Empresários brasileiros e indianos que estiveram juntos nesta segunda-feira (7) no Fórum Econômico Brasil-Índia saíram em defesa de uma unificação de discursos entre os países em fóruns mundiais.
Na ocasião, a Câmara de Comércio Índia Brasil e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) assinaram memorando de entendimento para aprofundar relações econômicas por ações de promoção empresarial e para atração de investimentos.
Frederico Lamego, superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que o órgão tem tentado estruturar um fórum empresarial para impulsionar a agenda estratégica entre os países.
O vice-presidente de relações institucionais da Raízen, Claudio Oliveira, disse que as frentes de cooperação entre os países têm buscado fortalecer a segurança energética e acelerar a transição energética, por meio de transferência de tecnologias e promoção de pesquisa e desenvolvimento. “O desenvolvimento de combustível sustentável de aviação é um dos nossos objetivos. Temos buscado criar centros binacionais de inovação com foco em eficiência energética e agricultura sustentável”, disse.
Oliveira afirmou que há necessidade de unificar os discursos entre os dois países em fóruns como o próprio Brics ou a COP30: “Precisamos de uma voz conjunta entre Brasil e Índia nos fóruns específicos para colocarmos nossas pautas de forma mais adequada”.
Conforme o executivo da Raízen, há uma interlocução positiva entre os produtores de biocombustíveis brasileiros e indianos. “A Índia tem soluções inteligentes para biocombustíveis e o Brasil tem larga experiência no assunto. Há alguns problemas estruturais a serem enfrentados de forma conjunta, como a luta contra as discussões que rivalizam comida e combustível”, disse.
Na visão de Oliveira, o chamado debate “food versus fuel” (comida contra combustível, em tradução livre) precisa ser combatido por ambos os países: “Tanto Brasil quanto Índia demonstram que há um aumento de poder socioeconômico com a ampliação dos biocombustíveis, o que dá acesso a uma alimentação de maior qualidade”.
Viviana Coelho, gerente-executiva de mudança climática e descarbonização da Petrobras, disse a companhia enxerga complementariedades entre os países, como tecnologias e matérias-primas, o que amplia possibilidade de cooperação.
“Tanto o Brasil quanto a Índia veem a transição energética e a adição de fontes de energia como alternativas”, disse. “Há grande potencial de cooperação, tanto em renováveis quanto em fósseis.”
Também presentes no painel, os empresários indianos Pradeep Dhotey, vice-presidente da Praj Industries, e Shreyans Goyal, CEO da Shakti Group Companies, elogiaram a liderança do Brasil na produção de etanol e reforçaram a busca por mais trabalhos em conjunto.




