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PIB dos estados completa 20 anos de contribuição para o desenvolvimento regional

Polo de líquidos e gases no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco – Foto: Rafael Medeiros/Suape

Há 20 anos, o IBGE divulgou pela primeira vez o PIB dos estados, com informações de 1985 a 1997. Desde então, o instituto coordena o Sistema de Contas Regionais, que apresenta todos os anos dados que contribuem para o retrato da realidade socioeconômica e o planejamento de políticas públicas locais.

O projeto, feito em parceria com órgãos de estatística e secretarias estaduais, permite a comparação do PIB entre os próprios estados e é compatível com os resultados da economia nacional.

“É através dessas informações que você consegue efetivamente reconhecer o perfil econômico de cada local. Por exemplo, no Norte e no Nordeste temos uma administração pública com peso bastante relevante, chegando a quase 50% do valor adicionado em Roraima”, explica a gerente de Contas Regionais do IBGE, Alessandra Poça, lembrando que a divulgação de 2007 foi a primeira com informações para todos os estados.

Antes desse sistema, alguns estados tinham mais de uma estimativa para o PIB. “Dependendo da demanda do governo, tinha um cálculo pela FGV [Fundação Getúlio Vargas], um pelo Banco do Nordeste e outro pelo próprio estado, cada um com sua própria metodologia”, diz Alessandra.

Segundo o assessor econômico da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura do Mato Grosso do Sul, Eliandres Saldanha, o PIB regional faz uma radiografia da economia dos estados, sendo fundamental para identificar as deficiências locais. Ele cita também o PIB dos municípios, que passou a ser divulgado pelo IBGE em 2005, cobrindo inicialmente o período entre 1999 e 2002.

 

“No Mato Grosso do Sul surgiram novos polos de desenvolvimento, como o da celulose, e foi através do PIB dos municípios que conseguimos fazer um trabalho e um estudo específico, pois se tratava de uma atividade que tinha impacto na região e que precisava de um tratamento diferenciado”, explica Saldanha.

Já para o diretor da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco Maurílio de Lima, as Contas Regionais auxiliam o acompanhamento de mudanças da economia pernambucana.

“Houve uma forte transformação entre 2005 e 2010, com um grande volume de investimentos na área industrial impactando outros setores, principalmente os serviços, que têm forte participação na economia estadual”.

Além de retratar a realidade socioeconômica e a comparabilidade entre os estados, o PIB dos Estados permite o cálculo do PIB per capita, um dos fatores utilizados para definir o valor de repasse do Fundo de Participação dos Municípios da Capital.

Metodologia recomendada pela ONU

Em 2010, o IBGE apresentou um seminário sobre a economia dos estados e a distribuição de recursos pelo território brasileiro, durante encontro de países asiáticos em Pequim, na China, organizado pelas Nações Unidas (ONU).

Atualmente aposentado, Frederico Cunha foi gerente de Contas Regionais do IBGE por quase 15 anos, e lembra que o documento final do encontro coloca o Brasil como referência no trabalho de integração do órgão central de estatística com os governos locais. “O texto incentivou os demais países a fazerem parcerias com o Brasil, para aplicar a nossa metodologia”, recorda.

A próxima divulgação do PIB dos estados está prevista para novembro deste ano, com dados relativos a 2017.

 

 

Fonte: Agência IBGE

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