Educação

Volta às aulas: Matemática, vítima ou vilã?

Por Patrick Lima *

É inegável que a Matemática é vista como a vilã das disciplinas para um número expressivo de alunos, porém não podemos associar tal impressão a falta de afinidade ou dificuldade que os alunos apresentam quando se trata dessa disciplina. A verdade é que qualquer assunto quando tratado com pouco sentido e de forma desconexa da realidade do aluno corre o risco de não obter sucesso ou, em um caso mais extremo, de se tornar um “vilão”, seja qual for a disciplina.

Infelizmente, no caso da Matemática verificamos essa situação frequentemente, ou seja, conteúdos sendo desenvolvidos sem conexões e significados para o aluno. Soma-se a isso o fato de muitos pais trazerem esses sentimentos de experiências passadas e acabam, mesmo sem perceber, transferindo para seus filhos a ideia de que a Matemática é uma disciplina excessivamente abstrata, cheia de regras e com uma linguagem própria que na maioria das vezes não se usa no dia a dia.

É verdade que a Matemática é uma disciplina que exige um nível de abstração, tem suas regras e também uma linguagem bem particular com seus símbolos e operações. Porém, são exatamente esses fatores que a aproxima da realidade dos alunos, pois negar essas características seria negar sua própria história, uma vez que o desenvolvimento da Matemática se deu justamente na busca do homem em entender fenômenos e regularidades presentes no cotidiano. Essas características da Matemática nos proporcionaram grandes evoluções seja no campo Geométrico, Numérico ou Algébrico.

Nesse sentido, algumas atividades associadas a boas práticas didáticas podem colaborar para que esse mito seja superado e a Matemática seja vista como uma disciplina essencial para o desenvolvimento pleno do aluno. Que seu aprendizado deixe de ser visto como algo complexo feito para estudantes com “facilidade” e passe a ser vista por todos os alunos como uma matéria prazerosa, cheia de significados e com caminhos lógicos que estão ao alcance de todos.

Ao planejar uma sequência de atividades, podemos considerar alguns aspectos relevantes e que podem contribuir para um bom desenvolvimento da disciplina:

•    Mobilizar conhecimentos já adquiridos: favorecer o uso de atividades e abordagens que busquem conhecimentos já trabalhados com os alunos (na série atual ou em séries anteriores), pois ampliar um conhecimento já existente é sempre mais proveitoso e mais fácil do que apresentar um conhecimento como novidade.

•    Criar possibilidades para construção de novos conhecimentos; proporcionar atividades/aulas onde o aluno se sinta instigado a saber mais (sempre comece um assunto com uma problematização, isso favorece a participação e o interesse de todos).

•    Propiciar conexões entre conhecimentos e/ou situações: propor situações em que os alunos as modele e em seguida aplique-as na resolução de problemas, além de fazer conexões com outras áreas do conhecimento.

•    Dar significado/sentido: ponto essencial, pois a aprendizagem significativa favorece a criatividade, a crítica e o desenvolvimento pleno, uma vez que o aluno se sente “autor” do seu próprio conhecimento.

Nessa perspectiva de construção de conhecimento a partir de sequências de atividades que propicie ao aluno ser protagonista de seu próprio crescimento, algumas questões relacionadas ao professor emergem:

1.    Como compatibilizar perspectivas construtivistas de aprendizagem com o planejamento de ensino?

2.    Como podem ser propostas e desenvolvidas em sala de aula situações didáticas de aprendizagem que explorem contextos do cotidiano de outras áreas do conhecimento e da própria Matemática?

3.    Que atuação pode ter um professor de Matemática ao abordar um tema, quando se pretende que os alunos sejam protagonistas na construção de suas aprendizagens?

No que se refere a como compatibilizar perspectivas construtivistas de aprendizagem com o planejamento de ensino, é preciso ter clareza de alguns aspectos errôneos que permeiam a ideia do construtivismo, como aquela de que “o aluno constrói sozinho o seu conhecimento”, ou ainda a ideia de que numa sequência de atividades o professor é um mero aplicador. O bom andamento da aprendizagem dos alunos é subordinação do professor, depende de suas hipóteses sobre a aprendizagem, de suas escolhas e adaptações. Verificamos que uma boa sequência de atividades não é o principal instrumento para aprendizagem sob uma visão construtivista, pois seu sucesso depende efetivamente da atuação do professor.

A possibilidade de compatibilizar perspectivas construtivistas de aprendizagem com o planejamento de ensino é possível e bastante promissora para aprendizagem efetiva dos alunos. Porém, essa compatibilização exige uma reflexão mais profunda dos envolvidos no ambiente escolar, pois rotineiramente identificamos entre os professores diferentes formas de abordar a mesma sequência de atividades. Isso nos leva a refletir um pouco mais sobre a atuação do professor de Matemática ao abordar um tema, quando se pretende que os alunos sejam protagonistas na construção de suas aprendizagens. Nenhum resultado é possível se o professor não entende os objetivos da atividade para aprendizagem dos alunos e as utiliza de maneira equivocada.

* Patrick Lima é coordenador de Matemática nas séries iniciais do Ensino Fundamental e professor das turmas do Ensino Fundamental – Anos Finais e Ensino Médio no Colégio Marista Arquidiocesano, em São Paulo

Sobre a Rede Marista de Colégios: A Rede Marista de Colégios (RMC) está presente no Distrito Federal, Goiás, Paraná, Santa Catarina e São Paulo com 18 unidades. Nelas, os mais de 25 mil alunos recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em www.colegiosmaristas.com.br

 

 

Guilherme Ávila

 guilherme@pg1com.com

 +55 (41) 99916-0733

 www.pg1com.com

 

 

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo