GUAXUPÉ (MG) — A rigor, o município de Arceburgo MARCA o limite entre São Paulo e Minas Gerais. Mas Guaxupé — que em tupi significa “caminho das abelhas” — é o “portal” do café no sul de Minas, como nomeia o taxista que conduz a reportagem da rodoviária para o hotel: “Daqui mais uns 450 km pra dentro, é só café, moço”.
A cidade tem mesmo ares de capital da cafeicultura, ou ao menos de fatia relevante dela. “A gente costuma dizer que aqui é tudo café e o café é tudo”, define José Carlos Pelaquim, proprietário do Sítio Santa Luzia, produtor de café.
A espécie que se produz na região — e também no Cerrado mineiro, onde atuam outras cooperativas, como a Expocacer — é o arábica, mais caro e mais demandado pelos principais compradores no exterior, como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
O Brasil, que também tem uma crescente lavoura de café robusta no Espírito Santo e em Rondônia, é o maior produtor global de arábica. A Cooxupé recebe, processa e despacha fatia expressiva dessa produção, quase tudo na forma de grãos verdes.

A cooperativa é presença forte em Guaxupé, um município diminuto em tamanho, com apenas a 511ª maior extensão territorial entre 853 cidades em Minas Gerais, segundo o IBGE. Mas que é epicentro de uma microrregião com 17 cidades, como Guaranésia, Monte Santo de Minas e Alfenas, e ganha monta na economia — seu PIB, de R$ 2,4 bilhões em 2024, situou a cidade na 143ª posição no Estado em 2023.
Os cerca de 53 mil habitantes sugerem uma malha urbana pequena. Mas a população quase dobra nos meses de “panha” (corruptela de “apanhar”, do ato de catar os frutos nos braços dos cafezais na colheita), entre maio e agosto, com a migração de cerca de 50 mil trabalhadores do norte de Minas e da Bahia.
Com a tradição de os pagamentos dessa mão de obra serem feitos semanalmente, às sextas-feiras, esses meses são agitados. “Nessa época, todo fim de semana vira dia útil”, explica o prefeito Jarbas Corrêa Filho, o Jarbinhas.
Segundo ele, em certas unidades de seu mercado São João, “o movimento cresce até 15%” nos meses de colheita. “A carne que antes não podiam levar, levam. É o presente de Natal antecipado.”










Turismo cafeeiro
O café também inspira ações para fortalecer o turismo. A principal delas é o Circuito Montanhas Cafeeiras, que começou a ser “vendido” para agências em São Paulo e Belo Horizonte no ano passado.
A iniciativa inclui orientações aos produtores sobre normas técnicas e certificações para a produção de alimentos típicos. E a rota prevê visitas a duas propriedades: a Santa Amélia e a Tulha, que se define como “uma fazenda de agricultura criativa”.
“Na hora de servir, é engraçado: parte dos turistas perguntam pelo açúcar, e aí entra a explicação sobre as notas doces do arábica. A ideia é ter uma experiência sensorial do pé à xícara”, define Cristiane de Souza, diretora de Turismo da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo.




