
A proximidade da Copa do Mundo 2026 está provocando impactos relevantes no comportamento dos consumidores brasileiros, mas em um cenário diferente daquele observado em edições anteriores do torneio. Segundo análise da KPMG, a combinação entre antecipação de compras, maior preocupação com saúde e novas preferências alimentares está transformando a maneira como os brasileiros se preparam para acompanhar o principal evento esportivo do planeta.
Um dos movimentos mais evidentes ocorreu no mercado de eletrônicos. De acordo com o sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, Fernando Gambôa, parte significativa da demanda por televisores foi antecipada para os grandes eventos promocionais realizados nos últimos meses. O resultado foi uma redução da procura tradicionalmente registrada nas semanas imediatamente anteriores à competição.
Dados da Confi Neotrust mostram que apenas na Black Friday foram movimentados R$ 443,2 milhões em vendas de televisores, evidenciando o interesse antecipado dos consumidores em equipar suas residências para acompanhar os jogos.
“Os dados dos eventos promocionais de final de ano indicam que houve sim uma antecipação da compra de televisores para a Copa. O aumento foi atípico e podemos dizer que o consumidor se adiantou para deixar a casa pronta. O que vemos nesse momento são muitas promoções para tentar atrair aqueles que deixaram para a última hora”, afirmou Gambôa.
Além dos reflexos no varejo de eletrônicos, a Copa de 2026 também deve servir como um marco para mudanças nos hábitos alimentares dos brasileiros. Segundo a análise da KPMG, o chamado efeito GLP-1, impulsionado pela popularização dos medicamentos para perda de peso e pela chegada de novas alternativas ao mercado após o vencimento da patente do Ozempic, vem alterando significativamente as escolhas de consumo.
Nesse contexto, alimentos ricos em proteína ganham espaço nas preferências dos consumidores, enquanto produtos ultraprocessados e itens tradicionalmente associados a momentos de confraternização perdem participação. A busca por opções consideradas mais saudáveis, funcionais e alinhadas ao bem-estar tem influenciado tanto a indústria de alimentos quanto o varejo.
“Essa mudança tem alterado significativamente o comportamento alimentar de parte da população. A proteína passa a ocupar posição central nas escolhas dos consumidores, substituindo parte dos lanches tradicionalmente associados aos momentos de confraternização, enquanto produtos ultraprocessados e altamente indulgentes perdem espaço para opções consideradas mais saudáveis, funcionais e com maior teor proteico”, explicou o executivo.
As transformações também alcançam o setor de bebidas. Dados da Kantar apontam que as ocasiões de consumo de bebidas alcoólicas recuaram 34% no primeiro trimestre de 2025. O comportamento foi especialmente observado entre integrantes da Geração Z e dos Baby Boomers, grupos que reduziram em 31% e 32%, respectivamente, a frequência de visitas a bares e restaurantes.
Outro fenômeno identificado é a preferência crescente por porções menores e refeições mais equilibradas. Em resposta a essa demanda, empresas da indústria alimentícia vêm reformulando seus portfólios e lançando embalagens adaptadas aos novos padrões de consumo.
No segmento de bebidas, a expectativa é de crescimento da presença de versões sem álcool, produtos zero açúcar e até opções enriquecidas com proteína durante as reuniões entre amigos e familiares para assistir às partidas.
Para Gambôa, a convergência entre saúde, conveniência e qualidade de vida está promovendo uma redefinição das celebrações esportivas no país. “A combinação entre saúde, praticidade e bem-estar está redefinindo o conceito tradicional das comemorações esportivas. E a Copa do Mundo de 2026 será um importante termômetro para medir como as novas demandas dos consumidores estão remodelando categorias inteiras da indústria, desde eletrônicos e alimentos até bebidas. Mais do que acompanhar os jogos, os brasileiros devem protagonizar uma nova forma de celebrar, marcada por escolhas cada vez mais alinhadas à saúde, conveniência e qualidade de vida”, acrescentou.




