
Receber em dólar ou euro sem deixar o Brasil tornou-se uma realidade cada vez mais frequente para profissionais de tecnologia. A dificuldade de empresas dos Estados Unidos e da Europa em encontrar desenvolvedores plenos e seniores tem acelerado a busca por talentos brasileiros, que conquistam espaço em equipes internacionais pela qualificação técnica, capacidade de adaptação e competitividade em relação aos custos de contratação.
Esse movimento tem impulsionado o crescimento de plataformas voltadas ao recrutamento global. É o caso da Codejobs, startup criada por brasileiros e registrada em Delaware, nos Estados Unidos, que acaba de concluir uma rodada de investimentos de US$ 40 milhões, equivalente a cerca de R$ 230 milhões, liderada pela Kleiner Perkins, um dos mais tradicionais fundos de venture capital do Vale do Silício. O aporte MARCA uma nova etapa da companhia, que amplia sua presença internacional com operações no Reino Unido, México e Austrália. Somente na Cidade do México, a plataforma já adicionou 450 novos usuários desde o início da expansão.
Criada em outubro de 2025, a Codejobs reúne atualmente mais de 58 mil assinantes, dos quais aproximadamente 70% são brasileiros. A base também inclui profissionais da Índia, Reino Unido, Países Baixos e África do Sul. Em menos de um ano de atividade, a empresa intermediou 126 contratações para multinacionais como Uber, Airbnb e Capgemini.
Segundo Cláudio Vinícius, fundador da startup, a América Latina tornou-se um dos principais polos de talentos para empresas que operam de forma distribuída. “A América Latina se consolidou como uma importante fonte de talentos para empresas internacionais que buscam profissionais qualificados para atuar remotamente. O Brasil, assim como o México e outros países da região, reúne uma combinação rara de conhecimento técnico, capacidade de adaptação e custo competitivo”, afirmou.
Ao contrário de plataformas que concentram esforços em processos de imigração e transferência internacional de profissionais, a Codejobs atua exclusivamente com oportunidades remotas. O modelo elimina exigências como vistos de trabalho e mudança de residência, reduzindo o tempo de contratação e ampliando o acesso tanto para empresas quanto para candidatos. A maior demanda está concentrada em desenvolvedores plenos e seniores, perfis cuja oferta permanece insuficiente nos mercados americano e europeu.
A empresa também estruturou um modelo de receitas baseado em assinaturas para profissionais e serviços corporativos. Os candidatos pagam planos a partir de US$ 2,99 nos primeiros 14 dias e mensalidade de US$ 4,99. Já as empresas desembolsam entre US$ 750 e US$ 1.500 por vaga publicada, conforme o volume de contratações e o nível de prioridade. Atualmente, a startup registra faturamento mensal próximo de US$ 195 mil.
Os recursos captados serão destinados à ampliação da infraestrutura tecnológica, ao desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e ao fortalecimento da MARCA em novos mercados. A meta é alcançar 1 milhão de usuários cadastrados até o fim de 2027. Além de expandir a atuação em países como México, Colômbia, Argentina e na América Central, a empresa negocia contratos com organizações do Canadá e, principalmente, da Europa, considerada a principal frente de crescimento para os próximos anos.
Com a operação, a Kleiner Perkins passa a deter 48% da Codejobs. Os fundadores permanecem com o controle da empresa, dividindo os 52% restantes entre Cláudio Vinícius, que mantém participação de 38%, e José Francisco. A governança continua sob responsabilidade de um comitê de gestão formado pelos sócios. Atualmente, a equipe da startup reúne 17 profissionais distribuídos entre Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Estados Unidos, todos atuando em regime remoto, modelo que reflete a própria proposta de valor da empresa.




