Cultura

Pressentimentos – Por Amadeu Garrido de Paula*

Há pelo menos cinco anos nosso amável e bravo povo vive de pressentir; tal como pressentiam os troianos, gregos, romanos e os povos antigos. A distinção estava nos deuses, na confiança em que os homens que viviam sob a luz das estrelas os viam todas as noites, até que descambavam pelas escarpas dos montes aos sonhos que, provavelmente, não terão tão agrestes como os nossos.

Desde que o governo do PT nos conduziu a uma gruta escura, pois até mesmo os que nele não haviam depositado esperança criam num pacto social e político capaz de nos manter a caminho de uma nação, passamos a ter a dúvida como único componente de nossos cérebros. Talvez o impeachment de Dilma fosse desnecessário, talvez imprescindível; talvez a corrupção fosse localizada, mínima, talvez enlameasse todos os cantos de nossas instituições; definido o impeachment, seu substituto legal, um constitucionalista, como Rui Barbosa, fez este desacomodar-se em sua digna tumba, o pior governo de todos os tempos, deixando o povo como uma tropa de choque, aqueles trogloditas que seus comandantes deixam sem comer para bater com a força da fome em seus objetivos.

Tão angustiado, os eleitores não podiam optar por “colunas-do-meio”; e, sobretudo por quem a eles dizia que a falta de dinheiro no governo era “déficit primário” e que os lucros dos banqueiros eram “spreads”. Brasil, um País de siglas em profusão, de linguagem incompreensível de economistas, que não sabem se fazem ciências humanas ou exatas e, com certeza, fazem a pior de todas elas.

Pressentiu o povo entre a terra e o mar. A terra estava cheia de paredões de rocha e, fora disso, a perder de vista, estava plana, gelada, coberta de neve, na qual jamais germinaria uma semente de esperança. Ou deserta, árida. Não se viam caminhos. Tufos de matos arrepiavam olhos atônitos. A corrupção estava contida? Jamais. Cada edição do jornal vespertino, ainda visto por famílias que se amavam, vinham – e vêm – recheado de novas vilanias, uma sucessão diária de ondulações de crimes ignominiosos, vítimas os mais pobres, privados do essencial. Uma terra que se tornava cada vez mais brumosa, engelhada ou desertificada horizontes a dentro. Silêncio infinito do povo, calado como o túmulo.

Esse povo pressentido lançou-se desesperadamente ao mar, que no futuro poderia trazer a mansuetude, regar a primavera, bater levemente nas praias para animar o dia e retirar-se sem melancolia à noite; ou, ao contrário, sempre possível, o risco, trazer a rebeldia dos tsunamis, a dureza das enxurradas que sobem à terra para carregar todos os homens e suas realizações. O mar, quando não é o que esperamos, é um rebelde disposto a nos aniquilar, suas ondas tem elevações grandiosas e súbitas; ao longe, confusamente, a água revolta remexe-se qual sinistro espectro na imensidão do mundo desconhecido.

Existem realidades neste mundo que são como que aberturas para o desconhecido, por onde parece possível a saída do pensamento e a hipótese se precipita. Passamos por certos momentos em que não podemos fazer outra coisa se não ficar sob o domínio dos cismas, e deixar o espírito adentrá-los. Especialmente sob uma República de voto compulsório.

Não podemos prever o mar de amanhã. Ainda pressentimos. Sabemos, porém, que reduzir a massa popular brasileira a uma chusma de descamisados não foi – e não será – solução econômica e construção de nação qualquer. Veja-se a Hungria de ontem, a França, o que larva pelas bases a Alemanha e os Estados Unidos, todo poderosos. Não há política de austeridade somente às costas dos mais pobres. O mundo se ressente e o Brasil parece indicar-se no sentido dos mencionados países. Há indicações nesse sentido. Esperamos que prevaleça o bom-senso, o pacto social entre correntes antagônicas e o governo seja o grande sustentador da paz social, certamente revendo certas declarações radicais que sua equipe já emitiu, em sentido nitidamente regressivo no plano civilizatório. É o velho conceito de justiça – não precisamos falar de justiça social – que ainda não se firmou no universo. Esperemos que o Brasil exercite a inteligência que pode nos aninhar entre a terra e o mar aprazível, sublimes.

Persistem no ar motivos para apreensões e pressentimentos, ainda há iminência de tempestade.

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

*Para ler mais textos do autor, acesse o Blog Amadeu Garrido de Paula.
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