Educação

Pesquisa inédita aponta melhorias na escolaridade, renda e equidade de jovens formados em escolas públicas de tempo integral em Pernambuco

Estudo com mais de 2,8 mil jovens mostra que egressos do Ensino Médio Integral têm mais chances de entrar na universidade e recebem, na média, salários maiores. Redução na disparidade de renda entre negros e brancos também foi observada

Uma análise inédita, realizada pelo Laboratório de Pesquisa e Avaliação em Aprendizagem da Fundação Getúlio Vargas (LEARN/FGV) e Instituto Sonho Grande, em parceria com a Secretaria de Educação de Pernambuco, avaliou as condições de vida de 2.814 estudantes que concluíram o ensino médio nas escolas estaduais de Pernambuco, entre os anos de 2009 e 2014. O objetivo da pesquisa era entender as condições de vida desses jovens depois que saíram da escola, bem como analisar eventuais diferenças entre alunos formados em escolas de tempo integral (entre 7 e 9 horas diárias) e aqueles formados em escolas de tempo parcial (entre 4 e 5 horas diárias)[1]. Os dados da pesquisa foram coletados pela Oportunidades Pesquisa e Estudos Sociais.

De acordo com o estudo, os alunos formados nas escolas de tempo parcial têm 46% de chance de ingressar no ensino superior, enquanto entre os egressos das escolas integrais essa chance sobe para 63%, o que representa uma diferença de 17 pontos percentuais. Quando analisado o perfil das universidades que esses jovens cursam, foi possível concluir que os estudantes das integrais têm 9 pontos percentuais mais chances de ingressarem em uma instituição pública de ensino, sendo que essa probabilidade sobe para 17 pontos percentuais para os alunos que concluíram o ensino médio entre os anos de 2012 e 2014.

O estudo também analisou as faixas salariais dos jovens e revelou que os egressos do ensino integral conseguem iniciar a vida profissional com um salário médio 18% superior ao daqueles formados no ensino parcial, sendo a remuneração inicial aproximadamente R$ 265,00 superior ao salário médio dos ex-alunos do parcial e isso não se dá apenas pela maior presença desses alunos em instituições de ensino superior. Quando comparados grupos de estudantes com mesmo nível de escolaridade, é possível observar que os egressos do integral recebem salários melhores (em média, R$ 143,00 a mais para os alunos com ensino médio completo; e R$ 230,00 a mais para os alunos com ensino superior completo). Ou seja, ainda com a mesma qualificação, jovens formados nas escolas integrais tem melhor despenho no mercado de trabalho. Esses resultados podem estar atrelados às habilidades socioemocionais desenvolvidas nessas escolas, por meio do estímulo ao protagonismo e projeto de vida, por exemplo, que contribuem na formação dos jovens para o mundo profissional.

Quando analisamos a diferença salarial entre egressos brancos e pretos/pardos das escolas parciais, verificamos que os negros recebem em torno de 10% a menos do que brancos. Já nas escolas integrais, essa diferença salarial deixa de existir. Esse dado sugere um possível impacto positivo na promoção de equidade racial e no empoderamento dos jovens negros no mercado de trabalho.

A pesquisa mostrou também um aumento no ingresso das mulheres no mercado de trabalho – a probabilidade das mulheres trabalharem aumenta 8 pontos percentuais, no caso das egressas mais velhas, que concluíram o ensino médio até 2011.

“Os dados dessa pesquisa trazem resultados importantes para o ensino em tempo integral do Brasil. Queremos lançar uma nova perspectiva sobre a educação básica e contribuir positivamente para levar uma educação de excelência e qualidade para os alunos, com atividades que vão além da grade curricular básica”, explica Igor Lima, presidente do Instituto Sonho Grande.

“Estamos muito satisfeitos com o resultado desta pesquisa realizada por um grupo de instituições, que demonstra que a implantação das escolas em tempo integral como uma das principais estratégias do Estado para melhoria do ensino médio foi bastante positiva. Ao longo dos últimos dez anos, Pernambuco tem avançado nos maiores indicadores do país, não somente o IDEB, mas por, hoje, ter a melhor Taxa de Aprovação e a menor Taxa de Abandono Escolar do Brasil. Estes resultados alcançados comprovam que a estratégia destas escolas, que hoje representam mais de 50% dos estudantes e das unidades de ensino da rede pública estadual, causou grande impacto na melhoria da qualidade da educação de Pernambuco. Este impacto pode ser percebido nos resultados da pesquisa realizada com os egressos, que evidenciam o impulso que estes estudantes tiveram em suas vidas e na iniciação no mercado de trabalho”, ressalta Fred Amancio, secretário de Educação e Esportes do Estado de Pernambuco.

Sobre educação em tempo integral

O modelo pedagógico das escolas integrais vai muito além da simples ampliação da jornada escolar e tem como principal pilar a formação integral do estudante. Por meio do estímulo ao protagonismo juvenil e da construção do projeto de vida, é possível desenvolver os aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais dos estudantes. A ideia central é que a escola seja um ambiente acolhedor que permita os alunos serem parte daquela realidade, tornando-os protagonistas e permitindo que o jovem adquira as ferramentas necessárias para a sua formação pessoal, profissional e acadêmica.

Sobre a Política de Ensino Médio em Tempo Integral

O Ensino Médio em Tempo Integral em Pernambuco tornou-se Política Pública de Estado em 2008 e já conta com mais de 50% das escolas da rede em tempo integral, cuja carga horária varia entre 35-45 horas semanais. Em 10 anos, Pernambuco saiu das últimas colocações do IDEB para o primeiro lugar do ranking em 2015 e, mais recentemente, em terceiro lugar em 2017.

Inspirado no caso de Pernambuco, em 2016, o Ministério da Educação criou a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, que tem como objetivo apoiar a ampliação da oferta de educação de ensino médio em tempo integral nas redes públicas dos Estados e do Distrito Federal, por meio de apoio técnico e financeiro, sendo que a permanência na política está condicionada a critérios definidos pelo MEC, tais como resultados de aprendizagem. A meta 6 do PNE também estabelece que 50% das escolas e 25% das matrículas devem ser integrais até 2024.

Sobre o Instituto Sonho Grande

O Instituto Sonho Grande foi criado em 2015 e tem como objetivo trabalhar pela melhoria da qualidade do ensino médio público brasileiro. Desde a sua fundação, o Instituto realiza parcerias com o Poder Público e ONGs para a implementação das escolas em tempo integral no ensino médio, focado no desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos jovens.

Sobre a o LEARN/FGV Fundação Getúlio Vargas

O Laboratório de Pesquisa e Avaliação em Aprendizagem da Fundação Getúlio Vargas (LEARN/ FGV) é um centro de excelência em estudos educacionais. Seu objetivo é desenvolver pesquisas acadêmicas na área da economia da educação e auxiliar no debate público do País na área da educação.

Sobre a Oportunidades Pesquisa e Estudos Sociais

A Oportunidades Pesquisa e Estudos Sociais (O.P.E. Sociais) produz informação estratégica para instituições públicas e privadas tomarem decisões com base em evidências. Formada por um grupo multidisciplinar de pesquisadores das áreas de estatística, economia e sociologia, a OPE Sociais trabalha desde a coleta de dados até a construção, análise e projeção de cenários, possibilitando a elaboração de diagnóstico, monitoramento e avaliação políticas, programas e projetos.

Contato Imprensa – Instituto Sonho Grande

institutosonhogrande@maquinacohnwolfe.com

Mayara Altebarmaquian

(11) 3147-7470 – mayara.altebarmaquian@maquinacohnwolfe.com

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 Ricardo Marques

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[1] Para o desenvolvimento da pesquisa, foram rastreados os contatos de mais de 33 mil egressos que foram contatados por telefone, sendo que 2.814 foram entrevistados (1.655 egressos de escolas parciais e 787 egressos de escolas integrais que estudaram em turno único de 7 a 9 horas por dia). A pesquisa foi realizada em 3 etapas: contato telefônico, pesquisa domiciliar e grupo focal.

 

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