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quinta-feira, maio 21, 2026

Como a Mater Dei se move para ocupar o espaço deixado pela Oncoclínicas

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A Rede Mater Dei, que hoje conta com nove hospitais no Brasil, vê na crise da Oncoclínicas uma oportunidade para expandir sua atuação em oncologia.

O plano inclui a contratação de médicos da concorrente, foco em procedimentos rentáveis e investimento em equipamentos, visando um crescimento de 30% na receita oncológica até 2026, o dobro da previsão para a rede.

O CEO José Henrique Salvador destaca a capacidade de crescimento em oncologia, especialmente em regiões onde a Oncoclínicas era forte e que a Mater Dei, como Belo Horizonte e Salvador.

Em 2025, a Mater Dei registrou R$ 2,17 bilhões em receita líquida, com crescimento de 11,4%. A empresa planeja investir R$ 100 milhões em melhorias na sua rede, como expansão de leitos, compras de equipamentos e avanços em tecnologia.

A companhia irá abrir um hospital em São Paulo, em parceria com a Atlântica Hospitais, com previsão de conclusão em 2028. O plano estratégico de crescimento da oncologia também inclui a unidade paulistana, que se chamará Mater Dei Santana.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Rede Mater Dei enxergou na crise da Oncoclínicas uma oportunidade para avançar no segmento de oncologia. Com nove hospitais no Brasil – seis em Minas Gerais, dois na Bahia e um em Goiás -, o plano consiste em aumentar sua atuação na especialidade a partir da contratação de médicos da concorrente, avançar em procedimentos mais rentáveis na especialidade, como radioterapia e quimioterapia, e investir em mais equipamentos médicos.

O objetivo é que a oncologia alcance, em 2026, um crescimento de 30% em receita, o que vai representar o dobro da alta prevista para a toda a companhia, que é de 15%. Hoje, a oncologia corresponde a um volume perto de 20% da receita total.

“Estamos implementando projetos de referência em cada uma das regiões em que operamos e crescendo no vácuo de problemas de outros players do setor”, diz José Henrique Salvador, CEO da Rede Mater Dei, ao NeoFeed.

A Oncoclínicas contava com 2,9 mil oncologistas em seu quadro de profissionais no primeiro trimestre de 2025. Agora, no balanço dos três primeiros meses de 2026, o grupo reportou 1,7 mil médicos, ou seja, uma queda de 41,4% em 12 meses.

Atualmente, a Mater Dei tem cerca de 8,2 mil funcionários, sem contar os médicos. Os profissionais de saúde atuam em um formato de parceria, em que são remunerados pelas operadoras. Na outra ponta, a rede hospitalar ganha com os procedimentos, exames e internações. Hoje, o grupo tem cadastrado cerca de 10 mil médicos, de todas as áreas.

Neste sentido, a Mater Dei se beneficia em estar em duas praças em que a Oncoclínicas também era muito forte, especialmente em Belo Horizonte e em Salvador.

Nas duas últimas unidades hospitalares inauguradas pelo grupo, o Mater Dei Salvador (em maio de 2022) e o Mater Dei Nova Lima (em agosto de 2024), o plano de ampliação da rede oncológica tem sido ainda mais intensificada.

Em Nova Lima, por exemplo, o volume de procedimentos cirúrgicos cresceu 70% nos últimos 12 meses. Em Salvador, a alta foi de 30%. Somente em pacientes oncológicos, a elevação foi de 50% no hospital da capital baiana.

“A oncologia tem uma característica que é de conseguir crescer sem precisar necessariamente de muito mais leitos, porque muito da receita vem da infusão laboratorial, com a quimioterapia. A grande maioria não faz internado”, diz o CEO.

A companhia enxerga também a oportunidade de uma nova frente de ampliação, que é o desenvolvimento de unidades avançadas, sem a necessidade de uma estrutura mais robusta, mas com condições de oferecer os principais atendimentos. Hoje a empresa tem uma unidade em Mariana, em Minas Gerais, e planeja mais dois projetos.

Em relatório recente, o Itaú BBA identificou a oportunidade de crescimento na oncologia como uma avenida importante de crescimento para o grupo fundado pela família Salvador.

“A recente atração de grupos de médicos oncologistas em Nova Lima e Salvador ilustra essa abordagem, trazendo fluxos incrementais de pacientes, em grande parte provenientes de operadoras de planos de saúde com as quais o Mater Dei já possui relacionamento, fortalecendo, assim, a integração vertical”, diz a análise do banco.

A primeira operação em São Paulo

O plano estratégico de ampliação do segmento de oncologia em toda a rede também será implementado na unidade hospitalar que a Mater Dei terá em São Paulo, e que vai representar sua entrada na capital paulista.

Para isso, a empresa criou uma joint-venture com a Atlântica Hospitais, holding de saúde da Bradesco Seguros, em que a Mater Dei tem 49%. Hoje a Atlântica Hospitais integra a Bradsaúde, anunciada em fevereiro e listada na B3 por meio de IPO reverso.

Os R$ 600 milhões para a construção do hospital paulistano virão do Bradesco, por meio da BSP Empreendimentos Imobiliários. A gestão operacional será da rede mineira.

A obra começa em junho e a perspectiva é que o hospital, que se chamará Mater Dei Santana, fique pronto no fim de 2028. As duas companhias irão dividir os custos com equipamentos, que serão de R$ 100 milhões.

A criação da JV da Mater Dei com a Atlântica Hospitais ocorreu bem antes da união entre justamente a Atlântica e a Rede D’Or, concretizada em 2025, e que gerou a criação da Atlântica D’Or, hoje com seis hospitais sob gestão.

Mas, para o CEO da Mater Dei, não há possibilidade de uma concorrência direta com eles na mesma região. Segundo Salvador, há, inclusive, esta garantia no contrato.

“Sabíamos que a Atlântica teria outros parceiros. Mas eles têm uma regra que um hospital que eles constroem em parceria não concorre com outro por perto. Não faz sentido eles terem outro hospital na Zona Norte de São Paulo, porque isso canibalizaria e reduziria a rentabilidade”, afirma.

Segundo ele, o tíquete médio em São Paulo deverá ser maior do que a rede em geral, mas um pouco abaixo de regiões como Morumbi e a Avenida Paulista, onde estão concorrentes como Albert Einstein, São Luiz e Sírio-Líbanês.

“Vamos mirar em uma qualidade alta para a Zona Norte de São Paulo, uma região que conta com dois milhões de habitantes e cerca de 500 mil vidas de usuários que poderão usar o nosso hospital. Isso é quase o nosso mercado endereçável de Salvador”, afirma.

Ainda que a parceria com o Bradesco tenha sido focada inicialmente para a construção do hospital paulista, o CEO reconhece que a aliança irá contribuir na sinergia com a operadora de saúde nos outros hospitais da Mater Dei no Brasil.

Investimentos

Além do próprio aumento de mão de obra em relação ao corpo clínico, a Mater Dei planejar aportar R$ 100 milhões em investimentos neste ano, que inclui o novo plano estratégico de crescimento da rede hospitalar.

“São mudanças estruturais em unidades, compras de equipamentos para suprir a demanda que está crescendo, avanço em estrutura tecnológica. E parte desses recursos vai atender essa previsão de crescimento na oncologia”, diz Salvador.

Em número de leitos, a rede conta hoje com cerca de 1,4 mil leitos. No balanço do primeiro trimestre, a companhia reportou um volume de 1.168 leitos operacionais. A taxa de ocupação chegou a 84,3%, crescimento de 4,6 pontos percentuais sobre o mesmo período de 2025.

Em 2025, o grupo hospitalar criado em Minas Gerais registrou receita líquida de R$ 2,17 bilhões, com crescimento de 11,4% sobre o ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, alcançou R$ 575 milhões, alta de 15,1%.

Em 12 meses, as ações da companhia acumulam alta de 12,2% na B3. A Rede Mater Dei tem valor de mercado de R$ 1,7 bilhão.



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