Agronegócio

Pequenos produtores se blindam contra a ‘exploração normalizada’

 

1       A ´exploração normalizada’ aniquila hoje os pequenos produtores de café

2       Os pequenos produtores são um exemplo de sustentabilidade no café

3       Os pequenos produtores conseguiram dobrar o preço da Bolsa de café de NY

 

1          A ´exploração normalizada’ aniquila hoje os pequenos produtores de café

  • Em abril de 2019, o preço de mercado do café arábica lavado chegou a US$ 90 por 100 libras na Bolsa de Nova York. Agora, oscila entre US$ 100 e US$ 115, enquanto os custos de produção dos pequenos produtores é de US$ 220. 
  • O preço do café está abaixo dos custos de produção há décadas, salvo por alguns momentos de exceção.
  • Na verdade, a situação atual não corresponde ao conceito de crise de preços baixos, mas sim de exacerbação do chamado “mercado livre”.
  • As mais de 25 milhões de famílias de pequenos produtores no mundo têm custos de produção cada vez maiores e menor renda diária.
  • Com os preços extremamente baixos de hoje, muitas famílias de pequenos produtores em grandes regiões produtoras tiveram que abandonar a produção e migrar para os grandes polos urbanos de emprego.
  • Alguns produtores não encontraram alternativa além do cultivo de produtos ilícitos. 
  • Estamos perante uma ameaça ainda maior do que os baixos preços: a contaminação pelo glifosato e outros agroquímicos, produtos mortais promovidos como a grande solução até pelos governos.
  • A cada dia é mais difícil obter a certificação orgânica, devido ao aumento de exigências e custos sem aumentar os preços, o que favorece a produção agroindustrial.
  • Os mercados de café de alta qualidade estão crescendo pouco a pouco, mas com a pressão descendente exercida pelos preços atuais da Bolsa de Nova York, são estimulados a produção e o consumo de café de baixa qualidade. 
  • Embora os preços não estejam caindo para os consumidores, os grandes consórcios que controlam o mercado consumidor estão relatando ganhos históricos.
  • Diante da impossibilidade de nos manter em produção com os preços atuais do mercado bolsista, nós, os pequenos produtores, somos informados de que temos que aumentar nossa eficiência e produtividade ou desaparecer.
  • Essa suposta eficiência e a grande produção monopolista ecologicamente destrutiva que sempre nos levaram a esta crise de preços baixos.
  • Encaramos uma crise do modelo econômico capitalista neoliberal, em que apenas falar sobre preços mínimos tornou-se uma violação das leis do livre mercado.
  • A enorme destruição ambiental resultante do nosso modelo econômico atual acrescenta um grande fator de risco aos pequenos produtores.
  • Nós, pequenos produtores, poderíamos nos defender contra todo esse problema se recebêssemos um preço que permita isso.

2          Os pequenos produtores são um exemplo de sustentabilidade no café

  • Historicamente, os pequenos produtores conseguiram progredir graças à renda da produção de café. O café foi para muitos produtores uma alavanca importante para sair da pobreza e construir um futuro.
  • A pequena produção mostrou grandes contribuições para um planeta mais saudável e um futuro melhor para todos, de acordo com vários estudos da FAO.
  • O café dos pequenos produtores orgânicos é cultivado sob sombra, com tecnologia e práticas que protegem, preservam e regeneram o equilíbrio natural da flora e fauna, microclimas, lençóis freáticos, solos, etc.
  • O café dos pequenos produtores gera maior quantidade de emprego nas zonas de produção e faz a economia local crescer.
  • Os pequenos produtores também proporcionam maior igualdade de gênero, modelos democráticos de tomada de decisão, economia inclusiva e maior autonomia alimentar.
  • A qualidade não deve ser definida apenas pela qualidade do produto em uma xícara, mas também pela qualidade no sentido integral, ecológico, econômico e social.
  • Nós, pequenos produtores organizados, recusamo-nos a desaparecer e estamos demonstrando o que é a verdadeira sustentabilidade com nossas práticas, com a colaboração de parceiros comerciais. Os pequenos produtores são o futuro.

3          Os pequenos produtores conseguiram dobrar o preço da Bolsa de café de NY

  • As organizações de pequenos produtores de café vêm lutando por melhor acesso a mercados e renda decente há várias décadas, desde os anos 60 do século passado.
  • Hoje, na rede intercontinental de produtores SPP, estamos reunidos em 70 organizações de, no total, meio milhão de pequenos produtores de café e aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, de 9 países  da América Latina, 3 africanos e 2 asiáticos.
  • O estudo dos custos sustentáveis de produção de café das organizações de pequenos produtores, nos quais se baseiam os preços mínimos sustentáveis do SPP, resultou em US$ 200 no ano de 2010. Acrescentamos US$ 20 em reconhecimento ao trabalho coletivo, totalizando US$ 220 por 100 libras de café arábica verde.
  • O estudo de atualização recentemente iniciado mostra que os custos mínimos aumentaram para pelo menos US$ 220 por 100 libras de café. 
  • Avançamos, juntamente com nossos parceiros comerciais, na geração de um mercado crescente em cerca de 50 países, que respeita os preços mínimos que nós, pequenos produtores, propusemos com uma média de US$ 235, mesmo acima do mínimo de US$ 220 que marca o SPP como mínimo para o café orgânico.
  • Com os preços atuais do mercado, o valor de uma xícara de café é entre 2 e 6 dólares, enquanto os produtores só recebem cerca de 2,5 centavos de dólar, ou seja, menos de 1%.
  • Nos casos do café torrado e moído e do café solúvel, o custo do café verde representa entre 10% e 35% do custo do produto final, aproximadamente.
  • Verificamos com o SPP que é possível concorrer pagando bem aos produtores, tanto no segmento de lojas especializadas quanto nos supermercados.  
  • Cada vez mais empresas estão comprometidas com os pequenos produtores, respeitando esses preços, alcançando, assim, um crescimento de mais de 30% ao ano do valor de mercado do café SPP.
  • Em suma, hoje, depende mais da disposição das empresas do setor cafeeiro de fazer negócios de maneira ética, com determinação de não manchar suas mãos e consciência sobre a aniquilação de milhões de pequenos produtores, que também são garantia de um ambiente mais equilibrado.

Apelamos aos consumidores, ao movimento dos jovens conscientes das ameaças que as alterações climáticas implicam e às empresas conscientes:

  1. Afaste-se das práticas perversas e destrutivas do chamado “mercado livre” dominante;
  2. Junte-se à rede de produtores da SPP para construir uma realidade diferente.

No debate sobre a chamada “crise do preço do café”, tornou-se comum falar em busca de caminhos para a sustentabilidade, quando os produtores sofrem os impactos atuais. 

Quando falamos de soluções, colocamos a culpa do lado dos produtores e nos impomos maiores exigências, sem admitirmos que a principal solução é os preço remunerativo hoje.

O recente colapso extremo dos preços revelou que há uma exploração permanente dos produtores de café, especialmente os pequenos. Se amanhã os preços voltarem a girar em torno de 140 dólares, como nos anos anteriores, provavelmente deixarão de falar de uma crise e o setor cafeeiro voltará ao seu curso “normal”. No entanto, esses preços continuam a explorar o produtor e, na realidade, todos nós sabemos disso.

Nós produtores não precisamos aceitar a normalidade da exploração. Temos o direito de ter os produtos do nosso trabalho remunerados com dignidade, como qualquer trabalho no mundo que tenha leis de proteção globalmente aceitas. Se for possível fazê-lo hoje, que seja feito hoje.

A ´exploração normalizada’ aniquila hoje os pequenos produtores de café!

Os pequenos produtores são um exemplo de sustentabilidade no café!  

Os pequenos produtores conseguiram dobrar o preço da Bolsa de café de NY!

 

 

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Larissa Peruccini   
    
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