo.

Com os recursos do fundo de R$ 150 milhões, a Primato projeta uma expansão de 24% na produção de suínos, ampliando o plantel de matrizes de 25 mil para 31 mil. Na avicultura, o crescimento deve ficar em torno de 28%, com a capacidade estática de alojamentos de pintinhos saltando para 2,5 milhões de cabeças.

A expectativa da Primato é faturar R$ 2,6 bilhões em 2026, o que representa um crescimento de quase 37%.



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